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A Lagoa de Sete Cidades - Foto: Olívia Pedroso

O que fazer na ilha de São Miguel, nos Açores

Marcos Grinspum Ferraz

Com grandes vulcões – ativos, mas adormecidos –, enormes lagoas, montanhas, vistas estonteantes, praias de areias escuras e pedregosas, cachoeiras, rica vegetação e clima imprevisível – as quatro estações do ano podem ocorrer em um só dia, como dizem os açorianos –, a Ilha de São Miguel é um lugar onde a beleza da natureza se impõe por vezes com calma e suavidade, por outras com intensidade e brutalidade.

São Miguel, maior das nove ilhas do arquipélago dos Açores (território autônomo de Portugal situado no meio do Oceano Atlântico que começou a ser povoado no século 15), é também terra do viciante bolo lêvedo, dos queijos típicos, das plantações de chá e ananás, do cozido português preparado nas fumarolas ferventes, da música açoriana, das igrejas e pequenas aldeias e, o que soa surpreendente para muitos, de relevantes museus e construções de arquitetura contemporânea; ou seja, de toda uma riqueza cultural que se relaciona à natureza, mas que vai bastante além dela.

Maior cidade da ilha, Ponta Delgada é a opção de estadia com melhor estrutura: restaurantes, hotéis, mercados, lojas etc.

Outras cidades menores como Furnas, Povoação, Lagoa, Ribeira Grande ou Vila Franca do Campo, no entanto, podem ser mais tranquilas, aconchegantes e com menor número de turistas. Seja como for, o trajeto de uma ponta à outra da ilha não chega a uma hora e meia de carro, o que significa que em qualquer ponto o visitante estará bem localizado.

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Vale a pena conhecer nos Açores a cidade de Povoação

A pacata cidade de Povoação – Foto: Marcos Ferraz

Ao olhar o mapa pela primeira vez é difícil imaginar a infinidade de coisas que há para se fazer em São Miguel, uma ilha de 744 km2 e não mais de 140 mil habitantes. Mas a verdade é que reservar uma semana (ou até mais) apenas para esta parte do arquipélago dos Açores não é um exagero. Destaco aqui vários pontos imperdíveis da ilha, mas há certamente muitos outros a serem vistos. Para facilitar, dividirei aqui a ilha em três regiões: oriental (concelhos de Povoação e Nordeste), central (concelhos de Ribeira Grande, Lagoa e Vila Franca do Campo) e ocidental (concelho de Ponta Delgada).

Antes de entrar em pormenores sobre São Miguel, porém, vale destacar alguns pontos mais práticos sobre a viagem: há promoções muito baratas de voos partindo de Lisboa para Ponta Delgada durante todo o ano, fique atento; não deixe de alugar carro na ilha, já que a graça é justamente poder passar por cada praia, vilarejo, lagoa ou cachoeira, e isso é praticamente inviável sem transporte particular (infelizmente); por fim, não se assuste com o sotaque local – para um ouvido desatento chega a parecer francês ou até russo, mas é mesmo português.

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Furnas e a parte oriental

Estive hospedado oito dias em Furnas, pequena vila localizada no sudeste da ilha que concentra – na cidade e nos entornos – alguns dos passeios mais interessantes. Ali está a Lagoa das Furnas, formada em região vulcânica, cercada de montanhas com miradouros de vistas impactantes; ali estão fumarolas de água fervente (resultantes das manifestações vulcânicas) que brotam da terra e impressionam por sua aparência e seu cheiro sulfuroso; ali estão, também, as principais piscinas termais, como as do Parque Terra Nostra e as da Poça da Dona Beija, com águas que chegam a 40o C.

Fumarolas onde são preparados os cozidos açorianos – Foto: Marcos Ferraz

Nas fumarolas ao lado da lagoa, com águas borbulhantes a 98,5o C, são preparados os tradicionais cozidos açorianos que levam carne de porco, galinha, chouriço, morcela, cenoura, couve, batata, batata doce, entre outras coisas, e são servidos nos restaurantes da cidade (e de outros pontos da ilha). Não deixe de experimentar a receita do restaurante Miroma, com sua porção individual que serve facilmente duas pessoas.

No outro lado da lagoa está localizado o Centro de Monitorização e Investigação das Furnas – um pequeno edifício que incluí zona expositiva e auditório –, a Capela de Nossa Senhora das Vitórias e o agradável Jardim da Lagoa das Furnas. A arquitetura contemporânea arrojada do primeiro espaço, somada ao estilo neogótico do segundo e à beleza natural do jardim e da lagoa fazem desta região um passeio imperdível e intenso.

Arredores da Lagoa de Furnas.s – Foto: Olívia Pedroso

Furnas é também um dos melhores lugares para se comer o bolo lêvedo, um pão levemente adocicado que pode ser usado para preparar sanduíches ou para ser degustado apenas com azeite ou manteiga. As “padarias” Glória Moniz ou Rosa Quental são boas opções na cidade, mas o bolo lêvedo pode ser encontrado em qualquer canto da ilha. Assim como Furnas, cada pequena vila tem bons restaurantes e cafés. Tente se informar, pergunte para os nativos, pesquise na internet. Não há motivos para comer mal em São Miguel.

Seguindo para a região nordeste da ilha, bastante pacata, há ainda alguns passeios imperdíveis, como o miradouro Ponta do Arnel e o vizinho Farol do Arnel. Entre o miradouro e o farol, um trajeto de cerca de 15 minutos a pé nos revela, a cada curva, belas paisagens e novos ângulos para se observar o mar. Não muito longe dali está o Parque da Ribeira dos Caldeirões, que abriga grandes cachoeiras e quedas d’água, além de antigos moinhos. O parque possuí também alojamentos renovados que podem ser boas opções de estadia.

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Parte central de São Miguel

O ARQUIPÉLAGO Centro de Artes Contemporâneas – Foto: Olívia Pedroso

Exatamente no centro de São Miguel está a grandiosa Lagoa do Fogo, também associada à uma formação vulcânica. Rodeada por montanhas e miradouros (como o Barrosa), ela é vizinha do vale das Lombadas – com suas cachoeiras e nascentes em meio à uma natureza mais selvagem, propícia para caminhadas – e bastante próxima aos banhos termais de Caldeira Velha e Ribeira Grande.

Um pouco ao norte, já no litoral, está a cidade de Ribeira Grande, que além de ser próxima a várias praias e zonas balneárias, abriga o principal espaço cultural dedicado à arte contemporânea na ilha, o ARQUIPÉLAGO. Com um premiado projeto arquitetônico de requalificação de uma antiga fábrica, o edifício abriga exposições, residências artísticas, oficinas e espetáculos.

É também nesta região que estão as fazendas de Porto Formoso e Gorreana (dê preferencia à primeira), que abrigam as únicas plantações de chá em território europeu. Ambas estão abertas para visitação e oferecem espaço de experimentação dos chás. Vale lembrar que há também diversas plantações de ananás (abacaxi) na ilha, muitas abertas à visitação.

Mar e piscina natural vistos do Bar Caloura – Foto: Olívia Pedroso

No litoral sul, o trajeto entre Ponta Delgada e Povoação, outra agradável cidade da ilha, passa por dezenas de praias e pontos a visitar. Não deixe de ir nas belas zonas balneares da Lagoa e da Caloura. Nesta segunda, um agradável restaurante à beira mar, o Bar Caloura, serve frutos do mar e peixes com uma bela vista. Ali ao lado está a bela praia de Baixa D’areia (perfeita para observar o pôr do sol) e, seguindo na mesma estrada, encontram-se outras pequenas praias, diversos miradouros e a cidade de Vila Franca do Campo. A própria paisagem ao longo das estradas da região – numa mistura peculiar de universos rurais e litorâneos – já vale o passeio.

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Ponta delgada e a parte ocidental da ilha

A parte ocidental de São Miguel abriga a maior das lagoas da ilha, a das Sete Cidades (ver foto na abertura do texto), dividida por um canal e uma ponte em duas partes: uma de água esverdeada e outra azulada. O cenário idílico pode ser apreciado dos miradouros que a cercam, como o do Serrado das Freiras e o da Vista do Rei – situado ao lado de um fascinante hotel abandonado (não deixe de ir!) – ou das próprias margens da lagoa.

Beira da Lagoa de Sete Cidades – Foto: Olívia Pedroso

Na pacata vila de Sete Cidades, à beira das águas azuladas, um complexo ambiental projetado pelo renomado arquiteto português Eduardo Souto Moura é um dos pontos mais bonitos para se observar a natureza local, além de ser mais um espaço de interesse para os apreciadores de arquitetura contemporânea (confira outros no site roteiroarquitectura.pt). Ali ao lado há também um conjunto habitacional projetado pelo mesmo arquiteto.

Não longe dali, no litoral oeste da ilha, a Ponta da Ferraria proporciona a peculiar experiência de poder banhar-se em águas quentes dentro do mar, graças a duas nascentes de águas termais que também abastecem o complexo que se encontra no local. Há dias em que as ondas ou a maré impedem o banho nestas águas, mas ainda assim a visita vale a pena, dada a bela paisagem rochosa do local. Um pouco mais ao norte, a Praia dos Mosteiros, de areias escuras, e as piscinas naturais logo ao lado revelam um pouco mais da força e beleza da natureza desta região da ilha.

A Ponta da Ferraria. Foto: Olívia Pedroso

Por fim, mesmo se não estiver hospedado na cidade, não deixe de reservar um tempo para passear no centro histórico da capital dos Açores, Ponta Delgada – ponto de chegada e partida da viagem para São Miguel –, seja para ver suas igrejas, ermidas e praças, visitar o Museu Carlos Machado (dedicado à etnografia, história, história natural e arte sacra), passar pelas Portas da Cidade ou caminhar pelas pequenas ruas e conhecer o comércio de produtos locais. A venda Príncipe dos Queijos é das melhores opções para comprar os laticínios, vinhos e geleias da região. Para almoçar ou jantar, o restaurante A Tasca serve peixes frescos e outras opções apetitosas.

É principalmente dali da capital, também, que partem os passeios de barco para observação de baleias e golfinhos em alto mar. As ilhas dos Açores são hoje alguns dos principais pontos de observação de cetáceos do mundo, oferecendo a possibilidade de se avistar até 20 diferentes espécies. Há diversas empresas, com diferentes opções de passeios e preços. Vale pesquisar antes de fechar com qualquer uma delas e perguntar sobre as reais possibilidades de se avistar os animais no período específico em que estiver lá.

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About Muita Viagem

Dicas e histórias de viagens.É feito por Gustavo, jornalista, Danilo, comissário de voo, e amigos, que vivem viajando pelo Brasil e no mundo.

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