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Um roteiro barato por São Luís: museus grátis e comida típica do Maranhão

Por Gustavo Villas Boas – Nordeste 40

A escadaria no centro histórico de São Luís está vazia. Cinco adolescentes discutem. Um tira uma faca e ameaça uma estocada. Acelero os passos e dou uma corridinha. Dois –as vítimas da ameaça– saem andando calmamente, rindo.

A cena que vi no Reviver, como é chamado o centro que é patrimônio mundial da humanidade, materializou um discurso recorrente: o lugar é violento e os turistas sofrem muitos assaltos.

O centro histórico de São Luís é um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do mundo

O centro histórico de São Luís é um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do mundo

Começo com a parte ruim para falar de um lugar sensacional. Adorei São Luís e lamento muito a violência. De dia, as ruazinhas de paralalepídos são ótimas para passear a pé e tem várias opções do que fazer de graça (ou bem baratinho).

Gostei muito de três museus e em todos tive companhia de um guia pessoal (estavam vazios).
Comi as delícias típicas da terra em barraquinhas de rua que vendiam comida boa e barata (também conheci um bom restaurante por quilo com culinária regional).

E curti três noites ouvindo tudo quanto é tipo de música ao vivo. Nada se compara ao tambor de crioula, que aproveitamos em uma turma bem misturada: uma menina do Zimbabue, um garoto do Japão, um rapaz alemão e mais um brasileiro. Todos ficaram embasbacados com a energia do tambor e com a dança das meninas. Até eu dancei.

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Onde ir em São Luís

Restaurantes, lojinhas e bares usam os casarões tombados

Restaurantes, lojinhas e bares usam os casarões tombados

Andar pelas ruas do Reviver é uma viagem ao período colonial: é o maior patrimônio do tipo no Brasil. Não consegui um guia (o turismo é mal explorado no Maranhão), mas aqui e ali ouvi histórias interessantes sobre os casarões, os túneis usados para transportar escravos e a sociedade da Ilha Magnética, um dos epítetos da capital, por causa da maré, que oscila violentamente (ou será porque prende as pessoas que a conhecem? Eu ia para ficar um dia, fiquei quatro…)

São Luís ganhou o nome de Jamaica brasileira porque, realmente, ouve-se e toca-se reggae a cada esquina.

É chamado de Atenas brasileira porque São Luís sempre teve uma vida cultural agitada. O Teatro Arthur Azevedo, inaugurado em 1° de julho de 1817, é o mais antigo do Brasil. Até hoje os ludovicenses orgulham-se de falar o português mais correto do Brasil. E realmente impressiona como as pessoas conjugam os verbos por aqui.

Uma das coisas que achei divertido nas ruas históricas foram as cabeças de frade. São monumentos de mais ou menos espalhados pela região. Para que servem? Para homenagear cada filho homem de famílias ricas. Grávidas abraçavam os postes para pedir varões. Olhe a foto: lembra uma cabeça de frade mas também um imenso pênis. Eu apelidei de Ferrari colonial.

Para cada filho homem, erguia-se um desses postes amarelos

Para cada filho homem, erguia-se um desses postes amarelos

O Museu de Artes Visuais (baratinho, R$ 3, com meia-entrada para estudante; rua Portugal, 273) dá uma boa ideia sobre os estilos dos azulejos portugueses que fazem a fama do Reviver, como também é conhecido o centro.

Lá aprendi a origem dos nomes dos casarões: os solares são assim chamados porque eram prédios apenas residenciais (só lar), enquanto os sobrados serviam para comércio e moradia (a parte que sobrava).

O Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho fica em um impressionante casarão de 4 andares (rua do Giz, 271). O acervo é composto de roupas, objetos e fantasias das festas tradicionais do Maranhão e dos rituais religiosos. Tem as cores do bumba meu boi, o branco dos terreiros e muito mais.

Mas o que mais gostei, sem dúvida, foi o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão (rua do Giz, 59).

O Maranhão é um importante parque para achados arqueológicos e paleontológicos. Tem vários pedaços de dinossauros no acervo do centro. Um dos ossos de dinossauro tem fica sobre uma mesa com um convite irresistível: pode tocar nas peças.

Na parte de arqueologia, um painel reproduz fielmente gravações rupestres encontradas no Maranhão. Mas o mais legal são as várias cabeças de machados apresentadas.

Onde comer em São Luís

A comida típica do Maranhão é um orgulho local. O cuxá, uma espécie de pasta feita de vinagreira (uma erva amarga) e camarão é a estrela local. Come-se puro (não gostei muito) ou misturado no arroz, que fica esverdeado (muito bom). Além disso, há muitos pratos com camarão e caranguejo. Maravilha.

A Feira da Praia Grande é um mercadão de São Luís

A Feira da Praia Grande é um mercadão de São Luís

Os restaurantes que conheci no Reviver são charmosinhos, mas meio caros e nem tão bons. Preferi a comida de rua vendida em torno da Feira da Praia Grande, o ponto mais animado do centro histórico. Tem tiazinhas vendendo pratos com arroz, farofa, salada e mais duas (R$ 10) ou três opções (R$ 12) entre cerca de 15 pratos locais. Ali sim tinha uma boa comida barata em São Luís. Mas é só à noite.

Dentro da Feira da Praia Grande da para comprar comidas típicas do Maranhão

Dentro da Feira da Praia Grande da para comprar comidas típicas do Maranhão

Dentro da feira também tem opções legais de comida, mas é mais porção. Na Feira da Praia Grande comi um prato feito na hora do almoço (R$12) que não era nada demais, mas foi o único PF que encontrei nas redondezas do hostel que fiquei hospedado em São Luís.

A dica é aproveitar os preços baratos de delícias locais, como camarão e as castanhas de caju. Ou o Guaraná Jesus e a pinga de mandioca, a tiquira. Comprei uma porção enorme de castanha por R$ 5. 

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Na balada em São Luís

Tenho que repetir: é violento. Mas a noite no centro histórico é demais de legal. Sexta-feira é o dia mais movimentado, mas desde quarta-feira, encontrei várias opções do que fazer, principalmente nos arredores da Feira da Praia Grande.

Tem música ao vivo por todos os lados. E não é um banquinho e um violão. Vi rockão antigo, samba, axé, reggae… sempre tocados por grupos com vários instrumentos, muita percussão, bons cantores.

Mas o que impressionou mesmo foi o tambor de crioula que ouvi no Moira’s, um bar na escadaria do Reggae que visitei todos os dias. Lá sempre tinha música ao vivo e conseguia reunir pessoas legais. Não ficava muvucado como o resto do Reviver, não passava tanta gente pedindo dinheiro, tinha um público alternativo legal. E o pessoal do bar atendia bem e com bons preços (a cerveja de garrafa saía por R$ 6, a dose de cachaça –boa– por R$1). Vale a pena conhecer.

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

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