Início / Vasto Mundo / França / O papel de parede de Wilde – Paris além do Óbvio
Viagens baratas por Paris - foto Marina Kuzuyaba
Viagens baratas por Paris - foto Marina Kuzuyaba

O papel de parede de Wilde – Paris além do Óbvio

Na última parte do roteiro de passeio a pé por Paris, em que conhecemos lugares escondidos e diferentes da capital francesa, sugerimos uma caminhada desde a casa onde o escritor irlandês Oscar Wilde morreu até uma ótima livraria com preços bons.

Parte 1 |  Parte 2 | Parte 3 e 4

Já que o roteiro Geração Perdida da série Paris além do Óbvio falou tanto de literatura, cinema e cultura, uma livraria como a  Shakespeare & Co. é o destino ideal para terminar o passeio a pé pela Cidade-Luz

foto: Marina Kuzuyabu

Diego Braga Norte

Na rua Saint Andre des Arts, atente para o número 13 (ponto B no mapa de Paris), local do hotel onde, em 1900, faleceu o escritor irlandês Oscar Wilde. 

Pouco antes de morrer, ainda lúcido e com seu característico humor afiado, Wilde contemplou a parede do hotel e disse: “My wallpaper and I are fighting a duel to the death. One or the other of us has to go.”.

Não sei se outro hóspede frequente do hotel, o escritor argentino Jorge Luís Borges, chegou a ver o tal papel de parede. O escritor brasileiro Rubem Braga, porém, em uma de suas viagens à Paris (em 1950), sem saber, se hospedou no mesmo quarto em que morreu Oscar Wilde. Numa crônica deliciosa ele comprova, o papel de parede era mesmo horroroso (ainda que seja pouco provável que fosse o mesmo papel contemplado por Wilde…).


No número 28 da Saint Andre des Arts (ponto A no mapa de Paris) ficava a antiga residência de Jack Kerouac, o escritor mais emblemático do movimento Beatnik, a geração posterior à Geração Perdida. O número 46 da mesma rua foi habitado pelo poeta norte-americano E. E. Cummings.

Seguindo pela rua, você vai desembocar na Place que leva o mesmo nome, Saint Andre des Arts. Um pouco mais à frente, pare um pouquinho na Place Saint Michel, que abriga uma fonte homônima. A Fontaine Saint Michel não é lá uma Fontana di Trevi, mas também tem seu charme.

Depois de tirar algumas fotos da fonte, atravesse a Boulevard Saint Michel e siga em direção à rua de la Huchette (ponto C no mapa de Paris), paralela à Quai de Montebello.

Essa é uma das ruas dos bares noturnos e baladas de Paris. Confesso que não me animei em entrar em nenhuma delas, pois não faziam meu estilo, mas o calçadão (a via é só pedestres) estava repleto de franceses e turistas aguardando nas filas. Um dos lugares mais tradicionais da ruzinha é o clube de jazz Le Caveau de la Huchette.

A rua de la Huchette é um dos pontos da agitada vida noturna de Paris - foto: dalbera

A rua de la Huchette é um dos pontos da agitada vida noturna de Paris – foto: dalbera

Atravesse a rua du Petit Point e siga pela pequena rua de la Bucherie. A livraria Shakespeare & Co. (37 rue de la Bucherie ; ponto D no mapa de Paris) é o ponto final do roteiro.

Após visitar antigas moradias de escritores e diversos locais por onde eles passaram, penso que, assim como eu, você também ficou com fome de leitura. Aproveite, pois a livraria pratica preços mais justos que a Fnac e é especializada em livros em inglês – ideais para a Geração Perdida e turistas.

PS: A Shakespeare & Co. original foi aberta pela editora norte-americana Sylvia Beach em 1919, no número 8 da rua Dupuytren, também no bairro Saint Germain. A livraria e a livreira caíram nas graças dos escritores de língua inglesa que à época moravam em Paris.

Depois de ter seu romance Ulysses recusado por diversas editoras britânicas e norte-americanas, James Joyce publicou-o com a ajuda e o aval de Sylvia Beach, lançando-o em 1921 da livraria Shakespeare & Co. (que já estava em seu segundo endereço, 12 da rua de l’Odéon).

Durante a ocupação nazista da cidade, entre 1940 e 1944, a livraria foi fechada e seu precioso acervo foi escondido da sana incendiária e irracional dos seguidores de Hitler. Em 1951, a livraria reabriu no atual endereço, mas com o nome de Le Mistral. O antigo nome Shakespeare & Co. só viria a ocupar lugar na fachada em 1964, após Sylvia Beach, já velhinha, ceder o nome e parte do acervo para os atuais proprietários.

About The Author

Diego Braga Norte é jornalista e nômade errante que, de quando em vez, acerta. Já morou na Alemanha, nos EUA, na França e em Assis. Autor de Iracema, mon amourParis além do óbvio, entre outras coisas.

Pergunta aí! Queremos saber

O seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*