Início / Viajei (relatos) / Diário do Brasil / Dentro da floresta: um hotel de selva na Amazônia

Dentro da floresta: um hotel de selva na Amazônia

Conhecer a Amazônia era um sonho da minha vida –literalmente: quando eu dormia, repetidamente fui à floresta. Quando decidi realizar o sonho e pesquisar sobre hotéis de selva, fiquei meio chocado com os preços e como os maiores empreendimentos causavam muito impacto na natureza.

Mas descobri um pequeno hotel de selva que me pareceu adequado: poucos quartos, poucos funcionários (a favelização ao redor dos grandes hotéis é um dos problemas), sem luxo nem animais domesticados à força (na verdade, tinha duas macaquinhas lindas e um jacu que se comportava como cachorro, mas eram dos funcionários, não uma atração do hotel).

E o preço era bom (não existe barato nesse tipo de turismo). Eu e minha namorada decidimos que o Amazon Tupana Lodge era o melhor hotel de selva para ir. Valeu a pena.

Rústico, o Amazon Tupana Lodge oferece vários passeios e está integrado à natureza | foto: Divulgação

Rústico, o Amazon Tupana Lodge oferece vários passeios e está integrado à natureza | foto: Divulgação

– Viagens pela Amazônia

– Alter do Chão, o Caribe Brasileiro

Como chegar ao hotel de selva Amazon Tupana Lodge

O começo da aventura para dentro da Amazônia

O hotel oferece um serviço de transfer a partir de Manaus que sai bem cedinho. E (achei ótimo) o Amazon Tupana Lodge não é pertinho de Manaus, é preciso viajar para o sul da capital amazonense. São 178 km em uma estrada quase sem curvas e sem belas paisagens (apesar do que diz o site do Amazon Tupana Lodge).

Antes de cair na estrada, embarcamos em uma lancha rápida no Porto do Ceasa até a Vila do Careiro. E passamos pelo famoso Encontro das Águas do Rio Negro e Rio Solimões, uma experiência obrigatória para quem vai a Manaus.

O impressionante encontro dos rios Negro e Solimões | foto - Divulgação

O impressionante encontro dos rios Negro e Solimões | foto – Divulgação

Depois encontramos o motorista, percorremos os 178 km pela BR-319, e chegamos a outra vila, onde pegamos outra lancha, mais 15 minutos pelo rio Tupana, até o hotel. O percurso todo durou umas 4 horas.

A nossa viagem seria bem monótona se não fosse a chuva de proporções amazônicas em grande parte do caminho. Deu medo, muito medo, não dava para ver nada fora do carro. Mas tudo correu bem.

Amazon Tupana Lodge, um pequeno hotel de selva

Ribeirinhos, jacarés e acampamento na floresta

O hotel fica às margens do rio Tupana, um rio modesto (se comparado ao Negro e Solimões) de águas marrom-oliva calmas, que formam espelhos que refletem perfeitamente as árvores. Incrível. Uma paisagem bem diferente de outros lugares que estive na floresta tropical.

As águas do rio Tupana formam verdadeiros espelhos marrom-oliva

As águas do rio Tupana formam verdadeiros espelhos marrom-oliva

A casa principal, bem rústica, não é muito grande, nem o refeitório, e o hotel é cercado pela mata. Não tem energia o dia todo e o chuveiro não é elétrico.

Os mosquitos da Amazônia? Estivemos lá em outubro e, mesmo sem repelente, não fomos atacados (mas não acredite nisso e leve repelente, vai que a gente não era gostoso o suficiente).

Com algumas mudanças aqui e ali (é a Amazon Rain Forest, espere por situações inesperadas), o hotel de selva cumpriu a programação combinada.

Tivemos a chance sair de manhãzinha, em uma canoa a remo, e ver muitos, muitos passarinhos e até uma ariranha brincando –tudo de longe.

Infelizmente, nos vários lugares da Amazônia que eu fui, vi poucos animais. No rio Tupana, os botos apareciam aqui e ali, mas nada muito empolgante. Até piranha faltou na pescaria.

O rio tupana no final da tarde

O rio tupana no final da tarde

Saímos para fazer a focagem de jacarés, mas os bichos estavam tímidos. Só chegamos perto de uns filhotes e pegamos na mão um pequeno jacarezinho, não muito maior do que uma lagartixa invocada.

Mesmo sem os jacarés, andar de barco de noite e em silêncio do rio Tupana foi uma experiência inesquecível. Sim, dá medo. Para completar o clima, uns peixinhos danados pulavam dentro da canoa o tempo todo. Por sua vez, a pessoa atingida também pulava de medo.

Também conhecemos a casa de um casal ribeirinho com pessoas muito legais. O senhorzinho, para lá dos 65 anos, forte como um touro (passei vergonha quando ele mandou eu levar uma madeira; ele levava duas!), cuidava de uma plantação de abacaxi impressionante. Achei legal ver como ele manipulava a terra da maneira indígena: com fogo (às vezes dá errado e eles queimam mais do que gostariam).

Por favor, dona onça, não me coma enquanto eu durmo

Por favor, dona onça, não me coma enquanto eu durmo

O mais legal desses dias no hotel de selva na Amazônia foi acampar dentro da floresta, dormindo em rede, cobertos por uma tenda que a gente ajuda a montar, comemos peixe feito na fogueira, essas coisas todas. Dá um medão e qualquer barulho é BARULHO, mas vale a pena.

Fomos em outubro, quando os rios não estão cheios. Antes de ir a Amazônia, veja bem qual a época do ano. A paisagem (e os passeios) mudam assustadoramente dependendo da época do ano.

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

Deixe um comentário

O seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*