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  • Viagem pelo sudeste asiático

    Mochilão pela Tailândia: de Bangkok à Ayutthaya

  • Ruínas do antigo reino de Ayutthaya

  • Muita paz e harmonia nos jardins de Bangkok

  • Uma viagem à Tailândia é repleta de sensações

  • O mochilão na Ásia foi a concretização de um sonho!

  • A Tailândia é um país de contrastes...

De repente… Ásia: mochilão na Tailândia

Por Sani Hadek

Sonha fazer um mochilão pela Ásia? Quer conhecer o sudeste asiático e as praias da Tailândia? Então, confira o relato de uma viagem bem barata com dicas para quem pretende se aventurar em um mochilão na Tailândia como eu fiz!

De repente… Ásia! E o primeiro passo foi dado na concretização de um sonho, que era viajar de mochila pela Ásia! Conhecer a Tailândia, o Camboja, e o Vietnam ao longo de 2 meses. Sozinha.

Mochila nas costas, passaporte na bolsa, coração na boca e sorriso no rosto. Pronta para encarar minha viagem a Ásia, pronta para todas as aventuras que eu havia sonhado e idealizado tantas vezes enquanto planejava o itinerário da viagem. Beijo no marido e lá fui eu, rumo a Tailândia.

De Praga, na República Tcheca, fiz conexão em Zurique, na Suiça. Cheguei a pensar que estava no avião errado. Onde estavam os hippies de rasta no cabelo? O povo quase corcunda com cara de sofrimento e mochila pesada?

Olhei ao redor e tirando uns cinco tailandeses, o resto dos passageiros eram todos de meia idade. Sim, velhinhos e suas senhorinhas. E eu me perguntando que raios eles iriam fazer em Bangkok.

Descobri que eu era a única largada, de tênis vermelho respingado de tinta amarela (resquícios da pintura da cozinha!), blusa verde, sem um pingo de maquiagem na cara de zumbi morrendo de sono.

O voo foi tranquilo, porém cansativo, ainda mais com a diferença de 6 horas a frente da República Tcheca, de onde sai (9 horas de diferença do Brasil). Percebi que toda a calma que eu vinha demonstrando até então era puro fingimento.

Meu coração batia tão acelerado que mais parecia bateria de escola de samba em dia de desfile. Medo da imigração. Medo de sacar dinheiro no caixa automático e ter meu cartão bloqueado.

Medo de pegar um táxi no aeroporto e me cobrarem uma fortuna com base nessa minha cara branca ou de cair numa das tantas armadilhas e esquemas que havia lido em dezenas de sites de viagens. Mas não. Tudo nos eixos.

“Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro” – Michel de Montaigne

Bangkok: primeiros passos na Tailândia

Aterrissamos em Bangkok as 5h30, e os termômetros já marcavam 27ºC. E eu que havia saído de uma temperatura de 5ºC negativos!

Pelo visto peguei a fila da imigração mais devagar e a tailandesa mais detalhista para observar passaporte, e quando chega a minha vez a danada me manda voltar e passar antes no controle de vacinação, para o médico carimbar minha carteirinha onde constava minha vacina contra a febre amarela, pois estava entrando no país com o passaporte brasileiro.

Corro, volto, final da fila. Fila diferente. Mas devagar igual. Mais meia hora. Saquei o dinheiro, entrei no táxi com cara de quem “bate cartão” na Tailândia e disse: “- Meter, Khao San Road”. Só eu mesma acreditando que era malandra!

No trajeto de táxi entre o aeroporto e o hostel, tive a sensação de passear pela Marginal Pinheiros, em São Paulo. Temos uma ideia controversa de achar que só porque é Ásia, tem que ser atrasado. Um equívoco sem tamanhos.

Um trânsito infernal, mesmo logo cedo. Um barulho de buzina, um ar abafado e por todos os lados, diversos tuk-tuk (uma espécie de moto-taxi com três rodas) cortando entre os carros (pior que motoboy, eu garanto!).

Hostel Shambara, onde fiquei em Bangkok!

Cheguei no albergue em Bangkok e o check-in só seria possível as 13h, e eu implorando por um banho gelado e uma cama onde eu pudesse esticar meu corpo moído e dormir pelas próximas três horas. Doce ilusão.

Quis matar dois, depois quis me afogar no laguinho de carpas. Meio que no automático, exibindo uma cara de zumbi da meia noite, sai pela redondeza para tentar tapear o sono.

Mas depois de meia hora resolvi voltar, estava de calça jeans, um sono terrível, um calor infernal… Me restou o banco da recepção, onde com dó de mim a recepcionista boazinha me deu uma almofada e lá fiquei, derretendo, estapeando mosquito, até que 11h30 alguém realmente se apiedou de mim e me deixaram entrar no quarto.

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Depois de descansada, meu estômago começou a implorar por comida. Sai para caminhar pelas ruas de Bangkok e no meio do caminho achei um lugar para fazer massagem nos pés com peixes!

Sim, um aquário grande, cheio de peixinhos famintos, onde você coloca seu pezinho cansado e eles comem a pele morta dos pés. Muito estranho, bizarro! Achei uma barraquinha de rua que parecia limpinha e comi um macarrão divino, Pha Thai, sentada na guia e vendo o povo passar.

“Quem se vence a si mesmo é um herói maior do que aquele que enfrenta mil batalhas contra milhares de inimigos” – Texto Budista

Bangkok – templos budistas na Ásia

Bangkok foi o início de minha viagem pelo sudeste Asiático, o início da concretização de um sonho antigo, que era fazer um mochilão sozinha pela Ásia.

O que dizer sobre Bangkok? Em uma palavra, assim sem pensar muito, eu diria ‘quente’. Muito quente. Abafada.

À noite, já no albergue, fiquei com receio de dormir com o ventilador ligado e acordar gripada ou com dor de garganta. Então, acabei me contentando apenas com a janela aberta, sem esquecer de baixar a tela contra mosquitos.

Dormi o sono dos justos, e 6h30 já estava acordada e disposta, pronta para caminhar pelas ruas de Bangkok até cair! Tomei o Nescafé aguado com uma fatia de pão de forma que o albergue oferecia como ‘cortesia’ no café da manhã e, munida de um mapa, câmera fotográfica, protetor solar e garrafa de água, saí para explorar os pontos turísticos de Bangkok.

Visitei cinco templos ao longo do dia, sempre tendo que cobrir os ombros para visita-los. Vale lembrar que mulheres, caso estejam de saia, a mesma deve ser abaixo do joelho. Dica: uma forma fácil é levar sempre um lenço de cabelo a tiracolo.

Um dos templos, Wat Chana Songkhram, me fez chorar copiosamente. Foi olhar para o Buda para as lágrimas começarem a cair. Nunca fui de me importar muito com imagens de santos, sejam eles da religião que forem, mas existe uma magia no ar, que nos dá uma sensação de leveza e bem estar inexplicáveis. Rezei uma prece ao meu modo, mas mais precisamente agradeci por poder estar ali.

A maioria dos templos são ornamentados em dourado, tudo tão lindo, ostentando tanta beleza e riqueza, num contraste com a pobreza que se vê ao redor.

Também visitei os templos Wat Phra Kaeo, Grand Palace, Wat Pho, e Wat Arun, do outro lado do rio.

Na minha humildade opinião, achei as ruas de Bangkok barulhentas e caóticas. Como a grande maioria das grandes metrópoles. A poluição é tamanha que não era nem meio-dia e meu rosto, pés e embaixo das unhas já estavam pretos de tanta fuligem. Mas incrivelmente as tailandesas não parecem se incomodar nem com o trânsito e nem com a poluição.

Não sei como conseguem, mas a grande maioria parece sempre impecável, sem uma gota de suor escorrendo pela testa, e com um suave cheirinho de talco! Resolvi não me importar, e tentar derreter sem reclamar! À moda tailandesa!

Gosto muito de observar as pessoas quando viajo. Tailandeses levam uma vida difícil, ou ao menos muito fora do convencional do que a maioria dos europeus (e também dos brasileiros).

Empurram seus carrinhos ambulantes de fruta ou comida sob um sol que castiga, e sempre com um sorriso no rosto. Falam rápido, e sequer parecem se incomodar com as centenas de turistas folgados que param no meio do caminho para tirar fotos. Levam uma vida simples, árdua, mas acredito que não se possa dizer sofrida.

Já a grande maioria dos turistas são absurdamente abusados. Deveria existir uma cartilha de bons costumes para turistas, sejam eles de onde forem. Muitos chineses visitam a Tailândia, e não vi um que não tivesse uma câmera fotográfica a tira-colo, e que não parasse no meio do caminho para mais uma foto a cada dois passos dados.

Outra leva engraçada de observar são as mulheres europeias, viajando com um pouco mais de conforto e não no estilo mochilão. Cheias de anéis, maquiagem, leque na mão.

Vi um casal com três filhos, a menina mais velha devia ter uns 8-9 anos, e num mercado de rua, já na beira do rio para pegar a balsa, a menininha com a mão tampando o nariz e reclamando em francês, provavelmente por causa do cheiro forte de peixe seco sendo vendido em todo canto. E eu me divertindo!

O cheiro às vezes incomoda mesmo, e às vezes não dava muita vontade de comer em qualquer canto. Tem cada coisa diferente (para não dizer estranha!), e a aparência não é das mais higiênicas. Mas as frutas são ótimas, uma mais saborosa do que a outra! E na maioria dos lugares, elas vêm dentro de um saquinho com uma mistura de sal, açúcar e pimenta. Soa estranho, mas eu me apaixonei!

A noite fui fazer massagem nos meus pezinhos cansados. As massagens tailandesas são o paraíso na terra. Dói bastante, mas os pés calejados logo acostumam.

Existem poucas coisas mais relaxantes depois de um dia visitando templos. No fim do dia, voltei para o hostel comendo uma goiaba branca quase do tamanho de um abacate, caí na cama e mais uma vez dormi o sono dos justos, exausta, mas feliz como nunca!

– Cruzando a fronteira entre a Tailândia e o Camboja 

Ayutthaya, mochilão rumo ao norte da Tailândia

Próxima parada da minha viagem barata pela Ásia: Ayutthaya, seguindo rumo ao norte da Tailândia.

E ansiosa, mais uma vez acordei antes do despertador. Muito difícil dormir nestes albergues em Bangkok, muitos mochileiros indo e vindo em horários inimagináveis.

Não eram nem 5h quando comecei a ouvir gente conversando; ainda tentei virar para o lado e dormir mais um pouco, mas a ansiedade (e o medo) eram tamanhos em pegar o trem e seguir viagem rumo ao norte da Tailândia, que não consegui ficar na cama por muito tempo. 5h50 e eu já estava de mochila nas costas, procurando por um táxi para me levar à estação de trem de Bangkok, Hualamphong.

Saindo de Bangkok: viagem de trem à Ayutthaya

Arrisquei o primeiro taxista que estava, convenientemente, estacionado na porta do hostel, que jogou o valor da corrida lá em cima, 250 Bahts, e perdeu feio.

O segundo, sem vergonha na cara, e sem piscar, já mandou 200 Bahts, e também ficou falando sozinho. No dia anterior havia conversado com um casal que disse terem pago 80 Bahts uma semana antes, e que deveria sempre dar preferência a táxis com taxímetro, e caso não fosse possível, que eu deveria barganhar ao máximo o valor da corrida, e jamais aceitar a primeira proposta.

Caminhei uns três minutos em direção a avenida e um táxi parou sem que eu pedisse. O taxista tailandês não falava uma palavra de inglês, mas apontou para o taxímetro e chegamos lá em menos de 15 minutos. Total da corrida: 51 Bahts! Já diz o ditado, quem tem boca vai a Roma, ou no mínimo faz uma viagem barata para a Tailândia pagando pouco!

Comprei a passagem para Ayutthaya sem problemas e meia hora depois estava na estrada. Eu e meu livro “First They Killed My Father”, que relata a historia de uma menina do Camboja que vivenciou o duro regime Khmer Vermelho (ou Khmer Rouge, em inglês) dominado por Pol Pot, e que aliás, super recomendo como opção de leitura.

A forma mais fácil e barata de chegar a Ayutthaya saindo de Bangkok é ir de trem. A viagem leva cerca de duas horas, e optei por ir de terceira classe, devido a grande diferença no preço. Passagem na segunda classe, com A/C saia por 240 Bahts, enquanto que na terceira classe paguei somente 15 Bahts!

Sem contar que viajar como as pessoas locais tem suas vantagens, e é uma forma muito interessante de realmente estar em contato com a cultura local tailandesa. Ao menos para mim. O senhor sentado no banco atrás do meu aproveitou a viagem para tranquilamente fazer sua barba, com direito a gilete e creme de barbear!

O trem era antigo, e ia a uma velocidade quase parando, mas como eu gosto de observar a paisagem ao redor, absorver a cultura, para mim foi algo sensacional.

– Homestay em Kampong Cham, na área rural do Camboja

“Partir! Nunca voltarei, nunca voltarei porque nunca se volta. O lugar a que se volta é sempre outro, a gare a que se volta é outra. Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia. Partir! Meu Deus, partir! Tenho medo de partir!…” – Álvaro de Campos

Mochilão na Ásia: chegando à Ayutthaya

Da estação de trem de Ayutthaya para o hotel foi uma rápida e fácil caminhada. Foi preciso cruzar o rio com uma balsa, que sai com grande frequência e custa 4 Bahts, mas para dizer a verdade, eu não sabia sequer para onde estava indo, simplesmente segui o fluxo.

Levei comigo, no mochilão, um guia turístico sobre o Sudeste Asiático (Southeast Asia on a Shoestring, Rough Guide), mas não o usei como bíblia, apenas como ponto de referência. Deixou a viagem mais a minha cara. Nesta viagem barata de mochilão pelo sudeste asiático, resolvi deixar a vida me levar, sem me prender muito a planos ou horários.

O hotel onde fiquei chama-se Bann Kun Pra, super gostoso e aconchegante, todo de madeira escura, beirando o rio. Mas só Deus sabe o quanto sofri com as mosquitos me picando a noite inteira, e me arrependi de não ter comprado um repelente antes! Para mais uma vez provar que o romance perfeito existe apenas nos livros e nos contos de fadas!

Paguei por uma cama em dormitório, mas não havia ninguém para dividir o quarto comigo (o que eu agradeci imensamente!), e acabei tendo o quarto todo só para mim. Mas o hotel também oferece acomodação privativa, para quem prefere e não se importa de pagar um pouco a mais por isso.

Antes de começar uma nova odisséia de templos, agora em Ayutthaya, decidi comer algo no hotel mesmo, e muito me admira não ter engordado nesta viagem, tamanha quantidade de delicias que provei!

Mais dicas de viagem entre Bangkok e Ayutthaya

– Onde ficar? Bann Kun Pra / Shambara Boutique Guesthouse (Banglamphu)

– Como chegar de Bangkok à Ayutthaya? De trem (Hualamphong em Bangkok), duração de aproximadamente 2 horas

– Site com informações para viagens de trem na Tailândia: Seat61

– Distancia entre Bangkok e Ayutthaya: 71Km

– Moeda local: Thai Baht

– Site com mais informações e dicas: Travelfish

– Use sempre taxis com taxímetro

About The Author

Sani Hadek já morou em 4 países e ama viajar desde criança. Em 2004 deixou tudo para trás e aventurou-se no mundo atrás de respostas para suas tantas perguntas. Desde então, roda o mundo com sua mochila suja e não desgruda da câmera fotográfica. Escreve sobre suas aventuras no Muita Viagem e sobre vida saudável em Raw4Happiness.

8 Comentários

  1. Boa tarde, estou interessada em fazer esse mochilao se tive ro contato da empresa que te ajudou ou orientou, me envie por email por gentileza!

  2. Adorei sua história de viajem.. achei incrível!
    Me identifiquei muito, pois também tenho esse sonho: Viajar para a Tailândia..
    Tenho fé e me organizo para tornar esse sonho real.
    Linda história, ótima viajem e sonho realizado!
    Hahahah beijinho no marido e lá vo eu!

  3. Ola Kallige. Não usei nenhuma empresa para organizar meu mochilao, comprei dois guias sobre a Asia e li muitos sites (a maioria em inglês), e fui planeando minha viagem e meu itinerário. Levei 6 meses :-) Boa sorte!

  4. olá Sani, eu curti muito a sua aventura asiática, tmbm tenho esse sonho, mas eu mal falo portugues imagine o ingles?vc acha que é muito loucura eu simplesmente pegar minha mochila e partir rumo a ásia? não tenho muita coisa que me prenda; aguardo ancioso sua resposta!!!

  5. Olá, queria saber qual a época do ano que vc foi? Existe uma época nao indicada??
    parabens!

  6. Oi, em que mês você viajou? Estou pensando em ir em Agosto ou Novembro pra Tailândia, quero ir pra Koh Pangan, Krabi, Pih Pih….queria saber qual dos 2 meses chove menos. Obrigada

    • Olá Gi! A Sani, quem escreveu este post, fez a viagem para a Tailândia no começo de Fevereiro e ficou quase até o fim de Março.

      Ela disse que de Maio a Outubro é a pior época para fazer a viagem por causa das monções, ou seja, muita água cai do céu.

      De Março a Maio é super quente. As temperaturas ficam altamente elevadas e é até difícil de caminhar, fazer passeios, etc.

      De Novembro a Fevereiro são os melhores meses para ir conhecer estes lugares que citou, pois o clima fica mais ameno e não chove tanto.

  7. Um dos países que mais tenho vontade de conhecer. Parabéns pelo relato!

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