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    A praia de Odeceixe é uma das mais bonitas da Costa Alentejana

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    Uma das praias indispensáveis no roteiro é a da Amália; não é fácil de chegar, mas vale a pena

Verão em Portugal: Costa Alentejana

Por Mariana Rezende

Apesar de estar sempre na lista dos países mais procurados pelos brasileiros, Portugal ainda é um destino pouco explorado por nossos compatriotas. A maioria das pessoas escolhe a capital, Lisboa, para sua passagem pela terrinha.

O fato é que esse pequenino país tem uma série de tesouros escondidos que podem tornar inesquecíveis as férias de qualquer brasileiro que goste de viajar com tranquilidade.

Primeiro porque, mesmo com algumas adaptações ao sotaque dos portugueses — não, ninguém no país passa o dia a dizer “ora pois, maria” –, falar a mesma língua é um enorme facilitador.

Segundo: alugar um carro e percorrer o país todo em menos de um mês é muito viável, são poucos quilômetros e inúmeras cidades lindas ao longo do caminho. Um viajante aficionado acredita que toda viagem é importante para o autoconhecimento, e conhecer o Brasil pela raiz portuguesa é certamente parte essencial desse processo.

A começar, saindo de Lisboa de carro

A imponente Ponte 25 de Abril separa Lisboa e Almada e cruza o rio Tejo | foto - Zero

A imponente Ponte 25 de Abril separa Lisboa e Almada e cruza o rio Tejo | foto – Zero

Saia cedo. Vá de lisboa até Setúbal, são menos de 50km. Lembre-se de comprar água e frutas para o caminho. E aproveite para curtir as rádios locais e se familiarizar com o gingado da língua — minhas favoritas são Star FM, M80, e Antena 2.

No caminho você vai cruzar a Ponte 25 de Abril, então já deixe a camêra em mãos. A ponte é imponente, a vista é linda e pode render uns bons cliques (coisa que não fiz, por isso a dica). Em Setúbal pegue um ferry boat até a Comporta. Chegando ali é que você percebe que a linda jornada pelo Alentejo começou.

Não foi pra roça, perdeu a carroça

Carvalhal: a primeira praia nesse roteiro em Portugal

Carvalhal: a primeira praia no roteiro

O Alentejo é uma área rural com paisagens e pequenas estradas muito similares às dos interiores do Brasil. Como sou mineira, reconheço com facilidade o cheiro dos eucaliptos, as montanhas e plantações diversas predominantes no interior do meu estado. A grande diferença é que, com pouquíssimos quilômetros rodados você chega à praia. E olha, que praia. A primeira parada é a do Carvalhal.

A primeira Carvalhal (mais adiante visitamos outra praia com o mesmo nome) é consorciada e geralmente tem a Bandeira Azul hasteada. Isso significa que ela cumpre algumas condições de acessibilidade e segurança: restaurantes, guarda-sóis, salva-vidas (aqui conhecido como nadador salvador), lixeiras, estacionamento etc.

A praia é enorme e, se você estiver com o espírito mais libertário, basta seguir um pouco além dos agrupamentos familiares pra ficar mais à vontade: ali se pratica naturismo. Aliás, o topless na costa portuguesa é muito comum, convivem bem entre si peitinhos, velhinhos e castelinhos de areia.

A praia do Carvalhal, assim como a maioria das praias do Alentejo é boa para o nado, as ondas não são muito fortes e a água tem uma temperatura agradável. Meio fria a princípio, mas depois de alguns mergulhos você já se acostuma e desfruta a alegria de ver seus pés e demais partes já que o mar é limpo e a água translúcida.

Ao fim do dia — que geralmente acaba por volta das 21h30, hora que escurece no verão — seguimos para a Zambujeira do Mar, região de Beja, para aproveitar o pôr-do-sol. Um dos mais belos que já ví até hoje. Aproveitamos a luz da “hora mágica” pra comer um peixinho fresco no Restaurante da Rita, que tem ótimos preços e uma vista maravilhosa.

Aproveite o pôr-do-sol (e o peixinho do Restaurante da Rita) em Zambujeira do Mar

Aproveite o pôr-do-sol (e o peixinho do Restaurante da Rita) em Zambujeira do Mar

Uma cabana sob a luz do luar

Para a hospedagem optamos pelo Zmar, uma espécie de camping ecológico modernoso que oferece opções diversas de alojamento. Entre elas: Zvilla, Zchalet, Zmóvel (opção que escolhemos), além de áreas para trailers e barracas. O espaço ainda conta com uma área de recreação com piscinas e entretenimento, mas que ficava longe da minha cabana e emanava música eletrônica de qualidade duvidosa, portanto nem me dei ao trabalho.

O bom do Zmar é a proximidade com as praias que queríamos visitar e o fato da cabaninha individual proporcionar alguma privacidade, ter um bom banheiro e uma mini-cozinha. E ar-condicionado, amém.

As cabaninhas do Zmar oferecem alguma privacidade e são boa opção de hospedagem

As cabaninhas do Zmar oferecem alguma privacidade e são boa opção de hospedagem

Uma dica importante: Faça as pazes com o seu farofeiro interior, compre um cooler e o abasteça todos os dias antes de sair para as praias. Algumas delas não têm estrutura alguma. Ali na região tivemos que contar com um supermercado quebra-galho, o Intermarché, em São Teotônio. Dava pra comprar pães, frutas, bebidas, bobagens de toda sorte e gelo (dependendo do horário, senão era preciso recorrer ao posto de gasolina ao lado).

Alteirinhos e Carvalhal

Bem próximas ao Zmar também ficavam a praia dos Alteirinhos e a segunda Carvalhal.

A dos Alteirinhos tem uma estrutura um pouco precária, muitos turistas nórdicos e uma área anexa para o naturismo — mas mesmo na área careta se via um ou outro peladão curtindo o frescor que a integração com a natureza oferece.

A praia dos Alteirinhos tem estrutura precária e área para naturismo

E a do Carvalhal nº 2 é bem friendly para famílias graças ao fácil acesso, estacionamento bem próximo ao areal, nadador salvador e alguns guarda-sóis. Ambas pequeninas, ambas belíssimas.

A segunda praia do Carvalhal é fácil acesso e é uma boa sugestão para famílias

Oh, Amália

Casa de Amalia Rodrigues_Brejao_OdemiraUma das praias indispensáveis no roteiro é a da Amália. Um pouco difícil de ser encontrada, já que é preciso atravessar uma plantação de girassóis pra chegar lá, descer uma trilha escorregadia porém lindíssima, e ainda uma escada um bocado precária.

A praia fica incrustada numa falésia e logo ao pé da casa de férias de uma das maiores fadistas de todos os tempos, Amália Rodrigues. No total éramos apenas 15 pessoas entre indas e vindas ao longo de todo o dia.

O difícil acesso não é um grande atrativo, mas a beleza e a tranquilidade da praia compensam o esforço da chegada — quem somos nós pra reclamar, oh Amália? E a cascatinha de água doce faz uma massagem nota mil. Melhor que qualquer spa.

Uma boa recomendação para o fim do dia na Amália é um jantarzinho no restaurante Azenha do Mar. Aproveite para degustar uma das especialidades do estabelecimento, os perceves — mariscos feiosos porém deliciosos — e tomar um bom vinho branco ou rosè. Os vinhos alentejanos são bons e baratos, vale experimentar o da casa.

O melhor pro final

A vilinha de Odeceixe e a linda praia do lugar

A vilinha de Odeceixe e a linda praia do lugar | foto – Aires dos Santos

Pra fechar a tour alentejana com chave de ouro, deixamos o melhor pro final: Odeceixe, uma micro-vila turística do concelho de Aljezur, já região do Algarve.

Por lá nos hospedamos na Pensão Luar, uma pensão modesta, familiar, muito limpinha e acolhedora. Baratinha e com um café-da-manhã simples, mas incrível. Aliás, não deixe de se fartar com o delicioso pão alentejano por onde quer que vá nessa jornada, vale cada quilinho a mais.

A praia de Odeceixe é definitivamente a mais bela e a melhor que visitamos. Além da água limpa e tranquila, da segurança e da estrutura impecável, a paisagem é tão linda que faz você acreditar que está num filme, ou perdido em algum vórtex do tempo e espaço. Acabamos por ficar mais um dia, tão difícil era ir embora daquele paraíso.

E para a despedida ser mesmo classuda, se presenteie com um almoço na Taberna do Gabão, um restaurante familiar no centro da vila. Prove a Alentejana, um delicioso prato que consiste em: carne de porco com batatas e amêijoas (um marisco muito apetitoso), tudo isso regado em um molho saborosíssimo de tomate, alho e especiarias diversas. Além de, claro, uma imperial bem fresca e um leve pudim de ovos pra arrematar.

A deliciosa Alentajana

A deliciosa Alentajana

About The Author

Mariana Rezende é escritora, tradutora e jornalista. gosta de escrever sobre música, viagens e comportamento. atualmente mora em lisboa e voltou a ser estudante.

5 Comentários

  1. Mariana, gostei muito de sua reportagem

  2. É tão gostoso ver uma sobrinha da gente crescer até que um dia, você descobre que ela esta escrevendo reportagem turística sobre Portugal, "que nem gente grande".

  3. Poxa, me despeço de Portugal em outubro e ainda não conheci nada disso! Tentarei introduzir nos meus itinerários =)!

  4. Marina Moura Ferraz de Carvalho

    Olá Mariana, gostaria de saber em quantos dias essa viagem foi feita! Obrigada!

Pergunta aí! Queremos saber

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