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Baladas no centro histórico de São Luís: muita música ao vivo

Por Gustavo Villas Boas – Nordeste 40

São Luis é a Jamaica Brasileira. Não por causa da maconha (shila, para os maranhenses; o usuário é o shileiro, uma palavra ofensiva), mas porque o reggae, o ritmo da ilha do Caribe, é ouvido em todos os cantos, seja nos bares mais descolados (para turista) do centro histórico, seja nos botecos de tiozinho.

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Na quarta, o centro de São Luís já estava assim

Na quarta, o centro de São Luís já estava assim

Mas no Reviver, como é chamado o centro histórico, você vai ouvir muito mais do que reggae. Música, dança e performance estão na alma ludovicense. Nas escadarias, nas esquinas e, claro, nos bares, sempre tem música ao vivo a partir do comecinho da noite.

O que atrapalha a vida boêmia é a violência. Ouvi relatos de pessoas roubadas e todo mundo com quem falei disse que não dá para andar sozinho em ruas vazias do Reviver (todo mundo é uma expressão degastada, mas nesse caso é todo mundo mesmo). Além disso, o tempo todo você é abordado –dá R$ 1 real, dá um copo de cerveja, dá um cigarro (de novo, usei um termo exagerado sem exageros: é o tempo todo).

Saí todos os dias, de quarta-feira à sábado (incluindo a sexta-feira, 15 de Novembro, feriado nacional; sexta-feira é o grande dia para quem quer ir para a balada no Reviver) e achei difícil escolher onde começar a noite em São Luís (sempre terminava no Moiras, bar magnético com mesas ocupando uma ampla escadaria; mais para frente, falo mais dele).

Em torno da Feira da Praia Grande, um dos pontos de referência do centro histórico de São Luís, havia pelo menos três ou quatro opções de lugares com grupos tocando ao vivo (não precisa sentar e pagar, dá para ver da rua).

Para começar a noite, eu preferia ficar dentro da Feira da Praia Grande.

No Bar da Amélia tem cerveja barata e boas porções

No Bar da Amélia tem cerveja barata e boas porções

Quando queria ficar sentado, ia no Bar da Amélia, um negócio familiar com atendimento familiar. Rapidamente me senti um velho frequentador, daqueles que sabem que ali tem ótimas porções e cerveja barata (R$5).

Para quem curte tomar cerveja com de pé, com a barriga no balcão, a dica é ir no Irmão, na parte interna da feira –a garrafa estava R$ 4,50. O Irmão (todo mundo conhece) é uma espécie de mercadinho-armazém, tem de tudo: papel-higiênico, caixas do mítico guaraná Jesus, pasta de dente, salgadinhos, protetor solar, bolacha, barbeador, pilha.

Na rua das Palmas, onde fica o único albergue da rede Hostelling International – Albergue da Juventude em São Luís, o Solar das Pedras, tem várias opções de bares e baladas.

Em frente ao hostel tem uma casa noturna grande, GLS (quem está no hostel vai ver o movimento, a rua fica cheia; os hóspedes podem entrar de graça). Um pouco mais para o lado, na esquina com a escadaria, tem o Roots Bar, que toca… reggae. Na escadaria existem mais duas opções de bares (tudo a menos de 100 metros do hostel): o bar Escadaria do Reggae e o Moiras.

A escadaria do Moiras, o lugar mais legal do centro de São Luís à noite

A escadaria do Moiras, o lugar mais legal do centro de São Luís à noite

O Moiras é o lugar que mais gostei em São Luís. As mesinhas e cadeiras ficam espalhadas na ampla escadaria, o responsável pelo bar é músico e toca com responsabilidade essa parte: ouvi samba paulista, MPB de barzinho, reggae… Mas o melhor foi o dia do tambor de crioula (será que é toda quinta-feira?), coisa levada a sério em São Luis.

A fogueira usada para esticar o couro dos tambores foi feita ali mesmo –saí cheirando a bacon. Mestre Macaxeira tomou conta dos vocais, meninas com saias a caráter convidavam todos a também dançar e foi uma noite bem legal.

Na escadaria do Moiras conheci o Diego, um músico mineiro de coração ludovicense. Ele me ensinou que além da música e das artes, as pessoas em São Luís são apaixonadas pelo futebol e pelo Sampaio Corrêa, o tubarão. A maior torcida do time do time é a Sampaio Roots (olha o reggae) e o tubarão tritura.

About The Author

Gustavo Villas Boas é jornalista, gosta de praias, baladas e comidas diferentes. A Amazônia é o destino que o emociona. Antes de embarcar no Muita Viagem, trabalhou na Folha de S.Paulo e no Estado de S.Paulo na cobertura de tecnologia, cultura e cidades. Mas lia o caderno de turismo.

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