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Na trilha do Vale das Ostras, várias piscinas de água esmeralda encantam
Na trilha do Vale das Ostras, várias piscinas de água esmeralda encantam

Petar e as cachoeiras e cavernas cercadas por Mata Atlântica –e perto de SP

Por Gustavo Villas Boas

A região do Alto Ribeira, no interior do estado de São Paulo e perto do Paraná, é um dos lugares mais legais do Brasil para fazer ecoturismo em uma viagem de final de semana.

Famosa por abrigar o Petar, Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, a região é surpreendente, com diversas atrações naturais: rios, cachoeiras e cavernas.

A Caverna do Diabo, fora da área do Petar, é a mais famosa da região

A Caverna do Diabo, fora da área do Petar, é a mais famosa da região

É lugar isolado, em meio a maior reserva de Mata Altântica do mundo, com cavernas pouco exploradas pelo homem e algumas das cachoeiras mais bonitas do Brasil. Dá para esquecer que você está perto de perto de São Paulo e Curitiba, entre outros centros urbanos. Veja como chegar no Petar.

Não por acaso, as reservas de Mata Atlântica do Petar e dessa região entre o Paraná e São Paulo são consideradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

A sensação de estar deslocado da vida na cidade grande em meio a floresta é ampliada pelo colorido humano das comunidades tradicionais que vivem na região, em especial os povoados herdeiros dos quilombos que ali se instalaram durante o período de escravidão no Brasil.

O Petar e os arredores, como o Parque Estadual da Caverna do Diabo, onde fica a maior caverna de São Paulo e mais famosa caverna brasileira, são áreas que merecem ser exploradas em câmera lenta, mas um roteiro de dois dias, como um final de semana, dá uma ideia do que a região oferece.

A Cachoeira do Meu Deus é apontada como a mais bonita cachoeira de SP

A Cachoeira do Meu Deus é apontada como a mais bonita cachoeira de SP

ONDE FICAR NO PETAR

As principais cidades para receber os turistas no Petar são Apiaí e Iporanga, cidades em que o parque se localiza, além de Eldorado.

Para quem vai fazer uma viagem curta, o melhor é ficar em Iporanga, que tem várias pousadas em meio à natureza e tem acesso razoavelmente fácil para os principais núcleos do Petar e para a Caverna do Diabo.

Quando fui para o Petar, fiquei na Pousada das Cavernas, uma pousada charmosa, com chalés por preços baratos e uma bonita lagoa artificial que serve como piscina.

O que fazer no Petar e região

A bela região foi protegida por comunidades tradicionais

A bela região foi protegida por comunidades tradicionais

Em um roteiro de dois dias, dá para conhecer bem o Petar e a região, visitando as principais cavernas e fazendo uma das trilhas mais legais de São Paulo, em meio à Mata Atlântica, que termina na Cachoeira de Meu Deus, uma queda d’água de 55 metros que, não por acaso, sempre está na lista de cachoeiras mais bonitas do Brasil.

Esse roteiro de um final de semana no Petar é para quem tem pouco tempo e quer conhecer as principais atrações turísticas do Alto Ribeira, mas quem tem tempo deve pensar em dar uma esticadinha na estadia.

O Petar é separado em três principais núcleos turísticos: Núcleo Caboclos, o mais isolado e rústico, Núcleo Ouro Grosso e Núcleo Santana.

Para visitar qualquer um dos núcleos do Petar, é preciso estar acompanhado de um guia.

Sugerimos entrar em contato com antecedência com uma das agências de turismo do Petar para garantir um guia e acertar o roteiro.

Quando fui para o Petar, contei com os serviços da Planeta Trilha e tive uma boa experiência. A agência cumpriu com o combinado, ofereceu equipamento em boas condições, o guia tinha conhecimento da região e era cuidadoso. Eu e minha companheira na viagem entramos em um grupo de outras seis pessoas e o preço do pacote foi baratinho.

O que fazer no Petar – Núcleo Santana

A boca da caverna do Morro Preto, no núcleo Santana do Petar

A boca da caverna do Morro Preto, no núcleo Santana do Petar

Se você vai conhecer apenas um dos núcleos do Petar, a minha sugestão é explorar o núcleo Santana.

A caverna de Santana, que batiza o núcleo, é a maior caverna entre as mais de 200 cavernas do Petar. Conta com imensos salões decorados pelas formações calcárias naturais, os espeleotemas.

Pela apresentação da caverna, dá para ter uma boa ideia de como a região de centenas de cavernas em São Paulo se formou ao longo de milhões de anos, tanto do ponto de vista geral como no detalhe, nas belas estruturas que compõem Santana.

Achei a Caverna do Morro Preto, também neste núcleo, a caverna mais bonita do Petar. A visão da boca da caverna quando você está do lado de dentro é impressionante.

Além dessas cavernas, o núcleo Santana tem bonitos caminhos à beira do rio, uma piscina natural e cachoeiras para banho.

Dá para fazer tudo isso em um dia nesse núcleo do Petar. O esforço é de moderado, mas tem vários momentos para dar uma descansadinha.

Cachoeira do Meu Deus e Caverna do Diabo

Para quem vai ficar dois dias na região, a sugestão é sair do parque. Fora da área oficial do Petar fica a caverna mais famosa do Brasil, a Caverna do Diabo, e também a cachoeira mais bonita de São Paulo, a Cachoeira do Meu Deus.

As duas atrações ficam na cidade de Eldorado e podem ser visitadas do mesmo dia.

Minha sugestão de roteiro é conhecer a Cachoeira do Meu Deus pela manhã e, na sequência, a Caverna do Diabo.

TRILHA PARA A CACHOEIRA

Uma das cachoeiras na trilha no Vale das Ostras

Uma das cachoeiras na trilha no Vale das Ostras

A cachoeira fica no território do quilombo Sapoti, uma das comunidades tradicionais da região.

Dá para chegar depois de percorrer uma das trilhas mais bonitas que já fiz, de cerca de 2 km, acompanhando o Vale das Ostras, em meio a Mata Atlântica. A trilha cruza mais de 10 cachoeiras menores.

A trilha até a cachoeira é de dificuldade média para difícil, bem divertida e variada. Tem que cruzar o rio algumas vezes, tem algumas subidinhas e descidas que precisam até de corda para ajudar, mas vale a pena.

A trilha tem trechos de maior dificuldade

A trilha tem trechos de maior dificuldade

As cachoeiras nessa trilha na região mais isolada do interior paulista formam impressionantes piscinas naturais de águas verde-esmeralda, troncos caídos viram vasos de bromélias e samambaias e até as pedras que canalizam o rio parecem esculpidas para formar um cenário único.

Para fazer a trilha, é preciso um guia. Aos finais de semana, na entrada da área que leva à cachoeira, é possível encontrar facilmente um guia da própria comunidade por em torno de 100 reais para um grupo pequeno.

Para ir apenas na cachoeira, pelo caminho mais curto, não é necessário guia, mas é preciso pagar 20 reais para a comunidade.

CAVERNA DO DIABO

A maior caverna de São Paulo é uma das atrações turísticas mais famosas da região do Petar. Estalactites, estalagmites e diversas formações rochosas formam um jardim de pedra bonito dentro da caverna, que é imensa.

A caverna fica no Parque Estadual da Caverna do Diabo e dá para chegar de carro quase na boca da caverna. A trilha entre o estacionamento do centro de visitantes, de meio quilômetro, é fácil de fazer.

O estacionamento para quem vai de carro para a Caverna do Diabo é gratuito. O centro de visitantes conta com lojinha, restaurante e banheiros, tudo bem arrumadinho.

Para entrar no parque da Caverna do Diabo, é preciso pagar um ingresso de 12 reais e para visitar a caverna, mais 11 reais por pessoa para um monitor ambiental do parque.

A Caverna do Diabo tem iluminação artificial e passarelas para os turistas

A Caverna do Diabo tem iluminação artificial e passarelas para os turistas

As visitas à Caverna do Diabo são guiadas, duram cerca de 1 hora e os grupos saem das 8 da manhã às 17 horas de terça a domingo durante todo o ano. Na alta temporada, há horários para entrar na Caverna do Diabo também às segundas.

A Caverna do Diabo tem boa estrutura turística. A boca, por exemplo, conta com uma escadinha ao lado do rio das Ostras, que entra na caverna.

Nos 700 metros abertos à visitação turística, a Caverna do Diabo conta com plataformas e passarelas, escadas e iluminação artificial em seus amplos salões. É muito mais fácil de andar, em geral, do que a maior parte das cavernas do Petar que podem receber turistas.

Além da Caverna do Diabo, o parque conta com outras trilhas, que levam a cachoeiras e ao mirante do Governador. A trilha até o mirante do Governador é longa, dura em torno de 2 horas e meia, mas o local oferece uma recompensadora vista panorâmica do Vale do Ribeira.

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

2 Comentários

  1. Olá. Fiquei encantada com a primeira foto do post. Maravilhada rs
    É dessa cor mesmo ou o efeito da luz intensificou a tonalidade da água?
    E fica no caminho para a cachoeira do Meu Deus?

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