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Onde Quito toca o céu: o teleférico e o vulcão Pichincha

Gustavo Villas Boas – Mochilão pela América do Sul – Equador

Sem oxigênio, sem conseguir pensar direto e com as pernas bambas, cheguei no topo do Rucu Pichincha, o segundo pico mais alto do Pichincha, a montanha vulcânica sobre a qual Quito, capital do Equador, se esparrama. Rucu significa velho em quechua, o idioma falado por diversos povos andinos.

– O que fazer em Quito, Equador – Dicas de viagens baratas

A trilha para o Rucu Pichincha era um dos desafios que mais me atiçaram a vontade quando comecei a traçar meu roteiro de viagem de mochila pelo Equador e pela América do Sul.

Não foi fácil chegar aí...

Não foi fácil chegar aí…

A 4.696 metros de altura, seria dolorido para as pernas (são 5 km de trilha, sempre na subida) e para o pulmão.

Era tanta vontade de escalar um vulcão no Andes do Equador que diminui o cigarro, quase (mas só quase) parei, e voltei a correr.

Sem essa preparação de uns três meses antes da viagem de mochilão, não chegaria lá –a trilha é muito exigente.

Por sinal, se você for mochilar pela América do Sul (ou qualquer outro lugar), sugiro estar acostumado a andar mais de 5 km sem reclamar muito depois. E, sinceramente, acho isso pouco. Caminhar pelas cidades e trilhas é uma forma barata e instigante de conhecer um lugar.

O teleférico de Quito

O começo da trilha fica no topo do TelefériQo, uma das atrações mais legais de Quito, que custa US$ 8,50.

De Mariscal, o melhor bairro para ficar em Quito, até o ponto de ônibus gratuito que leva a bilheteria do teleférico de Quito, um táxi custa US$ 5. Não tem ponto de ônibus por perto.

 

A vista de Quito, capital do Equador, na subida do teleférico

A vista de Quito, capital do Equador, na subida do teleférico

O TelefériQo é um dos orgulhos do Equador. A construção a 4 mil metros de altura é um exemplo de engenharia e disputa o título de teleférico mais alto do mundo

O carrinho do teleférico percorre um cabo de 2,2 km e leva os viajantes de 3.100 metros a quase 4.000 metros.

O caminho do teleférico demora 8 minutos, é uma gondôla pequena e quando para no meio do caminho… Nossa, que medo. Mas é normal, ou pelo menos aconteceu com a gente.

Na base do alto, há um restaurante e lanchonete e uma cafeteria, mas os preços são mais caprichados do que na parte de baixo, claro, então sugiro que leve água e um lanche se for fazer a trilha, além de blusa –é bem mais frio lá em cima.

A vista do alto do teleférico de Quito é linda, do começo da trilha é sensacional, do meio da trilha é impressionante e do topo do Rucu Pichincha é mágica.

Digo isso porque muita gente desiste no teleférico, no começo da trilha, no meio da trilha ou até mesmo no final da trilha, quando as coisas começam a ficar difíceis não só pela falta de ar, mas também pelo caminho, que desaparece. É preciso usar a intruição.

No começo, a trilha para o vulcão nos Andes é tranquila, mas falta ar

No começo, a trilha para o vulcão nos Andes é tranquila, mas falta ar

Comecei a aventura com um colega de hostel e, no meio do caminho, um outro viajante juntou-se a nosso pequeno grupo.

Dizem que é perigoso fazer a trilha sozinho, que há risco de roubo, mas acho que é bobagem. O maior risco é passar mal.

De qualquer forma, não aconselho fazer a trilha sozinho por causa da dificuldade. Em vários momentos, tive tonturas e até um pouco de confusão mental.

Preste atenção no clima; às vezes, as nuvens chegavam na gente no caminho ao topo do vulcão

Preste atenção no clima; às vezes, as nuvens chegavam na gente no caminho ao topo do vulcão

No último terço da trilha até o topo do vulcão, meus amigos pararam e eu continuei sozinho, mas rapidamente me juntei a outro viajante, o que foi ótimo. Melhor ainda que era um alemão que falava português absolutamente fluente, então podíamos conversar em português –eu estava tão exausto mentalmente que outro idioma iria ser uma luta inglória.

Em quase toda a trilha, Quito aparece em cenas incríveis

Em quase toda a trilha, Quito aparece em cenas incríveis

Até a última meia hora, a trilha é fácil de perceber, bem marcada no chão de terra. Mas depois, as coisas ficam bem complicadas. Vi várias opções de possíveis caminhos e gente fazendo coisas diferentes da gente –durante todo o trajento, você cruza com outros aventureiros.

No finalzinho, é necessário inclusive escalar, arrastar a bunda nas pedras, pisar aqui e ali, e se eu estivesse sozinho talvez tivesse desistido.

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Até o Rucu Pichincha, demoramos mais ou menos 3 horas e meia –estávamos tão exaustos que esquecemos de olhar o relógio –do companheiro, já que eu estou acostumado a olhar a hora no aparelho de celular, que no mochilão fica no hostel.

A volta é bem mais fácil do ponto de vista pulmonar, mas a inclinação da descida exigiu bastante dos meus joelhos. Foram mais umas duas horas até chegar no teleférico.

Ah, apesar de ser um vulcão ativo e de a trilha levar até o pico mais alto da montanha, não dá para ver a caldeira.

A caldeira fica no Guagua Pichincha, ou o jovem Pichincha, a 4.784 metros de altura. A última erupção do Guagua Pichincha foi em 1999 e cobriu Quito de cinzas.

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

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