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Trabalhar na Europa ensinando Inglês (curso TEFL)

Por Sani Hadek

Quando resolvi me mudar para a Europa há cerca de 8 anos atrás, vim com a cara e com a coragem, porém aprendi que o significado de coragem pode variar muito de pessoa para pessoa.

No meu caso, significava me mudar para um país que até há pouco tempo eu sequer conhecia por fotos, não ter passaporte Europeu, não ter emprego, não falar o idioma local e não conhecer ninguém além do namorado gringo.

É, eu não pensei nas opções, nos prós e menos ainda nos contras. Eu mergulhei de cabeça, como sempre.

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Depois de dois meses de uma procura diária, incessante porém em vão por emprego, decidi mudar o foco antes que as economias evaporassem e o choro se tornasse uma constante no meu dia-a-dia. Passei a cogitar a hipótese de ensinar inglês, mesmo não me sentindo muito confiante com a ideia. Sentia que o simples fato de falar inglês não me capacitava e classificava como professora, o que me fez novamente sentar em frente ao computador por horas e iniciar uma busca por informações de cursos de capacitação.

Foi quando descobri a certificação TEFL e uma das instituições onde era possível adquirir a mesma, The Language House. O preço do curso, com duração de quatro semanas e nove horas diárias, comprometeria boa parte das minhas economias e viria como um grande desafio, e ainda assim não me garantia um emprego de fato, apenas a possibilidade de aumentar minhas chances de conseguir um. Mais uma vez resolvi arriscar, acreditando que arriscar é o primeiro degrau na escada para o sucesso.

Devido ao horário de início e término do mesmo, o fato de morar em Pořiči nad Sazavou (vulgo “viloca”) tornou-se um empecilho, já que as opções de transporte eram absurdamente escassas (e 8 anos depois ainda continuam!). Para mim, nascida e criada em São Paulo, acostumada com as facilidades da capital, era difícil aceitar a ideia de ter que depender de um ônibus que partia apenas três vezes ao dia.

Praga, uma das cidades mais lindas e turísticas do mundo! | Foto: Sani Hadek

Como que em resposta às minhas preces, através de uma amiga de uma amiga conheci a Brenda, que me ofereceu abrigo gratuito em seu flat em Praga pelo período do curso. Nascida e criada na África do Sul – pele clara e cabelos de um loiro avermelhado, vindo provar a vasta ignorância do ser humano quando o mesmo tende a generalizar – tendo vivido pelos últimos seis anos em Londres, Brenda havia se mudado para Praga há a cerca de três meses por conta de um namorado que havia abdicado do título uma semana após a mudança, com receio de tamanha responsabilidade. Relacionamentos!…

O apartamento possuía dois quartos, mas o quarto vago não estava mobiliado, com exceção de um colchão extra no chão para visitas. Levando ainda em consideração que o apartamento ficava localizado há cerca de 40 minutos do centro, e comparando com o que eu tinha em Pořiči, a diferença não se fazia muito gritante, mas ao menos eu estava “na cidade grande”. Aceitei.

Na semana seguinte, dez outros excitados pares de olhos dividiriam espaço comigo na mesma sala pelas próximas quatro semanas, grupo composto por quatro mulheres e sete homens. Com exceção de mim e outras duas moças respectivamente da Eslováquia e África do Sul, todos os outros eram Americanos, assim como os três instrutores.

Metodologia de ensino, fonética, estilos de memória, escolha do material e muita gramática inglesa foram alguns das dezenas de tópicos estudados, aliados a uma boa quantidade de horas práticas com alunos-cobaias. Um desafio diário e que me causou muito stress e muito choro, além da incerteza se seria capaz de concluir o curso. Os 45 minutos diários reservados para a apresentação da minha aula ao final do período eram motivo de grande stress, e mesmo depois de três semanas minhas pernas ainda tremiam. Mas a motivação redobrava quando na mente me vinham imagens de entrevistas passadas e essa talvez fosse minha única chance de adentrar o mercado de trabalho naquele momento. Foram as quatro semanas mais desafiadoras da minha vida.

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Com poucos dias para o final do curso, tive minha primeira entrevista de emprego para uma vaga de professora. Apesar da insegurança pelo fato de inglês não ser minha língua nativa, o entusiasmo que demonstrei foi real, mas a notícia de que outro candidato havia sido selecionado para a vaga me balançou e desestruturou, porém resolvi que seria melhor não me deixar abalar e encarar apenas como mais uma entre tantas entrevistas.

Alguns dias depois o curso terminou e recebi meu certificado com nota A e anotações de recomendação por bom desempenho. Orgulho de mim mesma e uma sensação de vitória, redobrada quando algumas aulas me foram oferecidas pela The Language House e no mesmo dia fechei contrato com uma segunda escola, enquanto muitos dos nativos ainda batalhavam por uma vaga em Praga e na sua maioria em outros países da Europa.

Um dos meus lugares favoritos em Praga. | Foto: Sani Hadek

Da noite para o dia, uma nova profissão se iniciava. Professora – certificada – de inglês, mostrando que o ser humano definitivamente não nasceu quadrado. Finalmente o quesito emprego começava a se resolver, o que me fez dar risada do rumo que a vida muitas vezes toma, e da habilidade do ser humano em poucos meses mudar conceitos de uma vida inteira.

Eu, que na minha infância desejava balancear a carreira de pediatra com a de artista circense, sonhando com o trapézio; que na adolescência recebi o chamado do jornalismo e fui picada pelo bichinho da escrita, me mantendo fiel à minha escolha até seis meses antes da decisão ter que ser tomada.

Com o formulário de inscrição para a Universidade em mãos, de repente me dei conta de que não queria passar a vida com um microfone na mão correndo atrás de pessoas e implorando por uma única frase, enquanto sendo despachada por olhares de desdém.

Também não estava completamente preparada para abdicar da noite de Natal para fechar uma matéria, e decidi seguir no mundo executivo, onde trabalhei por muitos anos, de sol a sol, com dedicação e grandes ambições de um dia ter todo o esforço recompensado.

Da noite para o dia, dados foram lançados e uma nova carreira foi forçada a ter início, carreira essa que eu estava disposta a abraçar com tudo.

Intercâmbio para estudar inglês em Londres, na Inglaterra

Algumas aulas substitutas me foram dadas e o ritmo iniciou-se calmo, o que me dava a oportunidade de me acostumar aos poucos com a agitada rotina que se iniciaria em duas semanas.

Ainda não tinha a menor ideia de como me organizar uma vez que o número de aulas chegasse a casa dos sete por dia, cinco vezes por semana, diferentes níveis, mas ao menos agora dinheiro começaria a entrar e minhas despesas poderiam ser balanceadas. Os deuses continuavam a trabalhar a meu favor!

E nesse ritmo fiquei pelos próximos 12 meses, enfrentando sol, chuva e neve no trajeto de uma escola para outra, de uma empresa para outra. Até que surgiu a oportunidade de um emprego na minha área, e não pensei duas vezes.

Informações adicionais:

  • Pesquise bem na hora de escolher a escola para tirar sua certificação TEFL; converse com quem já fez, converse com quem gerencia a escola, e se possível visite o local. Como nem sempre é possível, busque o máximo de informação possível, pois existem muitas, mas muitas escolas picaretas!

About The Author

Sani Hadek já morou em 4 países e ama viajar desde criança. Em 2004 deixou tudo para trás e aventurou-se no mundo atrás de respostas para suas tantas perguntas. Desde então, roda o mundo com sua mochila suja e não desgruda da câmera fotográfica e escreve sobre suas aventuras no Muita Viagem.

1 Comentário

  1. Olá Sani, bom dia!

    Gostei muito do seu texto. Eu sou do interior de SP e trabalho como professor de inglês há 13 anos, tenho cidadania italiana, passaporte europeu, e estou estudando a possibilidade de dar aulas de inglês na Europa. Será que você poderia por favor me dar mais dicas? Sabe de alguma escola boa que poderia me oferecer este curso a distancia, online? Saberia me dizer hoje, qual a média salarial? Obrigado.

    Paulo

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