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  • Seychelles

    Anse Georgette, umas das praias privadas de Seychelles

  • Beau Vallon, praia na ilha de Mahé, a maior do arquipélago

  • Sourse d´Argent, lugar surreal! É preciso pagar 10 Euros para acessá-la.

Seychelles, destino para uma viagem de lua de mel

– Por Cláudia Dias Perez Machado (Usei Gilberto Gil pra escrever, “andar com fé” para reler)

Por que Seychelles?

De todos os arquipélagos bacanas no mundo, meu marido e eu escolhemos Seychelles para uma segunda lua de mel. A primeira, em Noronha, foi sensacional, porém curta por conta do pouco tempo que tínhamos disponível. Agora com aquela abundância de tempo, o céu era o limite e foi pra lá que nós fomos.

Das 155 ilhas desse arquipélago no meio do Oceano Índico (a distância de 1.500 quilômetros da costa Sudeste da África não é pouca coisa), optamos por visitar apenas três delas: Mahé (ilha principal, onde fica Victoria, capital de Seychelles), Praslin e La Digue.

Como é que eu chego em Seychelles?

Não há voo direto para Mahé saindo do Brasil. Já que você vai ter que fazer escala em algum lugar, pense em outro país que você queira dar uma passadinha, pare alguns dias (o quanto seu orçamento aguentar) e siga para lá.

Nossa escala foi na África do Sul, onde fizemos todo o turismo que tínhamos direito, saímos de Johannesburgo e seguimos para Mahé através da Air Seychelles, companhia excepcional (e que estava com a passagem aérea mais barata na época).

Dicas sobre Johannesburgo e o aeroporto: entenda o mapa do aeroporto antes de ir para lá e chegue com bastante antecedência. O pessoal cobra pra dar informações e às vezes alguém pode passar informações erradas, o que atrasa um pouco a sua vida. Não espere muita educação e paciência, porque não rola mesmo. Abrace aquele free shop lindo.

Na volta, passamos de novo em Johannesburgo e dormimos uma noite no Peermont D’Oreale Grande no Emperors Palace. Fica pertinho do aeroporto, com esquema de vans que levam e trazem a cada meia hora. Dá até pra tentar recuperar um pouco dos gastos com a viagem no cassino, vai que você dá sorte (eu não dei)!

Dicas práticas na viagem

  •  Todos falam um pouco de inglês, alguns falam francês;
  • Leve euros para trocar pelas rúpias de Seychelles. Troque o mínimo no aeroporto: o câmbio dos hotéis é melhor;
  • Os passeios, o táxi e alguns restaurantes aceitam euros;
  • Não vai ter foto no Instagram: a internet é cara e muito ruim, não vale a pena;
  • O ônibus em Praslin é bem organizado, muito barato, e todos os hotéis têm os horários e os pontos de parada. tomada seychellesEm alguns casos, optar pelo ônibus é complicado pois os pontos ficam distantes do que você vai ver, e no caminho tem uma pirambeira (exemplo concreto disso: Anse Lazio). Mas caso você queira ir para o Vallée de Mai de ônibus, por exemplo, o ponto é na porta;
  • A tomada é diferente e não levamos adaptadores, então se você precisar muito dos seus eletrônicos, este é o tipo de tomada de lá (imagem ao lado).
  • Clima: não existe mais época garantida por lá. Fomos em outubro e pegamos algumas chuvas, mas a temperatura média era ótima. De noite, vale levar um casaquinho.

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  • Fato: você verá pequenos tubarões (cações) nas praias, no raso mesmo. Relaxe, são peixes e não predadores.

Cheguei em Seychelles! E agora?

BEAUVALON

Pôr-do-sol em Beau Vallon, Seychelles

Sua chegada vai ser em Victoria, na ilha Mahé. A ilha é grande, então ou você fica por lá cinco a sete dias e conhece tudo ou escolhe alguns locais bacanas e desapega.

Ficamos apenas duas noites no hotel Coral Strand Smart Choice (péssima escolha) e, como tivemos muitos problemas com este hotel, estávamos cansados e sem energia de fazer o que havíamos programado que seria pegar um táxi e ir até as praias mais distantes, como Baie Lazaire e Anse Royale, que são as queridinhas dos moradores.

Aliás, quem mora lá costuma aproveitar o final de semana e levar churrasco, música, a farofa toda e curtir o dia inteiro nestas praias mais distantes. Nos entregamos à Beau Vallon, onde fica o hotel, e foi ótimo. Comemos algumas vezes no hotel e estava bem gostoso.

Na noite antes de partirmos para Praslin, fomos a pé ao restaurante La Plage, uma graça, que fica pé na areia em Beau Vallon. Peça o que o chef recomendar, não vai ter erro. Beba Seybrew, a cerveja local.

A média gasta em alimentação em restaurantes (bebida e comida) é de 600 rúpias de Seychelles por pessoa, o que dá por volta de 50 dólares.

Indicaram também o restaurante Boat House, que fica ali perto do La Plage, mas não fomos.

De dia, o máximo que rolou foi uma chegadinha à praia do hotel Le Meridien Fisherman’s Cove (talvez o melhor hotel da ilha), a pé mesmo, e passeamos um pouco pelo centro da cidade.

Nossa preferência de passeio, desde o início, era ficar nas ilhas menores e depois dessa viagem pensamos que deveríamos ter ido direto para Praslin e ficar mais tempo por lá. Já te falo o porquê.

– Fernando de Noronha, o paraíso brasileiro

Praslin

COTEDOR

Praslin fica a quinze minutos de avião bimotor de Mahé ou uma hora de ferry. Optamos pelo “teco teco” e foi ótimo: rápido, indolor e lindo.

Chegando em Praslin, pegamos um táxi até o hotel (35 euros a corrida) e aí começou a nossa alegria sem fim. Escolhemos o Acajou Hotel, que fica na praia Cote D’or, uma praia incrivelmente linda.

Até novembro de 2014 o hotel está em reformas então vai ficar melhor ainda. A ideia deles é de modernizar os chalés, que eram inteirinhos de madeira, para o modelo de apartamento que ficamos.

Aliás, escolhemos o apartamento pois era de frente para o mar, pé na areia. Tudo no Acajou é bom: atendimento, comida e bebida, o quarto que ficamos, a localização.

Se eu voltar lá, fico de novo e fecho logo a meia pensão, pra poder comer aquele peixe com molho de leite de coco e gengibre todos os dias.

Eles fazem uma noite de buffet temático, com um músico tocando ao vivo o que é bem agradável. Acabamos comendo muito por lá porque a comida era muito boa mesmo (sei que estou repetindo, é que é muito boa mesmo). Inclusive se você não se hospedar lá, passe lá para jantar.

A praia Cote D’Or é bem extensa, de areia bem branquinha e mar transparente. Você olha pro mar e vê peixes, arraias, toda a vida marinha ali pertinho. É de lá que saem os passeios para La Digue e para fazer snorkel na ilha Saint Pierre.

COTE_D.OR

Cote D´Or

Aliás, falar de Seychelles é pensar em snorkel, então não faça como a gente – que deixou para comprar equipamento de mergulho por lá e chorou com o preço – e leve daqui o melhor equipamento, já adaptado ao seu rosto e aos seus pés.

– Guia de Galápagos: Quanto custa uma viagem para as ilhas paradisíacas do Equador

Dica de roteiro em Seychelles

Ficamos cinco noites em Praslin e dividimos da seguinte maneira:

Dia 1: chegada e curtição na praia do hotel. Andamos toda a extensão da praia e conversamos com Kevin, da empresa Sargitarius, onde fechamos um passeio para La Digue para o dia seguinte.

À noite, jantamos no hotel (já falei que era sensacional?) e caminhamos um pouco pela praia. A praia à noite fica realmente escura, não há iluminação alguma, então leve uma lanterninha.

Dia 2: passeio para La Digue. Aí percebemos que erramos feio e que deveríamos ter ido de Johannesburgo para Praslin direto, assim teríamos ficado 4 noites em Praslin e 3 em La Digue.

Para chegar em La Digue você pode ir por conta própria de ferry (veja a tabela de horários abaixo) ou fechar um passeio com o pessoal da Sargitarius.

Captura de Tela 2014-04-27 às 13.53.12Em La Digue você pode se deslocar com carro de boi ou bicicleta, que pode ser alugada logo na chegada. No passeio com Kevin, o aluguel da bicicleta já estava incluído, então haja coxa.

Captura de Tela 2014-04-27 às 13.53.42

A primeira praia que visitamos foi a Grande Anse: areia branca, mar azul na temperatura ideal. É uma paisagem bem natural e tinham pouquíssimas pessoas na praia, então pensei que tinha encontrado minha praia preferida.

Aí fomos para Petite Anse, e mesma coisa: areia branca, mar azul na temperatura ideal, paisagem natural, BFF da praia (best friends forever), quero morar aqui. De lá, visitamos as tartarugas gigantes (duas delas estavam namorando) e a plantação de baunilha.

Aí chegamos na praia mais surreal do passeio: Source D’Argent. A formação rochosa transforma essa praia num cenário muito diferente de tudo o que você já viu antes. As pessoas questionam bastante a coisa de ter que pagar 10 euros para entrar na praia, mas já que você não deu a sorte de ser o Vasco da Gama (que descobriu esse paraíso) vale a pena.

SOURSEDARGENT

A formação rochosa da praia Source D´Argent é deslumbrante.

No caminho ficam alguns vendedores de frutas e água de coco. Como fizemos o passeio num domingo, os restaurantes estavam fechados, então havíamos levado bastante água, comemos as frutas e um sorvete que encontramos pelo caminho.

Na volta para Praslin, pedimos para parar em algum lugar no meio do mar para fazer um pouco de snorkel. Kevin, sempre falando pouco, não havia dito nem sim nem não, então foi uma grata surpresa quando ele estacionou a lancha no meio do nada e disse: podem ir.

Quando descemos vimos um absurdo de vida marinha acontecendo ali embaixo: cardumes, tartarugas, um pequeno cação e uma profundidade que dá paniqueira em qualquer novata (no caso, eu).

Desse passeio ficou a lição: vá para Seychelles e fique em Praslin (4 ou 5 noites) e La Digue (3 noites). Se tiver mais tempo, fique em Mahé, senão é perda de tempo.

Dia 3: Em Cote D’Or de manhã meu marido fez o passeio de snorkel para Saint Pierre. Comparando Saint Pierre com o snorkel no meio do nada, snorkel no meio do nada ganhou de goleada.

No meio do dia, fomos para Anse Lazio de taxi, o que custa caro (não faça isso). Os taxistas de lá são bem específicos com a coisa de não entrar com roupa úmida no carro deles, então o nosso pediu para a gente ficar no sol secando (sério). A gente obedeceu. Pra não passar por isso, abrace o costume gringo e leve uma muda de roupa seca.

Dia 4: Pra compensar a sequência de erros do dia anterior (snokel sem graça, Anse Lazio de taxi, maiô molhado, secar ao sol…) alugamos um carro e foi um dos melhores dias da viagem.

A diária de aluguel do carro é por volta de 50 euros e alugamos no último dia pois assim entregaríamos no aeroporto (na prática foi: estacionamos lá e deixamos a porta aberta, com a chave debaixo do capacho do carro) e economizaríamos com o táxi da volta.

Dica: as rádios de Praslin são sofridas, leve uns CDs pra garantir a trilha sonora.

O dia foi intenso: começou com um passeio pelo Vallée de Mai, uma reserva natural intocada desde 1930, onde pode ser visto o Coco de mer (a fruta que tem um formato de bunda e que é o símbolo de Seychelles).

Estávamos pilhados, então fizemos algumas trilhas sem os guias, visitamos os mirantes e foi rapidinho: em uma hora, já estávamos a caminho da próxima atração. Se você gosta de ver detalhadamente vegetação, opte pelo passeio guiado que é bem rico e não custa nada além do preço da entrada no parque, que não é caro.

A próxima atração: praias privadas. Em Praslin existe o hotel Constance Lemuria (que deve ser incrível, mas um pouco caro para o meu orçamento) onde ficam duas praias privadas: Anse Georgette e Petite Anse Kerlan.

Petitanse

Praia de Petite Anse, em La Digue.

Peça para o pessoal da recepção do seu hotel reservar, senão você não entra. Lembrando que as duas precisam de reservas separadas, não adianta reservar para uma e tentar ir na outra também. São praias bem bonitas, aquele padrão incrível de areia branca e mar azul quentinho, valem o passeio.

De lá, seguimos para um tour pela ilha, parando em cada uma das praias e tomando banho de mar. Valeu muito a pena. Caso você faça isso, tem posto de gasolina perto do aeroporto e na Baie Ste Anne.

A última praia visitada foi a repetição de Anse Lazio, a famosa praia em que ocorreram dois ataques de tubarão em 2009. Por conta destes ataques pontuais, foi colocada uma rede de proteção para que as pessoas tenham 100% de segurança.

Não sentimos medo e mergulhamos no canto esquerdo da praia (quando parece que acabou, tem mais praia e é mais linda ainda), fora da rede de proteção. O incentivo foi um alemão com três filhos pequenos fazendo snorkel lá no fundo.

Caso você não queira alugar carro para ir, e já considerando que o táxi ida e volta é mais caro do que uma diária de aluguel de carro, sobra o ônibus. Já falei da pirambeira, né? Ponto longe + pirambeira = prepara as coxas.

Pra finalizar a viagem, passamos no PK Pasquiere, um restaurante com uma vista incrível. Peça os drinks e o que o dono tiver de recomendação de petisco. No dia, era uma porção de camarões com um molho bem gostoso. Os sucos de maracujá ou de papaya são característicos da região, vale a pena provar (e o de papaya lá do PK Pasquiere estava sensacional).

Ir embora é bem difícil, deu uma tristeza danada na gente. Mas olhar as fotos e relembrar tudo o que aconteceu é gostoso demais. Você vai ver que essa é uma viagem que vale cada centavo.

Fotos: Cláudia Dias Perez Machado

12 Comentários

  1. Gostaria de agradecer por este relato. Estou me organizando para passar férias em Seychelles e este é o melhor relato que pude encontrar. Parabéns pelos detalhes das informações. Uma dúvida: Sempre viajamos de mochileiros, esta será nossa primeira viagem mais refinada, , é possível fazer a viagem sem fechar com um pacote? É que o que me ofereceram tornava muito mais caro incluir La Digue. Por quais aéreas você chegou à Seychelles? Vocês fecharam com alguma empresa? poderia me informar? Obrigada!!

    • Cláudia Dias Perez Machado

      Oi Viviane, cotei a parte da África do Sul por agência e acabei fazendo tudo por conta própria. O valor da viagem toda (África do Sul e Seychelles) por conta própria ficou o mesmo do que o do pacote de dez dias pela África do Sul cotada pela agência, então vale bem a pena mesmo.
      Voamos para Seychelles pela Air Seychelles (que é demais). Como não tem voo direto, escolha um país de conexão. La Digue você pode fazer por conta própria, é só pegar um ferry boat saindo de Praslin. Se optar por um passeio de um dia, pode fechar com o Kevin da Sagitarius, empresa de turismo que fica na praia (bem fácil de achar). Minha dica seria: mínimo possível em Mahé e dividir seus dias entre Praslin e La Digue. Se tiver mais dúvidas, dá um toque.

  2. Realmente os relatos aqui estão incríveis. Estou indo em lua de mel em Junho desse ano e doida pra comprovar tudo descrito aqui. Uma coisa que me apavora… os tubarões. Nesse mergulho no meio do nada com Kevin, não há perigo de ataque? O que o Kevin instruiu a vocês? É seguro no meio do nada? Onde acredito não haver redes de proteção?

    Obrigada,

    • Olá Marcella!

      Já mergulhei com tubarões em Noronha, a explicação da segurança é que o ecossistema é tão equilibrado que eles não tem por quê atacarem humanos, além das espécies (tubarão martelo) que por lá circulam não possuem índice de ataque. Mas sempre há o seu risco.

  3. estamos indo a África do Sul no dia 26/06 e nossa viagem será de 11 dias. 4 dias em Cape Town e 2 dias de Safari em Joannesburgo e queria aproveitar os 4 dias que faltam pra visitar a ilha Seychelles. A passagem de Joanesburgo a ilha Mahe ta 2000 ida e volta, como ta meio caro e vou ficar pouco tempo, gostaria de saber se essa quantidade de dias da pra aproveitar alguma coisa??? na verdade iria dia 01/07 a tarde e chegaria lá a noite em Mahe, teria 4 noites e 3 dias cheio , pois já voltaria no dia 05/07 pela manhã. O que me sugere? Chegaria em Mahe e já pegaria o ferry pra Praslin , já que lá é o melhor que se tem pra ver???

    • Olá, Tatiana! Estou extamente na mesma situação. Saio do Kenya e tenho exatamente o mesmo tempo de você rs!
      Estou com medo dos preços de alimentação serem mais caros em Praslin, mas falam tanto que fica difpicil decidir. O que você fez afinal?
      Agradeceria muitíssimo se pudesse compartilhar comigo a sua experiência!: )

      obrigada!
      bjs!

  4. Marlene Agostinho o

    Claudia, sabe dizer-me se dá para fazer lá mergulhos de batismo?

  5. Seychelles está no meu radar há um tempo, mas nunca tinha visto um relato tão legal como este. Obrigado!

  6. Boa Tarde, um dos atrativos para ir passar minha lua de mel, fora tudo relatado, era quase certeza de nadar com tubarão baleia, isto é real?? existem esses mergulhos programados? sabe alguma coisa??

    Seu roteiro esta muito legal, adorei.

  7. Olá Claudia,
    boa noite!
    Por que não gostou do hotel Coral Strand em Mahé?

Pergunta aí! Queremos saber

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