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  • Jardin du Luxembourg

    O parque é o maior da região metropolitana de Paris e um dos mais bonitos

  • Jardin du Luxembourg

    Tem gramados impecáveis, muitas árvores e áreas sombreadas

  • Jardin du Luxembourg

    O local abriga belos jardins, fontes, um museu e o Senado francês

  • Jardin du Luxembourg

    'É um dos poucos locais públicos onde a grama é interditada

O Jardin du Luxembourg – Paris além do Óbvio

O passeio a pé por Paris no roteiro Geração Perdida foi dividido em 4 partes. Apesar de ser possível completar a caminhada pela capital francesa em um dia, o melhor é dividir em dois ou três dias para aproveitar os cantinhos escondidos e as surpresas pelas ruas de Paris.

Aqui, na terceira parte, conheça o fantástico Jardin du Luxembourg, a cada de escritores e artistas. Na quarta parte, descubra o restaurante mais antigo de Paris, uma loja da Taschen com livros a preço de banane e algumas das ruas mais charmosas de Paris

fotos: Marina kuzuyabu

Diego Braga Norte

Aqui na terceira parte, o intuito é conhecer o fantástico Jardin du Luxembourg e seus arredores (as entradas estão com balões azuis no mapa de Paris). Um conselho, visite-o durante a semana, de preferência pela manhã, pois nos finais de semana ele fica insuportavelmente cheio.

O parque é o maior da região metropolitana de Paris e um dos mais bonitos também. Além de vielas charmosas, gramados impecáveis, muitas árvores e áreas sombreadas, o local – como o nome indica – abriga belos jardins, fontes, um museu e o Senado francês.

O Musée du Luxembourg é o mais antigo de Paris e foi aberto ao público em 1750. Porém, ele perdeu muito de seu brilho e suas principais obras foram transferidas para o Louvre. Hoje o museu vive de exposições temporárias.


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Uma vez no Jardin du Luxembourg é importante saber que lá é um dos poucos locais públicos onde a grama é interditada. Só há uma pequena área, no lado sul do parque, onde as pessoas podem se deitar para ler, namorar ou fazer piqueniques na grama. Mas, se é proibido pisar na grama, sente-se em uma das indefectíveis cadeiras verdes do local, que mantêm o mesmo design e cor desde 1918 (os franceses adoram tradições).

Ao lado norte do Jardin, se quiser ver onde Hemingway morou com sua segunda esposa, Pauline Pfeiffer, dê uma passadinha no número 6 da rua Férou (ponto vermelho no mapa de Paris). Um pouco antes, no número 2 da mesma rua, residia o artista plástico Man Ray.

Na rua paralela à Férou (ponto verde no mapa de Paris), na estreita e bela Servandoni, William Faulkner habitou no prédio de número 26, que hoje abriga o Hotel Luxembourg Parc.

Seguindo à oeste pela rua Vaugirard, dê uma paradinha no prédio do número 58 (ponto amarelo no mapa de Paris). É aqui que habitava um dos casais literários mais interessantes de quem se tem notícias, Zelda e Francis S. Fitzgerald.

E, numa rua quase paralela à Vaugirard, na rua Fleurus, Gertrude Stein morava com sua companheira Alice B. Toklas. Era ali, no número 27 que a patota da Geração Perdida mais se reunia (marcado com a taça no mapa de Paris).

Com muitos quadros de pintores da época e de uma geração anterior (Picasso, Dalí, Gauguin, Matisse, Renoir, Cézanne) e muitos livros, o apartamento era uma mistura de museu contemporâneo, biblioteca e ponto de encontro.

De Sarte a chatos

Cafés que foram legais e o restaurante mais antigo de Paris

Continuando pela Fleurus (ou pela Vaugirard, tanto faz), vá em direção à Boulevard Raspail, no sentido do metrô Sèvres – Babylone (linhas 10 e 12). Aconselho fazer esse trajeto pela rua d’Assas, que é, perdão pelo trocadilho inevitável, assaz aprazível.

Depois de chegar ao metrô, que fica no cruzamento da Raspail com a Sèvres, siga por esta em direção à rua de Rennes. Depois, vá em frente seguindo a torre da igreja Saint Germain de Prés, que fica na Boulevard Saint Germain.

Do outro lado da praça da igreja, há o café Les Deux Magots (6 Place Saint Germain des Prés), local que um dia já foi bem barato e frequentado pela turma da Geração Perdida e, algumas décadas depois, seria frequentado pelo filósofo Jean-Paul Sartre, sua mulher Simone de Beauvoir e seus discípulos existencialistas.

Hoje o café é frequentado por turistas e moradores endinheirados com suéteres ridículos em seus pescoços e óculos caríssimos em suas cabeças ornadas com gel ou laquê. Eles se sentam em suas mesas na calçada e se contentam em ficar olhando para a rua com um olhar blasé. Uma lástima.

O Cafe de Flore já foi melhor frequentado...

O Cafe de Flore já foi melhor frequentado…

Um pouco mais adiante, mas bem pertinho do Les Deux Magots, no número 172 da Boulevard Saint Germain há o Café de Flore. A história dele é parecida: um-dia-já-foi-frequentado-por-gente-legal-e-hoje-é-cheio-de-turistas-e–endinheirados. Ao seu lado, no número 151 da mesma Boulevard, funciona a Brasserie Lipp, outro lugar que Sartre e… deixe para lá.

Depois de ao menos ver os bares que os caras frequentavam, você vai entrar numa das áreas mais bonitas da cidade, no burburinho do bairro Saint Germain. Sinta-se absolutamente livre para se perder nas simpáticas ruazinhas do local, cheias de botecos, cafés, restaurantes, pequenos ateliês, boutiques e livrarias.

Não percam a oportunidade de visitar a curiosa e minúscula Place Furstemberg, onde, em um dos prédios que a cercam, morava Henry Miller.

Ande também pela rua Bonaparte, que na esquina com a Jacob, tem o cafétem o café Le Pré aux Clercs  (30 rue Bonaparte), onde Hemingway costumava almoçar e passar o resto da tarde fumando, bebendo e, eventualmente, escrevendo.

Dizem que foi em uma das suas mesas que ele escreveu o romance “O Sol também se levanta”, publicado em 1927, um sucesso imediato que ajudou muito na construção da imagem da Geração Perdida.

Hemingway almoçava, fumava, bebia e até escrevia no Les Pré Aux Clercs

Hemingway almoçava, fumava, bebia e até escrevia no Les Pré Aux Clercs

A rua de Buci é uma das mais bonitas da área e passagem obrigatória para quem visita a região. No número 2 da rua de Buci, quase na esquina com a Mazarine, tem uma excelente loja da hypada editora alemã Taschen, especializada em belíssimos livros de arte (cinema, fotografia, design, arquitetura e pintura).

O mais legal dessa loja é que sempre eles deixam nas calçadas edições novas à preço de banana. Sério, compramos um livro-fotográfico sobre a filmografia de François Truffaut por € 10 (na verdade, € 9,90). No Brasil, o mesmo livro sai por R$ 100 (na verdade, R$ 99…).

Depois de sair da Taschen com sacolas pesadas, quebre à esquerda na Mazarine e siga até a passagem Dauphine. O local é um túnel do tempo. Um passagem de pedestres que liga a rua Dauphine à rua Mazarine, repleto de restaurantes (com plats du jours a preços acima de € 15).

Outra passagem sensacional (que também é um túnel do tempo) é a Cour de Rohan, que pode ser acessada pela rua Mazarine. Atenção, a rua Mazarine após cruzar a rua de Buci, muda seu nome para rua de l’Ancienne Comédie.

O Le Procope, no 13 da rua de l’Ancienne Comédie, é simplesmente o restaurante mais velho de Paris, fundado em 1686. Em suas mesas já se sentaram La Fontaine, Voltaire, Rousseau, Balzac, Victor Hugo e Paul Verlaine. Anos antes, na época da Revolução Francesa (1789-1799), os líderes revolucionários Robespierre, Danton e Marat se reuniam no local.

Entre as ruas Dauphine e Saint Andre des Arts fica a escondida e minúscula rua André. Nessa rua, fica o CROUS Mazet, um dos restaurantes universitários da região, onde é possível almoçar por € 3,10. Se Hemingway vivesse nos dias de hoje, certamente ele iria frequentar esse local ao invés do atualmente afrescalhado Le Pré aux Clercs.

E, já que a sensacional rua Saint Andre des Arts foi mencionada, ela é o trajeto final da quarta parte do roteiro da caminhada pela Paris da Geração Perdida. Siga por ela em direção à Place Saint Michel.

About The Author

Diego Braga Norte é jornalista e nômade errante que, de quando em vez, acerta. Já morou na Alemanha, nos EUA, na França e em Assis. Autor de Iracema, mon amourParis além do óbvio, entre outras coisas.

1 Comentário

  1. Adorei o comentário sobre turistas e moradores endinheirados com seus suéteres ridículos e olhar blasé, me lembrou a música do Cazuza, Bete Balanço: “não ligue pra essas caras tristes, fingindo que a gente não existe, sentadas, tão engraçadas, donas das suas salas”.

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