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    um ninho para dormir e conhecer melhor o mundo e as pessoas que nele vivem...

Couchsurfing: descobrindo o mundo de sofá em sofá

Costumo dizer que quando estamos viajando, o que faz um lugar se tornar inesquecível são as pessoas que conhecemos e não apenas as coisas que vemos. Parece que o americano Casey Fenton pensa mais ou menos assim.

Em 1999, Fenton encontrou uma passagem muito barata para a Islândia. Decidiu adquirir a passagem mesmo não sabendo aonde ficar naquele país. Fenton então enviou 1.500 emails aleatoriamente para alunos da Universidade da Islândia.

Seu pedido: um lugar pra dormir durante sua estada no país. O americano acabou recebendo cerca de 50 emails oferecendo um canto pra ele. Durante seu voo de volta ele começou a desenvolver o conceito do projeto Couchsurfing.

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Couchsurfing é um neologismo que se refere à pratica de mudar de casa enquanto você viaja. Ou seja: você vai “surfando” (surfing) de sofá em sofá (couch), sem nenhum custo.

O Projeto Couchsurfing teve seu início em 2004 e no ano de 2013 atingiu a incrível marca de 6 milhões de membros em mais de 100.000 cidades em todo o mundo.

Muitas pessoas tendem a inicialmente a não aceitar o conceito de hospedar um estranho em sua casa. Mas nesse texto vou explicar como tudo isso funciona e mostrar que ter um “estranho” pode ser uma experiência incrível.

No entanto, é importante salientar que para se juntar à esse projeto é preciso ter sempre em mente que ele não foi desenvolvido para conseguir uma acomodação de graça e muito menos para descolar um(a) namorado(a).

O principal conceito do Couchsurfing é a troca de experiência e cultura.

A ideia do Couch Surfing (www.couchsurfing.org) é muito simples: você cria seu perfil e, através de um sistema de busca, solicita um lugar na casa de outro membro, onde quer que você queira ir.

Ao criar perfil é primordial mostrar que está realmente engajado com o projeto. Para isso, preencha todos os campos requeridos. É importantíssimo fazer uma descrição minuciosa da sua pessoa, descrevendo sua personalidade e que tipo de pessoas gostaria de conhecer.

O site tem várias sacadas para tornar sua experiência segura. Uma delas é a verificação de identidade e localidade.

Você paga uma taxa simbólica via cartão de crédito e, assim que a operação é finalizada, sua identidade é checada pelo nome do cartão. Feito isso, em algumas semanas (pode levar meses) você irá receber um cartão postal com um código de ativação. Com esse código você poderá verificar sua localidade.

Para solicitar estada na casa de um membro é só clicar no botão “couchsurf with” que se encontra sobre a foto do perfil do seu possível anfitrião.

Ao fazer a solicitação mostre que você realmente leu todo o perfil daquela pessoa e também mostre a ela porque seria legal se ela te hospedasse. Por exemplo: se ele gosta de heavy metal e você também, comente que você poderia dar umas dicas de bandas do seu país.

Não se esqueça de levar uma lembrança de seu país para a pessoa que vai te hospedar. Pode ser um simples chaveiro ou um chocolate, o importante é sempre mostrar sua gratidão.

Mas, sem dúvida, a principal ferramenta para segurança são as referências. Você pode (e deve) escrever uma referência sobre a pessoa que te acolheu ou que você recebeu.

Essa referência pode ser positiva, neutra ou negativa e pode ser acompanhada de algum depoimento. Essas referências acabam sendo fator primordial na escolha de um sofá, uma vez que nelas você pode ver o que outras pessoas acharam de determinada pessoa.

Minha primeira experiência como hóspede foi em agosto de 2008, quando visitei 5 países: Inglaterra, País de Gales, Irlanda, Irlanda do Norte e Escócia. Depois em 2009 fui para Colômbia e Venezuela.

Por fim, minha última experiência foi em 2013 quando retornei para a Inglaterra e de lá fui para Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia.

Todas as pessoas que me hospedaram foram incríveis. Me trataram como se eu as conhecesse há tempos, me deixando muito à vontade. O mais engraçado que, de todo mundo que eu comentei sobre o Couch Surfing, os brasileiros foram os que mais se preocuparam com a questão da segurança.

A confiança dos europeus é tão grande que chega a beirar o impensável para nós brasileiros. Comigo aconteceu algo, no mínimo, curioso. Estava a caminho de Belfast quando decidi checar meus emails. Havia uma mensagem do Neville, que iria me hospedar na capital da Irlanda do Norte.

Ele havia esquecido de um compromisso que ia ter, bem no dia da minha chegada, mas, mesmo assim, não cancelou comigo. Ao chegar na casa dele ele se apresentou, mostrou toda a casa (abriu a geladeira e disse: “Tem cerveja aqui, sirva-se à vontade.”), deixou minhas coisas no quarto em que eu iria dormir e falou: “Aqui está a chave da casa.

Quando for embora, jogue-a pelo buraco das cartas na porta. Curta Belfast! Tenho que ir agora! Tchau!”. E, assim, me deixou sozinho na casa dele.

Foi por essas e outras que, quando voltei ao Brasil, decidi que iria retribuir o que recebi durante minha viagem. Não demorou muito para as primeiras solicitações começarem a chegar. Até agora já recebi cerca de 50 hóspedes. Todos foram incrivelmente legais, gentis e educados.

Sempre que foi possível levei meus hóspedes para conhecer alguns lugares em São Paulo: do movimentado Mercado Municipal e Rua 25 de Março ao Parque do Ibirapuera e Cidade Universitária. Ah, sim! Também houve aqueles que queriam conhecer a noite paulistana! E lá fomos nós beber umas cervejas nos bares de São Paulo.

No entanto, não é obrigatório ter que hospedar outras pessoas. Quem achou legal a idéia, porém não tem condições de receber um outro membro, pode alterar seu status para “Free for a coffee or drink”, por exemplo. Isso ajuda na imersão daqueles que moram com os pais ou outras pessoas que não aceitariam a idéia de ter um estranho na sala de casa.

Assim como outras redes sociais, o Couch Surfing também conta com comunidades. A comunidade “São Paulo”, por exemplo, é um ponto de encontro para os couchsurfers dispostos a trocar experiências e idéias com outros membros. Existe até um encontro semanal, realizado todas as terças-feiras, em um algum bar de fácil acesso.

Como havia comentado anteriormente, o Couch Surfing é mais do que achar acomodação de graça. É conhecer gente nova, de uma cultura diferente (ou não) da sua e ampliar seus horizontes.

É abrir a mente e notar que ainda existe uma forma de nos relacionarmos com estrangeiros abrindo a porta da nossa casa, sem nenhum ônus. É, acima de tudo, criar vínculos e amizades que irão marcar nossas vidas para sempre.

About The Author

Anselmo tem 34 anos, é formado em publicidade e propaganda e a atualmente trabalha na indústria gráfica. Ele sempre nutriu uma paixão por conhecer lugares novos e começou a viajar regularmente em 2003. Desde então visitou mais de 20 países e conheceu pessoas de todas as partes do mundo. Algumas fotos de suas viagens estão no Flickr

Muita Viagem

Muita Viagem - Dicas e histórias de viagens. É feito por Gustavo, jornalista, Danilo, comissário, e amigos, que vivem viajando pelo Brasil e no mundo.

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