Início / Viajei (relatos) / Diário do Brasil / Uma trilha amazônica perto de Alter do Chão
A gigantesca árvore amazônica na Floresta Nacional dos Tapajós, no Pará
A gigantesca árvore amazônica na Floresta Nacional dos Tapajós, no Pará

Uma trilha amazônica perto de Alter do Chão

No coração da vila de Alter do Chão, no Pará, na praça principal, ouvimos falar de Vovó: uma árvore samaúma que tem 1.200 anos segundo as pessoas da região e cujo o tronco é tão grosso que um cordão formado por 28 pessoas não foi suficiente para abraçar.

Vovó é uma das atrações da Floresta Nacional dos Tapajós, ou Flona Tapajós, uma unidade de conservação ambiental às margens do rio Tapajós e suas águas cor de esmeralda.

Na exuberante área de floresta amazônica, 29 comunidades ribeirinhas vivem; nove comunidades estão habilitadas pelo Ibama para desenvolver o turismo sustentável, ou ecoturismo. Foi para uma delas, a comunidade do Maguari, que partimos atrás do sonho de caminhar por regiões (quase) intocadas para ver a samaúma Vovó.

O primeiro desafio foi decidir o meio de transporte pelo rio a partir de Alter do Chão. De lancha voadeira, o preço é salgado, mas a viagem é curta: uma hora. De canoa motorizada… seriam três horas, um preço menor, mas só de pensar em uma jornada dessa em canoa, minha perna começa a formigar: é muito desconfortável. E tem o sol amazônico no pote as 3 horas.

Decidimos ir de voadeira e marcamos com o barqueiro bem de manhãzinha. Na manhã combinada, compramos algumas coisas no mercadinho e, untados em protetor solar,  fomos ao Maguari.

Para entrar na Flona é preciso pagar algumas taxas, tanto ao Ibama quanto à comunidade, mas é coisa pouca.

Por sugestão do nosso amigo barqueiro, levamos ingredientes para fazer um almoço simples (arroz, feijão, frango, tomate, cebola… essas coisas), pacotes de bolacha, água.

A comida que levamos, deixamos com uma moradora do local. Por uma pequena quantia, ela prepararia o almoço-lanche-da-tarde-janta e, ao voltar da caminhada pela Flona, poderíamos comer. E ainda trocamos o frango por peixe fresco!

Depois de uma pequena aula sobre como vive a comunidade, partimos na nossa aventura de ecoturismo.

Mel produzido na comunidade do Maguari | foto: ICMbio

Mel produzido na comunidade do Maguari | foto: ICMbio

A caminhada pela Floresta do Tapajós

Com um guia local, caminhamos por cerca de três horas em trilhas para chegar até a grande samaúma da Floresta Nacional dos Tapajós.

O caminho é aberto (deu para ir de bermuda sem arranhar a perna em plantas mais baixas), mas tem partes difíceis, principalmente algumas subidas no começo. Tivemos que economizar água para beber. Na volta, a gente bebia gotinha.

E vivemos muitas emoções.

Passamos saltitando por formigas que picavam doído, disse o guia. Acreditei. Já bem no meio da selva ouvimos um rugido alto, tenebroso, perto da gente. Para mim, era uma onça. Nosso amigo disse se tratar de um gato maracajá. Os sons da floresta são incríveis. Encontramos cacos de cerâmica indígena em um trecho que já foi ocupado por índios há séculos. Bebemos água que gotejava de uma raiz arrancada do chão (abismados com a capacidade do guia de reconhecer não só a planta, como a raiz que brotava do chão!).

O clima é amazônico: quente e úmido. Mas ao menos não sentimos o sol do meio-dia: na maior parte da trilha, a floresta se encarregava de fazer sombra para nós, meros humanos. Em alguns lugares da Amazônia a sombra é tanta que para foto sair boa tinha que colocar flash.

Ao longo do trajeto, toda vez que topávamos com uma samaúma, eu parecia uma criança: chegamos? Chegamos? Chegamos? A samaúma, qualquer samaúma, é mesmo uma árvore impressionante. E uma pancada na raiz faz um estrondo impressionante: ela já foi usada como meio de comunicação pelos índios.

Pancadas na Samauma já foram usadas como meio de comunicação pelos índios

Pancadas na Samauma já foram usadas como meio de comunicação pelos índios

Só que quando cheguei, vi que não tinha sentido a ansiedade. Como podem ver no alto dessa página, nada se compara a Vovó.

Ela não é uma samaúma, nem  uma árvore, qualquer: é um dos seres vivos mais impressionantes que já vi. O tronco é gigantesco. Se dissessem que ela tem 15 mil anos, eu acreditaria.

Demos voltas pelo tronco, escalei na parte mais fácil, lamentamos não conseguir enxergar a copa. E descansamos sentados nas raízes. Segundo o guia, dá para acampar no pé da árvore gigantesca, mas a gente não tinha se preparado, infelizmente.

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

8 Comentários

  1. Olá,
    Fiquei impressionada com o relato.
    Estou iniciando minha vida de viajante agora, cansei de turismo.
    Porem ainda fico muito insegura em como programar esse tipo de viagem.

    É possível que você me passe o contato do guia ?

    • oi Natalia, eu fiz os passeios com a Mãe Natureza Ecoturismo, que fica na pracinha principal. Se você estiver em um grupo grande, dá uma conversada com os barqueiros que ficam na pracinha principal antes e tente fazer o passeio sem intermediários.

      Quando você vai para Alter? Acho que não é preciso marcar antes o passeio, principalmente se estiver sozinha: lá você consegue se encaixar em um grupo e negociar melhor o preço.

      • Oi Farias!

        Veleu pela dica. Pretendia ir na semana Snata, só que já desisite devido a chuva.
        Porvavelmente iremos somente no final de 2014, em setembro ou novembro.

        Irei com meu namorado e talvez mais um casal, que estamos tentando “aliciar”.
        Oque eu mais empolguei foi com a visita a Vovo, estou contando os minutos para ir!
        rsrssrs

  2. Olá Gustavo,vou viajar à Amazônia brasileira (e quem sabe tbm em outros países) numa viagem de cerca de 4 meses. Gosto muito de viajar e ultimamente estou utilizando o couchsurfing, pois gosto bastante da forma com que a viagem se transforma quando vc está com um local. Assim, gostaria de saber se vc me indica coisas fascinantes para se fazer nessa trip. Não digo pontos turísticos, etc e sim experiências que vc teve e que considera inigualáveis. Um grande abraço!

  3. Que incrível poder ver e tocar nessa árvore tão especial. Tenho muita vontade de conhecer a Amazônia brasileira, aliás tenho muita curiosidade sobre a região Norte do país. Obrigada pelo post e pela dica para conhecer a Vovó!

  4. A nossa regiao é imprevisivel,e imaginavel, cheia de surpresas , encantos atrativos, e super acolhedora,, sou nativo da flona,e trabalho como guia, na flona e na cidade

Pergunta aí! Queremos saber

O seu email não será publicado. Campos marcados são obrigatórios *

*