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Mentaliza: vai dar tudo certo!
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Ideias estúpidas para ter durante uma viagem

Gustavo Villas Boas –A jornada de mil quilômetros começa com um primeiro passo”, disse o sambista chinês Lao Tzu. “E há cascas de banana no caminho”, completou meu amigo Danilo.

Tanto o Dan quanto eu nunca tivemos medo de dar o primeiro passo para uma longa viagem. Nem o segundo. Às vezes, até corremos, pisamos na banana e caímos de cara no chão.

Tudo bem. A gente “levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima”, como diz sábio brasileiro Jorge Aragão.

O que vale é que não vamos repetir os erros (mentira) e temos uma lista de ideias estúpidas para ter em viagem para compartilhar com vocês.

Pegue um casaquinho porque pode ter friagem, não aceite bebida de estranhos e vem com a gente:

Tatuagem em Cusco

Eu saí para comprar meias em Cusco e fiz três tatuagens no caminho.

Fui precavido: exigi materiais descartáveis e verifiquei o trabalho do tatuador na internet, que era compatível com o preço (baratinho).

Acho que ainda não contei: eu já estava meio abatido por um intestino frouxo, mal-estar físico e a coisa ficou feia na manhã seguinte à sessão de tatuagem.

Começa que acordei de ressaca. Não ia perder a balada, némeixmo?

E a tatuagem inflamou, a diarréia desandou e tive febre. Por uns três dias.

Talvez eu seja só um pouquinho dramático, mas achei sinceramente que ia morrer em Cusco.

O que fica é que eu amo minhas tatuagens, mas o pedaço de pele que inflamou está com traços meio grossos. Quando digo que fiz em Cusco, todo mundo acredita. O problema é que também acreditariam se eu falasse que fiz em Bangu 2.

Depois pensei bem, claro que fazer tattoo durante uma viagem é uma ideia estúpida: a tatuagem machuca o corpo e é preciso se recuperar com qualidade, sem sol, sem álcool, sem comidas suspeitas.

Não fui o primeiro a sofrer as consequências de fazer tatuagem em viagem. Aconteceu coisa parecida com a amiga inglesa que fez em La Paz, com um artesão que conheci na Chapada e fez em alguma praia do Brasil e com o mochileiro do Equador que ganhou uma tattoo do parça no hostel em Lima.

Como insistir no erro é bobagem e aprendo com as experiências alheias, prometi que nunca mais faço tatuagem em viagem.

Só, talvez, na Califórnia. Ou em Amsterdam. Ou com agulhas de bambus na Tailândia.

– Roteiro de viagem: O que fazer em Cusco

ps. Foram três tattoos, conta como três ideias ;)

ps2. A Camila, do ótimo blog O Melhor Mês do Ano, foi muito mais esperta com a inspiração de viagem

Largar a mochila no hostel e sair para beber

Baños de Agua Santa vista do alto do Mirante de Bella Vista: entre os Andes e a Amazônia

O hostel é logo ali…

Se você tivesse tido o trabalho que tive para achar um hostel em Baños, entre os Andes e a Amazônia, entenderia que, depois de largar a mochila em cima da cama, eu precisava de um drinque.

E a noite em Baños é uma das mais animadas da América do Sul. E os bares têm drinques incríveis com nomes fabulosos inspirados no Tungurahua, um vulcão em atividade colado à cidade.

Foi uma noite super-divertida. Até a hora de voltar para casa, que ficava em uma rua mais ou menos perto de uma igreja e tinha um portão que… Caramba, eu não lembrava nem a cor do portão do hostel!

Você se sente muito estúpido quando não tem pistas de como voltar para o hostel, está borracho, na madrugada vazia e gelada de Baños.

Já estava conformado em dormir na praça, mas baixou uma luz, lembrei o nome de um hotel do lado do meu que não tinha vaga e achei os últimos bebâdos locais da madrugada para me informar. Cama. Quente.

Ficou com dó? Tudo bem, foram apenas uma ou duas horas procurando onde dormir. Já a tatuagem… estou olhando para ela.

– Baños  e o Balanço do Fim do Mundo

Tentar ficar rico em Las Vegas

Ah, Las Vegas… A Cidade do Pecado, com seus hotéis suntuosos, cenário de películas memoráveis como “Se Beber, Não Case”. Claro que o Danilo iria querer voltar rico de lá.

E existe melhor forma de ficar rico sem trabalhar, sem precisar se candidatar a nada, sem nem mesmo gastar uns neurônios no jogo?

O Danilo vislumbrou essa oportunidade e, claro, agarrou: um jogador profissional se ofereceu para emprestar seu talento a nosso amigo brasileiro. Em uma mesa de 21, um entraria com o dinheiro, outro com a habilidade no jogo…

Adivinha quem entrou pelo cano?

Que hotel barato, acho que vou pegar um fungo

Economizar em viagem é sempre uma ótima ideia, não é mesmo?

Não.

Para economizar, já fiquei em hotéis não muito bons, hospedagens ruins, lugares péssimos e em dois muquifos.

Uma vez, tenho uma boa desculpa: eu, minha então namorada e um amigo chegamos no Rio de Janeiro na sexta-feira de Carnaval já no final da noite.

Sem reserva em nenhum lugar, fomos direto ao centro da cidade e, com mochilas, sono, dinheiro contado e Rio lotado, não tínhamos muita flexibilidade.

Procura aqui e ali e paramos na Praça Tiradentes, reduto histórico de prostitutas no Rio –e de hotéis de alta rotatividade.

Um desses hotéis salvou a gente. Era um cenário de filme (de terror). A mulher que nos atendeu estava em trajes sumários. Desconfiamos que ela fazia jornada dupla. Tinha uma marmita com resto de frango no corredor. A luz do quarto, um cubículo no fundo do hotel, estava pendurada por um fio. O piso do banheiro era na diagonal. O vaso não tinha tampa (era daqueles que dá medo de entalar).

Dormimos –ou tentamos– e vazamos pela manhã.

Hotel Ecuador: NÃO

Hotel Ecuador: NÃO

Nunca mais ficaria em um lugar como aquele. Mas aí veio o Equador.

Como antes da minha viagem de 5 meses pela América do Sul não tinha lido um post com ideias estúpidas para não ter em viagem, esqueci do meu compromisso.

Cheguei em Guayquil no começo da madrugada, sem saber para onde ir e pedi para o taxista me levar para um hotel barato no centro.

O primeiro lugar custava como 15 dólares e não tinha internet.

Pertinho tinha um outro hotel mais barato, com internet e que chama Hotel Ecuador.

Poxa, como poderia dar errado? Imagina ficar nos EUA no Hotel States? Mas, definitivamente, não recomendo o Hotel Ecuador. Nem sequer passar na porta –traumatizei, mas, sim, a rua é horrível.

A única coisa boa do Hotel Ecuador, fora o nome, é que tinha internet no quarto, mas era impossível ficar lá dentro.

A parede era multicolorida, e não estou falando de decoração de mau gosto e, sim, de fungos.

Estava quente, muito quente, quentíssimo. Tinha um ventilador barulhento que ajudou a diminuir o calor e consegui dormir porque estava em frangalhos, mas no outro dia não consegui ficar no quarto, fiquei paranoico com os fungos.

Só voltei para dormir, não sem antes tomar uma cerveja para ter coragem, antes de sair cedo para ir para o aeroporto perder meu voo para Galápagos.

O hotel era tão ruim que, voo perdido, nem voltei para casa. Fiquei no aeroporto 24 horas. Lá, além de ter ar condicionado, não tinha fungos e tinha internet. Quem nunca dormiu no aeroporto?

Leia mais relatos de viagens

– O dia em que tomei ayahuasca com um xamã na Amazônia

– Não quer ver suas fotos ou existe spoiler de viagem?

– Ruta 36, o bar da cocaína de La Paz

– Águas que bebi em viagens

– As tristes Minas de Potosí na Bolívia

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

7 Comentários

  1. huahauha Boa Gustavo. O pior é que a gente passa perrengue e depois comete o mesmo erro de novo. Mas, a tatoo de bambu na Tailândia eu fiz e recomendo.

  2. Muito bom, quer dizer, muito ruim. kkkkk… Eu vivo fazendo essas burradas, vou começar a inventariar. rs.

  3. Hehehe Maneiro o post. Fui lendo e lembrando de situações que vivi por esse mundo…

    Abraço

  4. Eu juro que tentei fazer uma tattoo em galapagos, mas quando os proprios moradores falam que é melhor fazer em quito, fiquei cabreira… segundo eles, não há condições sanitárias hehe
    bjo

  5. Estou no Peru faz 1 mês, e tenho outro adiante. Estou me vendo nas tuas dificuldades! HAHAHA Algo me diz que vou querer repetir de novo, e de novo.
    PS: você me desencorajou a fazer tattoo en Cuzco! :( HAHAHA
    Abraçooo!

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