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Onde ficar no Camboja? Homestay em Kampong Cham, saindo da rota turística

O mochilão da Sani pelo Sudeste Asiático, que já passou pela Tailândia, segue firme agora para o interior do Camboja!

Confira alguns dos relatos já publicados sobre a viagem da mochileira em 3 meses pela Ásia:

– Roteiro de mochilão pelo Sudeste Asiático

– Trilhas e aventuras pelas montanhas da Tailândia

– Como ir da Tailândia para o Camboja via terrestre?

Por Sani Hadek

Depois de 4 dias em Siem Reap, ao invés de seguir rumo a Sihanoukville para conhecer as praias do Camboja, optei mais uma vez em mudar o roteiro e ir para Kampong Cham, bem no interior do país, há cerca de 5 horas ao leste, para passar uns dias em uma homestay e conhecer melhor a parte mais rural do Camboja e mergulhar mais a fundo na cultura local.

Acordei cedo para pegar o ônibus que supostamente sairia as 6:40 AM, mas aparentemente nada acontece na hora no Camboja (parece um país um conheço…). Muita paciência, muita meditação, muita prática de “Ommmmmmm”, porque só Jesus na causa para não deixar o stress tomar conta.

Na estação de ônibus, uma bagunça generalizada, aumentada pelas dezenas de vendedores que tentam sua sorte em te oferecer de tudo, de sanduíche e bebidas, a táxis e tuk tuks, sem esquecer do famoso e constante “Lady, lady, buy something?”.

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Andar de ônibus foi literalmente “muita viagem”…

Na metade do caminho nosso ônibus quebrou, e lá fomos todos nós para a beira da estrada. 15 minutos depois, pane sob controle, voltamos para o ônibus e seguimos viagem.

Já mais de 1 hora e meia atrasados, paramos novamente. Desta, acredite se quiser, mas havia acabado a gasolina do ônibus!!! Como uma empresa deixa isso acontecer em uma viagem que deveria durar apenas 5 horas eu realmente não entendo. Coisas do Camboja. Mais meia hora sentados na beira da estrada empoeirada… Relaxa, abre um livro e curte a paisagem! De preferência com um bom protetor solar no rosto para não tostar no calor do Camboja!

Quando finalmente chegamos a estação final em Kampong Cham, peguei um tuk tuk que me levou direto para minha homestay, há cerca de 15 minutos da cidade. O lugar, Rana Honestay, pertence a uma família composta pelo pai Don (norte-americano), a mãe Kim (cambojana) e dois filhos, menina Ná e o menino Rá.

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É tudo muito simples, mas uma viagem de auto-conhecimento.

A casa é extremamente simples, sem energia elétrica, e, consequentemente, sem água quente, porém item totalmente desnecessário nesta época do ano, acredite! Tudo feito na base da lanterna e a luz de velas quando começa a escurecer, inclusive o preparo do jantar.

Antes do jantar, a avó cambojana das crianças veio conversar com a gente. Uma senhora de 63 anos que aparentava 80, mas com um sorriso sincero e sofrido no rosto. Ela sobreviveu ao brutal regime de Pol Pot, um ditador que ficou no poder de 1975-1979 e liderou o maior genocídio da história do país, matando cerca de 1.5 milhão de pessoas (de uma população total de 8 milhões).

Pra mim foi um momento único poder ouvir as histórias daquela senhora. Me fez repensar milhares de coisas, e dar valor, ainda mais, a minha vida em um país sem guerras (Brasil).

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A “grande família” versão Camboja!

Kampong Cham, um roteiro diferente no Camboja

criancas-no-cambodjaNo dia seguinte, fizemos um passeio pela região. Nada de pontos turísticos, lojas de souvenirs ou restaurantes badalados.

Com as cabeças cobertas por echarpes quadriculadas para proteger do sol e da poeira, visitamos as vilas ao redor e os campos de arroz, e mesmo sendo domingo, havia muita gente trabalhando, incluindo adultos e crianças.

Kim explicou que algumas famílias trabalhavam colhendo arroz para empresas, enquanto outras, sem a mesma sorte de ter um emprego, tentavam colher restos de arroz para consumo próprio.

– O que fazer no Camboja?

– Templo de Angkor, no Camboja

onde-ficar-asiaVisitei também uma vila onde produziam açúcar de palma, e uma outra área onde era produzido borracha. Visitamos um templo, e o mesmo parecia estar se preparando para alguma festa, e o povo cambojano, quando não está tentando te vender algo, é extremamente simpático.

Um grupo de senhoras bombardeou a Kim com perguntas para mim sobre o Brasil! As senhorinhas não conseguiam acreditar que eu, uma mulher, estava viajando sozinha.

Uma delas disse que eu era uma mulher de muita sorte, pois as mulheres no Camboja não têm as mesmas oportunidades. Chegaram a me perguntaram como a gente se locomovia na cidade de São Paulo, e se eu usava bicicleta para ir para o trabalho…. Imagina só? Tentei explicar sobre o metrô, mas nenhuma jamais havia sequer uma ideia de como seria um…

Kampong Cham é uma região rural e extremamente simples, onde a pobreza está em cada lugar que se olha. Não estou falando da pobreza de não poder comprar tudo o que se deseja, esbanjar em uma compra de mês, ou não ter dinheiro para alimentar a família com carne todos os dias, e menos ainda de não ter dinheiro para poder trocar de carro, mas sim daquela pobreza que a grande maioria de nós sequer imagina existir.

Para aqueles que desejam realmente conhecer a cultura deste povo fascinante um pouco mais a fundo, fica a minha dica e recomendação em passar alguns dias em uma homestay.

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Pela Kim e pelas crianças a experiência foi muito válida, mas vá de coração aberto, disposto a praticar a meditação que você aprendeu na Tailândia, porque o pai das crianças, o Don, com o perdão da palavra, não passa de um velho rabugento, chato e folgado, que deixa tudo nas costas da esposa, das tarefas domésticas, aos passeios e o cuidado das crianças, enquanto senta a bunda na varanda e fuma seus cigarros. Mas ainda assim recomendo muito!

E se você me permitir apenas um conselho, não olhe para as pessoas locais com sentimento de pena, mas sim com estima e simpatia por tudo o que já passaram, principalmente durante o regime Khmer Vermelho (Khmer Ruge) de Pol Pot.

Quando visitei o parque arqueológico de Angkor e seus templos monumentais, pude conhecer um pouco mais do passado do Camboja, e minha estadia em Kampong Cham só veio aumentar este conhecimento e ver como, ainda nos dias de hoje, muitas famílias apenas sobrevivem no país.

Rana Homestay – Onde ficar no Camboja?

Fui e recomendo ficar dois dias em Rana Homestay. Paguei U$25 por pessoa, por noite na hospedagem que inclui 3 refeições caseiras por dia, café, garrafa de água e passeio. A homestay aceita reservas somente de duas pessoas por vez, e para duas diárias (mínimo/máximo).

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Comida simples, mas tipicamente do Camboja e uma delícia!

Dica sobre a homestay: apesar de ser uma experiência incrível e única, com valor redobrado pela atenção e carisma da Kim e das crianças, olho vivo na hora de lidar com dinheiro com o Don, porque ele tentou tirar uma bela vantagem na hora da conversão de moedas (mas não conseguiu!).

About The Author

Sani Hadek já morou em 4 países e ama viajar desde criança. Em 2004 deixou tudo para trás e aventurou-se no mundo atrás de respostas para suas tantas perguntas. Desde então, roda o mundo com sua mochila suja e não desgruda da câmera fotográfica. Escreve sobre suas aventuras no Muita Viagem e sobre vida saudável em Raw4Happiness.

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