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Mochilão pelo Peru: Linhas de Nazca

Um enigma do Peru: as Linhas de Nazca

Gustavo Villas Boas – Mochilão pelo Peru – Linhas de Nazca

Até que enfim meu roteiro de mochilão pelo Peru iria me levar para as Linhas de Nazca.

Desde criança, as formas geométricas, de animais, plantas e, claro, de humanos desenhadas há milhares de anos no deserto de Nazca, no Peru, atiçam minha curiosidade.

Foto aérea de uma das figuras mais conhecidas de Nazca, o macaco, com cerca de 90 metros por 60 metros

Foto aérea de uma das figuras mais conhecidas de Nazca, o macaco, com cerca de 90 metros por 60 metros

– Mochilão pelo Peru: o que fazer e roteiro

Como o povo nazca traçou aqueles desenhos que só podem ser vistos do alto, de aviões? Por que tanta gente acredita que extra-terrestres estariam por trás dos desenhos no deserto de Nazca, próximo a costa sudeste do Peru? Será que vou ter coragem de voar nos pequenos aviões que levam os mochileiros para ver do alto o tesouro arqueológico?

O avião que me levou pelo passeio de 45 minutos sobre o deserto

O avião que me levou pelo passeio de 45 minutos sobre o deserto

Eram muitas as perguntas na minha cabeça e o acaso me ajudou a responder a última. Tive coragem de subir nos pequenos aviões que sobrevoam as Linhas de Nazca porque não precisei pensar: quando desci no terminal de ônibus de Nazca, um guia voou em mim e no caminho de 15 minutos entre a pequena rodoviária e o hotel confirmei que voaria em menos de duas horas.

Na foto, um pouco abaixo da asa está o astronauta ou gigante de Nazca

Na foto, um pouco abaixo da asa está o astronauta ou gigante de Nazca; a última foto tem ele grande

O guia me ofereceu três tipos de voos sobre as Linhas de Nazca. A diferença está na altura em que o avião voa, no número de passageiros e na duração das viagens sobre as mais enigmáticas ruínas arqueológicas do Peru. E, claro, no preço do tour.

Quanto custa voar sobre as Linhas de Nazca

Os voos mais comuns sobre o deserto peruano para ver os desenhos gigantes variam entre US$ 100 e US$ 150 –além da taxa para entrar no aeroporto, de cerca de US$ 20.

A moeda do Peru é o Nuevo Sol; durante minha viagem pelo Peru, entre maio e julho de 2014, a moeda do Peru valia pouco menos que o Real. O preço desse e de outros tours mais procurados (como as várias formas de chegar a Machu Picchu) eram sempre cotados em dólar.

O voo sobre as Linhas de Nazca oferece belas paisagens da cidade...

O voo sobre as Linhas de Nazca oferece belas paisagens da cidade…

... e ótimas vistas da região desértica no sul do Peru

… e ótimas vistas da região desértica no sul do Peru

Eu escolhi o voo mais caro, de quase US$ 150. Além de o avião voar mais próximo das Linhas de Nazca, o passeio duraria mais tempo (cerca de 45 minutos, ante 30 minutos do voo de observação dos desenhos de Nazca mais baratos) e o avião viajaria com menos pessoas.

Prometi não contar para ninguém: o guia fez tudo (incluindo o transporte de ida e volta ao aeroporto e o custo para entrar no parque aéreo) por 400 soles porque “sou amigo do Brasil”. Os gringos que voaram comigo pagaram uns 50 soles a mais.

Seriam apenas quatro passageiros, cada uma em uma janela, com sobrevoo sobre os desenhos mais famosos dos dois lados.

Como é voar pelas Linhas de Nazca

Antes do voo sobre o tesouro arqueológico, algumas informações

Antes do voo sobre o tesouro arqueológico, algumas informações

O aeroporto de Nazca (batizado de Aeroporto Maria Reiche Neuman em homenagem a principal investigadora dos geóglifos) fica coladinho à área dos desenhos mais conhecidos. Em poucos minutos de voo, já dá para observar os primeiros desenhos.

No meu passeio sobre as figuras de Nazca, o co-piloto ia indicando onde estavam os desenhos. Um mapinha ajuda os passageiros localizarem  o macaco, o beija-flor, a baleia e o astronauta, entre outros geóglifos.

Praticamente em todo o roteiro, o avião voa em círculos para que os viajantes dos dois lados vejam bem os geoglifos (no tour mais caro). Isso significa que não é preciso escolher o melhor lado e que o aviãozinho vai virar bastante. Saí bastante mareado do voo no Cessna –que chamei carinhosamente de Fusca Alado.

O teco-teco roda e gira: bom para ver os desenhos de Nazca, ruim para o estômago

O teco-teco roda e gira: bom para ver os desenhos de Nazca, ruim para o estômago

Vou ser claro: se eu voltasse a Nazca, acho que não voaria de novo sobre as linhas. Para mim, é uma das coisas para fazer na América do Sul mais super-estimadas. Mas se fosse voar, escolheria de novo o tour mais caro, mais baixo e mais tranquilo: se as linhas já não impressionam neste voo, nos outros devem ser apenas rascunhos.

Também, confesso, não escolhi a dedo a empresa aérea para voar sobre os desenhos de Nazca.

Depois de uma série de acidentes aéreos fatais entre 2008 e 2011, o controle das autoridades peruanas sobre os voos turísticos aumentou bastante (dizem), mas ainda assim, vale a pena ter cuidado ao escolher a companhia.

Os preços entre as poucas companhias que operam no aeroporto de Nazca são equivalentes e eu fui encaixado em um voo pelo guia. Há voos diários desde a manhã até o final da tarde e minha dica é deixar para comprar o passeio no dia, para ver as condições do céu.

Voei sobre o deserto de Nazca com a Aero Palcazu e o voo foi bem tranquilo. Durante a vista aérea das Linhas de Nazca, o co-piloto ajudava a enxergar os desenhos.

Recomendo a companhia Aero Palcazu? Não arrisco. Voar nos teco-teco de Nazca, muitos com dezenas de anos de operação, é uma escolha muito pessoal.

Entre as empresas aéreas bem cotadas para fazer o passeio estão a AeroParacas e a Alas Peruanas. Por sinal, são mais bem cotadas do que a que voei.

As Linhas de Nazca do chão — ou quase

Além voar sobre as linhas, dá para ver alguns poucos desenhos de um mirante localizado na Rodovia Panamericana, há poucos quilômetros da bonita praça principal de Nazca.

A rodovia Panamericana e o mirante para quem quer ver (poucos) desenhos de Nazca mais de perto

A rodovia Panamericana e o mirante para quem quer ver (poucos) desenhos de Nazca mais de perto

Eu não fui, mas me arrependi de não ter incluído o mirante no meu roteiro por Nazca: além de ver de perto as linhas e ter uma ideia melhor de como elas são feitas, é bem barato para subir na torre (2 soles) e dá para chegar de ônibus urbano. Não duvido que teria ficado mais impressionado do que o voo sobre os misteriosos desenhos do deserto de Nazca.

O Leonardo, no blog de viagens Tô Longe de Casa conta um pouco da experiência de ver as Linhas de Nazca dessa forma mais barata que os voos.

Curiosidades sobre as Linhas de Nazca

As Linhas de Nazca foram consagradas como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 1994.

Os desenhos só se tornaram conhecidos com o surgimento da aviação comercial, na primeira metade do século 20, quando pilotos perceberam os enigmáticos traçados ao voar nas rotas do sul do Peru.

Fusca-Alado.

Fusca-Alado.

São os mais famosos, enigmáticos e gigantes geóglifos (desenhos feitos na superfície da terra) do mundo. Alguns dos dos mais de 300 desenhos chegam a quase 200 metros de comprimento.

Muita gente acredita que alienígenas fizeram os desenhos e invocam o astronauta como prova. Dizem que os desenhos são uma espécie de sinais para um aerporto de ETs.

Vendo pessoalmente, e conhecendo muitas das ruínas pré-colombianas da América do Sul, posso afirmar que é uma bobagem completa: os nativos americanos fizeram coisas muito, mas muito mais complexas que aqueles traçados.

Olha o astronauta, ou gigante, no cantinho direito; por causa do cabeção, tem gente que jura que é ET

Olha o astronauta, ou gigante, no cantinho direito; por causa do cabeção, tem gente que jura que é ET

Não se sabe a razão que a cultura nazca traçou os desenhos, entre 500 A.C e 500 D.C. É um dos maiores mistérios da arqueologia (assim como o motivo da construção de Machu Picchu).

Muitos arqueólogos e estudiosos, como a própria Maria Reiche Neuman, acreditam que os traçados peruanos ajudavam a observações astronômicas, além de ter funções rituais e de ser uma forma de se comunicar com as divindades,

Os desenhos também constam de uma lista de patrimônios ameaçados em 2012.

Além de fenômenos climáticos como o El Ninõ, que eventualmente podem inundar a desértica área, onde quase nunca chove, a ação humana ameaça o tesouro arqueológico.

Do alto, marcas de pneus de carros misturam-se e confundem-se com os desenhos.  E quando estive em Nazca, uma ocupação irregular de barracas cercava o aeroporto na borda do deserto de 500 quilômetros quadrados que guarda os geóglifos de Nazca…

Há outras atrações arqueológicas ao redor de Nazca, mas a frustração com o voo de avião sobre as linhas, somado a ansiedade de chegar a Cusco, meu próximo destino do mochilão, me tirou em menos de 24 horas da cidade.

Depois descobri que é comum a cidade entrar de passagem no roteiro de mochilão pelo Peru. Uma rota comum de mochileiros no Peru é Lima – Ica (Huacachina) – Nazca – Cusco, a mesma que eu fiz.

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

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