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A feira de Otavalo, Equador, e o lago no vulcão Cuicocha

Gustavo Villas Boas – Mochilão pela América do Sul – Equador

Com uma das maiores feiras indígenas da América do Sul, um dos maiores mercados a céu aberto da Terra e a tradição que é mantida mesmo entre turistas de todas as partes do mundo, Otavalo, uma pequena cidade a duas horas de Quito, é um ponto que vale a pena marcar em um roteiro de mochilão pelo Equador.

A feira indígena de Otavalo é uma das maiores do mundo

A feira indígena de Otavalo é uma das maiores do mundo

– O que fazer em Quito, Equador – Dicas de viagens

A feira de Otavalo está entre os principais programas de um roteiro de mochilão pela América do Sul do guia Lonely Planet de 2014. E foi uma das coisas mais impressionantes que eu vi nos meus 10 primeiros dias mochilando pelo Equador.

Existem muitas atrações turísticas, culturais, arqueológicas etc. para o mochileiro que quer conhecer Otavalo, e elas são baratas.

Aqui conto sobre o que eu fiz em dois dias na cidade, o básico: conhecer o lago Cuicocha e a feira de Otavalo, que acontece aos sábados.

Cheguei nessa bela cidade entre vulcões na sexta-feira cedo, depois de duas horas de ônibus a partir do Terminal Carcelen, no norte de Quito.

Como ir de Otavalo de Quito

O ônibus de Quito até Otavalo custa US$ 2,20 e para bastante durante a viagem, em um sobe e desce constante de passageiros.

Estava bem cansado, o dia estava cheio de nuvens, eu não tinha hotel… Mas depois de comer pollo com papas no terminal de Otavalo, ganhei forças e saí a caça de onde me hospedar.

Apesar da forte tradição indígena na cidade –algumas placas tem versão em quechua–, Otavalo é uma cidade muito turística, com viajantes e mochileiros do mundo inteiro, e também procurada por pessoas do Equador que vem aqui fazer compras.

Foi fácil encontrar um excelente hotel por apenas US$ 12 a noite. Um quarto sozinho, com banheiro quente, TV a cabo, wi-fi! Um sonho depois depois de passar uma semana em um hostel movimentadíssimo em Quito.

Mas Otavalo tem vários hotéis e hostals baratos. Encontre hospedagem barata em Otavalo pelo Booking (e ajude o blog Muita Viagem, sem gastar nada a mais…)

Dispensei o café da manhã (o preço iria a US$ 15, mas por US$ 3 você consegue fazer duas boas refeições na rua) e já corri para o terminal para ver como chegar no lago Cuicochoa.

O que fazer em Otavalo – Lago Cuicochoa

Queria muito conhecer o lago Cuicochoa, um esplêndido reservatório de águas verde-esmeralda transparentes na cratera de um vulcão ativo. Pelas fotos, dá para ver que o cenário é incrível, não é?

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No terminal de Otavalo, fui informado: para chegar em Cuicochoa, é preciso pegar um ônibus urbano (US$ 0,25) até Quiroga, um povoado pertinho, e depois um táxi ou caminhonete até o lago, que fica a 3.300 metros de altitude.

O táxi até o Cuicocha custa US$ 5 e mesmo sozinho, encarei pagar o transporte, que leva até a hospedagem à beira do lago (cogitei ficar um dia neste lindo lugar, mas desisti).

Além de alguns artesanatos, o lugar tem um restaurante e cafeteria bem chiques, mas não experimentei nada (minha viagem é econômica fazer o quê…).

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A vista do lago é sensacional, mas vale a pena fazer o passeio de barco (US$ 3,25), que passa entre as ilhas formadas pela erupção vulcânica.

O passeio de barco nas águas do Cuicochoa dura 20 minutos e, além das lindas fotos, dá para saber mais curiosidades dessa impressionante formação geológica.

Feira de Otavalo e o mercado de animais

Dormi como uma pedra (vulcânica) nesta sexta-feira para acordar bem cedo para a grande atração de Otavalo: a feira de artesanato –e de tudo– que acontece aos sábados.

Acordei antes do sol nascer e pude ver, da janela do meu hotel baratinho em Otavalo, a montagem da feira.

Aos sábados, a feira toma a cidade e se torna um dos maiores mercados a céu aberto do mundo.

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Quem quiser fugir do furdúncio, deve ir às quartas a Otavalo, quando as barraquinhas se concentram na Plaza dos Ponchos.

Depois de tomar um café da manhã muito reforçado na Plaza dos Ponchos, o centro nervoso da feirinha, corri para o mercado de animais. Voltaria depois para a feira, mas o mercado de animais de Otavalo só acontece aos sábados de manhã.

Este foi meu café da manhã: cerdo com mote (porco com uma semente que parece grão de bico)

Este foi meu café da manhã: cerdo com mote (porco com uma semente que parece grão de bico)

Da Plaza dos Ponchos, demora cerca de 15 minutos para ir até a feira de animais –claro que, no final das contas, o passeio é mais demorado, já que a cidadezinha toda ganha barraquinhas de artesanatos, frutas, comidas, roupas e é impossível não parar.

Antes da entrada da feira, um amontoado de gente com sacos que se mexem se concentra. São mulheres e algumas crianças negocioando galinhas e porquinhos da índia (uma iguaria no Equador).

É uma pedaço bem menos hostil da feira de animais. Entre as cercas e pisando o chão de barro onde fica o gado, não dá para não ficar tenso.

Você anda entre muitos bois, alguns definitivamente bravos, agistados. Mas valeu a pena, inclusive com alguns momentos de humor e terror, como quando uma vaca ficava mais arisca e as crianças jogavam coisas nela. Perguntei-me qual era a intenção: assustar as vacas ou os mochileiros que andavam por ali?

Depois de caminhar entre os chifrudos, voltei às ruas de Otavalo.

Na feira indígena tem de tudo: ponchos, tapeçarias, muitas bananas (o Equador é o maior produtor mundial, não canso de repetir), artesanato, frutas, verduras e milho, como reza a tradição e cultura andina.

Tudo é muito barato, e ainda é possível pechinchar. Conheci uma mochileira que trocou a capinha do iPhone por um legítimo poncho Otavalo!

Vi a montagem da feira e a desmontagem. Sabe o que impressionou? A limpeza das ruas. Sempre tive a sorte de frequentar feiras livres no Brasil e nunca tinha visto um depois tão limpinho.

Otavalo é uma cidade turística importante do Equador. Além dos mochileiros, os equatorianos visitam a cidade para passear ou fazer compras.

Nas poucas ruas que formam o centro da cidade, lojas modernas, até mesmo de grife, se misturam aos restaurantes locais e lojinhas de bugigangas, lan houses, bancos e até mesmo locadora de DVDs piratas.

Apesar de pequena – Otavalo tem 50 mil habitantes–, tem ótima estrutura turística.

Cheguei na sexta e achei mais de uma opção de hotel barato para me hospedar. Fiquei no Hostal Sucre, na rua Sucre, 493. Ótimo custo-benefício para se hospedar em Otavalo.

A rua Sucre é uma das principais da cidade, com tudo o que um turista precisa, de restaurantes a hotéis e hostals.

A presença indígena em Otavalo é marcante. A maioria absoluta das pessoas tem raízes indígenas e se vestem de forma característica: as mulheres com saias e mangas brancas bufantes cobertas por um pano, os homens de calça e o poncho negro cobrindo o torso. Eles (e elas) têm cabelos longuíssimos, quase sempre com trança.

A Cris Marques, do ótimo blog de viagens Dentro do Mochilão, ficou 10 dias em Otavalo e fala bastante da cultura local. Ela viveu com um xamã nessa bela cidade do Equador.

Os otavalos (assim as pessoas desse grupo indígena andino se denominam) estão bem integrados aos turistas que andam pelas ruas. Muitos tocam negócios voltados aos viajantes. No sábado à noite, os adolescentes tomavam as esquinas, como em qualquer cidade brasileira. Ainda assim, muitas tradições são mantidas.

Além de restaurantes locais bons e baratinhos (um almuerzo, com sopa de entrada, suco e plato fuerte sai por em torno de US$ 2,5), há muitas opções mais chiquetosas para comer, claramente focando em turistas.

Comi só uma vez fora das barraquinhas e de um restaurante local –sou louco por comida de rua, tinha que aproveitar aquela festa de barraquinhas.

No sábado à noite, fui na charmosa La Taberna Bar & Grill, um bar estilo pub (andino) com muitas opções de drinques e comida. Era bem pertinho do meu hostal em Otavalo, descobri sem querer.

Naquela noite, fugi do local: ouvindo rock, comi hamburguer caseiro e tomei duas cervejas grandes. A conta? Deu US$ 8.

Apesar de muito frequentada por mochileiros, a noite em Otavalo não é das mais agitadas, mas existem alguns bares com música folclórica ao vivo.

Até pensei em ir, mas tinha acordado lá pelas 5h e, também, às 5h, iria acordar para voltar de Otavalo para Mindo e seguir no meu roteiro de mochilão pela América do Sul. Se você já foi, me conta!

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

2 Comentários

  1. ponto alto: Dormi como uma pedra (vulcânica) nesta sexta-feira
    achei incrível essas tapeçarias!!

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