Início / Viajei (relatos) / Mapa Mundi / O que fazer em três dias no Porto
Piscinas das Marés, em Matosinhos - foto: Marcos G. Ferraz

O que fazer em três dias no Porto

Marcos Grinspum Ferraz

Localizado na região litorânea do norte de Portugal, o Porto é famoso mundo afora por seus vinhos típicos e pela bela paisagem que apresenta quando visto através do Rio Douro – com seus prédios antigos e coloridos que sobem morro adentro. Mas a cidade é muito mais que isso. O Porto é um polo cultural, arquitetônico, gastronômico e, claro, enológico, que vai bastante além dos lugares-comuns.

 

E assim como boa parte de Portugal, com o fim da crise econômica e o boom turístico dos últimos anos a cidade parece ganhar cada vez mais vida e opções de coisas a fazer. Se o número de turistas por vezes parece excessivo, há sempre alternativas.

– Porto: Encontre hotéis e pousadas em Portugal

Dito isso, propomos aqui um roteiro para quem quer aproveitar três dias no Porto. As sugestões servem igualmente para quem quer passar apenas um ou mais de dez dias na cidade.

Sainba o que ver e fazer em Porto em três dias

O Porto visto do outro lado do Rio Douro – foto: Marcos G. Ferraz

Primeiro dia – o centro histórico

– O que fazer em Portugal

Vale começar a viagem andando pelo centro, para sentir o clima da cidade, o ar fresco (o Porto é mais frio que Lisboa, fique atento à previsão do tempo), ver o comércio, a cor dos azulejos e o rio Douro.

Vamos listar aqui uma série de lugares interessantes para conhecer na região central. Parece muita coisa para um dia só, mas a cidade é pequena. Há sempre, também, a opção de pegar um ônibus (chamados autocarros em Portugal) ou o metrô. A cidade é muito bem servida de transporte público.

CAIS DA RIBEIRA

Saindo do Cais da Ribeira, onde pode-se ver os barcos no rio, as gaivotas voando e uma bela vista de Vila Nova de Gaia – cidade que está do outro lado do Douro e abriga as caves de vinho do Porto –, perca-se pelas pequenas ruas e vielas.

O centro histórico da cidade foi classificado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1996, tanto pelo valor dos edifícios que abriga quanto pelo espaço urbano que mantém traçados da época medieval.

Repleto de praças, igrejas, museus, lojinhas e restaurantes, o centro reúne construções góticas, barrocas, neoclássicas ou art noveau, numa sobreposição de tempos históricos que se emaranham com naturalidade na paisagem.

Entre na impressionante Igreja de Santa Clara e nas igrejas (vizinhas) dos Carmelitas e do Carmo. Há ainda muitas outras, às vezes mais bonitas vistas de fora, com suas fachadas de azulejo que fazem da cidade um verdadeiro museu ao ar livre. Não deixe de ver as igrejas de Santo Ildefonso e a Capela das Almas (Santa Catarina).

 

No roteiro por Porto, conheça igrejas e outros lugares históricos

A Igreja do Carmo é uma das atrações para ver no Porto, Portugal – foto: Marcos G. Ferraz

Na igreja da Torre dos Clérigos é imperdível ouvir o concerto de órgão de tubos que acontece diariamente às 12h. Mal se enxerga o músico que está tocando, o que talvez torne a experiência ainda mais interessante, com a música que parece “brotar” de algum lugar do espaço ao redor.

Ali ao lado está a Livraria Lello, que apesar de estar sempre lotada de turistas e cobrar um pequeno valor de entrada (algo estranho para uma livraria, mas que ao menos pode ser descontado na compra de algum livro) merece ser visitada. Construída em 1906, parece fazer parte de um “universo fantástico”, com sua fachada e suas paredes de arquitetura neogótica, seus belos vitrais no teto e uma escada absolutamente ímpar.

A rua de Santa Catarina é uma das mais importantes áreas comerciais da cidade, com lojas de todos os tipos – roupas, sapatos, vinhos, comidas típicas –, cafés e restaurantes. Vale a caminhada.

Se bater a fome, uma boa opção na região é almoçar na tasca O Buraco, com comidas tradicionais portuguesas boas e baratas – peixes frescos ou carnes de porco grelhados, arroz de pato, vitela assada, cozido à portuguesa e muitos outros.

MERCADO DO BOLHÃO

De lá vá até o Mercado do Bolhão, um dos mais tradicionais mercados municipais da cidade, que deve passar por uma grande obra de revitalização em 2018. Tome seu tempo observando as barraquinhas – de frutas, legumes, peixes, carnes e vinhos – e, não menos interessante, a vida do mercado.

Ali ao lado está a Manteigaria, que serve um dos melhores pastéis de nata da cidade, com fornadas quentinhas durante todo o dia. Uma bela sobremesa.

No roteiro por Porto, veja um típico mercado municipal de Portugal

O Mercado do Bolhão, que será revitalizado em 2018 foto: Olívia Pedroso

Não muito longe encontra-se a imponente Avenida dos Aliados, com belos prédios de granito e um vasto boulevard, local onde os portuenses se reúnem para grandes celebrações, manifestações e outros eventos públicos. A avenida, que se estende até a Praça da Liberdade, foi aberta em 1916 para ser um “símbolo de poder” da cidade, abrigando as sedes de bancos, dos jornais e das associações políticas.

Após uma caminhada pela região, ao fim de um dia intenso, coma uma das mais tradicionais e saborosas refeições do Porto. O sanduíche de pernil na Casa Guedes, um pequeno restaurante que forma filas na calçada dependendo do horário, é um patrimônio da cidade. Não deixe de comer o sandes de pernil com queijo da serra, acompanhado de uma cerveja pilsen ou escura.

Se preferir, experimente a francesinha, uma famosa criação gastronômica do Porto que pode ser encontrada em todos os cantos da cidade. A francesinha leva pão, presunto, carne, linguiça, queijo e um molho por cima de tudo, e é servida acompanhada de batatas fritas. Pode ainda vir com um ovo frito. Os portuenses que me perdoem, mas é uma espécie de junk food local. Dizem que a do Kardoso é uma das melhores.

ONDE IR À NOITE NO PORTO

Por fim, em frente à Casa Guedes está a agradável Praça dos Poveiros, com seus barzinhos e restaurantes, lugar ideal para se tomar uma cerveja, um copo de vinho ou de vinho do Porto e vivenciar um pouco da noite portuense.

Em outra região do centro, nas pequenas ruas Galeria de Paris e Cândido dos Reis, o ambiente é mais agitado e a noite começa mais tarde. Há bares e restaurantes quase sempre cheios –atualmente com muitos turistas –, além de baladas que não cobram entrada, só o consumo. Entre nas que quiser e escolha a que mais te apetece.

Segundo dia – Porto contemporâneo

O Porto é antigo, cheio de histórias passadas, mas não parou no tempo. Pelo contrário, a cidade é um dos mais relevantes polos da arte e arquitetura contemporâneas de Portugal, de grande relevância em toda a Europa.

A proposta para o segundo dia da viagem, portanto, é conhecer este outro lado da cidade. Trata-se de um passeio que parte do centro até o município de Matosinhos (dentro da área metropolitana do Porto), com locais mais tranquilos e “silenciosos” após um dia no movimentado centro da cidade.

Inclua passeios em museus no roteiro de 3 dias no Porto

Ovos que integram a mostra da Galeria da Biodiversidade – foto: Marcos G. Ferraz

Os Jardins do Palácio de Cristal, com belo paisagismo, plantas variadas, quiosques, pequenos lagos e miradouros, são uma boa opção para começar o dia.

De lá, pegue algum transporte para a recém-inaugurada e inovadora Galeria da Biodiversidade, um museu ainda pouco conhecido, mas imperdível, que cruza biologia e história natural e, com o uso de variadas tecnologias, propõe uma experiência de imersão museológica.

– Onde ficar em Paris

A próxima parada, a Fundação de Serralves, é um dos mais relevantes museus do país, projetado pelo mais importante arquiteto português vivo, Álvaro Siza.

Com uma programação focada em arte, fotografia e arquitetura modernas e contemporâneas, o espaço é visita obrigatória tanto pelas mostras que apresenta quanto pela arquitetura do prédio e por seus jardins. A fundação organiza também concertos, “viradas culturais” e outras atividades ao longo de todo o ano. Fique ligado na programação.

A poucos quilômetros dali, já com vista para o mar (não mais para o Douro), o restaurante Ichiban é um dos melhores lugares para comer comida japonesa na cidade, quiçá no país.

Não à toa: o dono do estabelecimento, Masaki Onishi, é um renomado chef de Quioto que chegou a Portugal convidado pelo embaixador japonês no país para ser seu cozinheiro oficial. Trabalhou três anos para o diplomata antes de abrir seu restaurante. O preço é mais salgado do que o de uma tasca, mas na hora do almoço os menus são acessíveis e primorosos.

MATOSINHOS

Durante a tarde, a sequência do percurso é na cidade de Matosinhos, a não mais de 15 minutos do Ichiban.

Apesar de pequena, Matosinhos – onde trabalham os dois principais arquitetos do país (Siza e Eduardo Souto Moura) e onde está localizada a Casa de Arquitetura – é um dos grandes polos da arquitetura mundial.

As Piscinas das Marés, projetadas por Siza nos anos 1960, formam uma das mais fascinantes vistas litorâneas da cidade. Mesmo no inverno, quando fechadas para banhistas, valem uma visita para admirar a paisagem.

As Piscinas das Marés é um dos melhores lugares para ver no Porto

Piscinas das Marés, em Matosinhos – foto: Marcos G. Ferraz

Perto dali, também à beira mar, outro projeto marcante de Siza é a Casa de Chá da Boa Nova. A casa abriga hoje o restaurante do renomado chef Rui Paula (ótimo e caro) e abre à visitação em raras ocasiões. Ainda assim, a vista externa da construção, o miradouro vizinho e a Capela da Boa Nova fazem com que o passeio não seja uma perda de tempo. Longe disso.

A partir de novembro de 2017, Matosinhos ganha ainda mais um importante espaço cultural: a nova – e grandiosa – sede da Casa de Arquitetura, local que abrigará exposições, promoverá debates e reunirá um importante acervo de arquitetura.

O QUE FAZER À NOITE

– O que fazer à noite em Madrid, Espanha

Depois de voltar ao centro do Porto (há metrô que vai direto), aproveite a noite no Maus Hábitos, um restaurante e espaço cultural situado no último andar de um pequeno prédio e que costuma organizar pequenos shows e festas.

Para assistir espetáculos ao vivo, fique atento também à programação da Casa da Música, sediada em um grandioso (e um tanto controverso) edifício projetado pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas, e do Coliseu do Porto, tradicional espaço para grandes shows da cidade.

Terceiro dia – Vinho do Porto

Chegamos lá! O dia do vinho do Porto. Mais doce e licoroso, fortificado e de maior gradação alcóolica (por volta de 20%) do que o vinho “normal”, é uma bebida surgida no século XVII, produzida com uvas da região do Douro.

A história do vinho do Porto está estreitamente ligada à da relação comercial entre Portugal e Inglaterra. Daí os nomes de algumas das principais marcas: Taylor’s, Sandeman, Dow’s, Grahams, Offley, Churchill’s e Warre’s. Há também holandesas e alemãs, como Kopke e Niepoort, e, claro, as portuguesas Ferreira, Ramos Pinto, Quinta do Noval, Porto Cruz, Real Companhia Velha, entre outras.

Para ser considerado vinho do Porto, além de passar por um controle de qualidade a bebida deve ser produzida com as uvas colhidas na Região Demarcada do Douro, delimitada por Marquês de Pombal ainda no século XVIII.

Mas paremos por aqui, já que uma aula mais detalhada e precisa o visitante poderá obter nos locais que propomos no roteiro a seguir.

O Armazém, com antiquários, bar e mostras -foto: Marcos G. Ferraz

O Armazém, com antiquários, bar e mostras -foto: Marcos G. Ferraz

Comece o dia com uma visita rápida ao Instituto do Vinho do Porto, que abriga um pequeno museu sobre o assunto. A caminho do Museu do Vinho do Porto, ande pela agradável Rua Nova da Alfandega, na beira do rio, passando pelo Armazém, galpão que abriga antiquários, um bar e um pequeno espaço expositivo.

Não muito longe dali, O Caraças é uma ótima opção de restaurante para almoçar.

Apesar do nome da bebida, todas as caves de vinho do Porto estão sediadas em Vila Nova de Gaia, cidade que está logo do outro lado do Douro e faz parte da zona metropolitana do Porto.

Atravesse a pé pela parte baixa da Ponte Luís I, uma bela construção de 1881, e tome seu tempo para admirar a vista ao longo do trajeto. Em Gaia, escolha uma das caves para fazer uma visita guiada. Difícil dizer qual a melhor, mas um bom critério pode ser escolher uma das companhias mais antigas.

No roteiro no Porto, não deixe de provar um dos símbolos de Portugal, o vinho do Porto

Cave da Taylor’s, em Gaia – foto: Olívia Pedroso

TELEFÉRICO DE GAIA E MOSTEIRO

Após a visita, pegue o teleférico de Gaia (pague apenas o bilhete de ida) para chegar a parte alta da cidade e visitar o Mosteiro da Serra do Pilar, com uma das melhores vistas do Porto. Construído no século XVI, o edifício abriga um agradável claustro e uma imponente igreja e é considerado um dos melhores exemplares da arquitetura clássica europeia.

A travessia de volta para o Porto pode ser feita pela parte alta da ponte, com mais uma vista estonteante.

No fim do dia, escolha algum lugar para comer ou ver um show – os alternativos Bar Espiga e Rosa Imunda são opções – ou simplesmente passeie pelo Cais da Ribeira e escolha um lugar agradável para agora, com mais calma, degustar alguns copos de vinho do Porto. Missão cumprida.

Muita Viagem

Blog com dicas e histórias de viagens.

É feito por Gustavo, jornalista, Danilo, comissário, e amigos, que vivem viajando pelo Brasil e no mundo.

Tire a sua dúvida, comente. Participe!

O e-mail não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*