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  • Viva a África do Sul!

    Cabo da Boa Esperança, vivendo a história...

  • Praia de Boulders: alguns rochedos, águas cristalinas e muitos pinguins...

  • Subindo a trilha da Lion's head: ecoturismo na África

  • Farol do Cabo da Boa Esperanca, é muita viagem!!

  • Vista de Camp's Bay do alto de Table Mountain

  • Vista da Robben Island para a Lion's Head e Table Mountain

  • Robben Island, passeio pra quem gosta de aventuras...

  • Jardim Botânico Kirstenbosch: paisagens de tirar o fôlego...

  • ... e o incrível castelo do Cabo da Boa Esperança.

Viagem à África do Sul: intercâmbio com aventura!

Por Sheila Moreira

Encante-se pela África do Sul! Se você ainda não foi para a África do Sul, não sabe o que está perdendo. A terra de Nelson Mandela tem tantas atrações turísticas que é bom se programar para fazer de tudo um pouco.

Praias lindíssimas, safáris, cânions, vinícolas, bungee jumping e mergulho com tubarões são algumas das atrações que o país oferece. E o mais importante: tudo muito barato, já que o nosso real vale quatro vezes mais que a moeda local, o rand (ZAR).

Estive lá no início de 2013 e conheci muitas cidades, porém, por conta do curso de inglês em que me matriculei, fiquei a maior parte do tempo na cosmopolita Cape Town. Encontrei muitos brasileiros por lá, a maioria também estudando em alguma das diversas escolas de idioma da cidade.

Uma atração cultural muito peculiar são os 11 dialetos falados pelo povo. Entre os negros, o zulu e o xhosa são os mais populares e dão um sotaque todo especial ao inglês local. Já entre os brancos, o dialeto principal é o afrikaans, imposto aos negros em tempos de apartheid. Muitos negros também falam o afrikaans, mas não se orgulham disso, pois o dialeto é sinônimo de repressão e sofrimento.

O clima sempre quente, a comida e o carisma da população sul-africana (e também de outras nacionalidades africanas) me fez acreditar que o Brasil realmente é um pedaço desprendido do continente africano.

Table Mountain, a guardiã de Cape Town

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Lion’s head vista do topo da Table Mountain

Em Cape Town eu me senti no Rio de Janeiro: a proximidade do mar, a Table Mountain e seu bondinho, a Lion’s Head e muitos turistas. Vista de qualquer ponto da cidade, a Table Mountain é uma atração a parte, já que de seu topo podemos ver toda a cidade.

Dica: os ingressos são mais baratos quando comprados online http://tablemountain.net. A subida pode ser feita de bondinho (185 rands ida e volta ou 100 rands somente um trecho) ou por uma trilha de aproximadamente duas horas.

Geralmente, os mochileiros formam grupos e optam pela trilha. É aconselhável iniciar a caminhada depois das 16h, quando o sol está mais fraco (lá é muito comum fazer mais de 40º C), e depois aproveitar a vista do pôr do sol.

No entanto, é preciso ficar de olho porque, muitas vezes, devido às condições climáticas e de segurança, o público é impedido de chegar ao topo da montanha. No site da Table Mountain, é possível acompanhar se o local está aberto ou fechado para visitação.

Subir a Lion’s Head antes de fazer a trilha da Table Mountain pode ser um bom treino (passei mal de calor no dia em que fui, fazia 41º C): a subida leva cerca de uma hora e do topo é possível ver a praia de Camps Bay, os “Doze Apóstolos” (conjunto de montanhas rochosas) e a Robben Island, onde Nelson Mandela ficou exilado durante alguns anos.

As geladas praias de Camps Bay e Clifton

Para conhecer Camps Bay (e suas mansões) e as quatro praias de Clifton há várias alternativas: van, ônibus de city tour ou táxi. As vans saem do centro da cidade, passam pelos bairros de Green Point e Sea Point, e vão até a praia de Camps Bay por apenas 5 rands. De lá dá pra ir a pé até as praias de Clifton.

Como eu tinha acabado de chegar na cidade, escolhi pegar a linha vermelha do sightseeing bus, por 150 rands, e fazer um city tour.

Com o bilhete hop on (comprado dentro do ônibus com dinheiro ou cartão de crédito), é possível usar a linha quantas vezes quiser durante o dia, ou seja, você pode descer nos principais pontos turísticos da cidade e pegar o ônibus de novo. Fiz o tour, desci em Camps Bay e fui andando por todas as praias de Clifton. Fui outras vezes, mas usei as vans para economizar alguns rands.

Nessas praias o vento é muito forte e a temperatura da água é de 12° a 14º C. Por isso, é comum ver pessoas apenas tomando sol, jogando vôlei ou frescobol. Entrar na água é quase um teste de resistência.

Praia de Camps Bay e alguns dos 12 apóstolos ao fundo

Praia de Camps Bay e alguns dos 12 apóstolos ao fundo

Long Street: onde ficar, onde comer… tudo é lá!

Restaurantes, bares, baladas, hostels, teatros, lojas e escolas de inglês. Tudo isso é possível encontrar na avenida Long Street e, por isso, os moradores de Cape Town costumam dizer que a “Long Street é longa”. Localizada no centro da cidade, a “Long” oferece diversão para todos os gostos.

Onde sair? Lá, fui em um pub chamado The Dubliner. Na verdade é um pub no térreo e balada no segundo andar. Também fui no Stones, bar balada que agrega muita gente diferente e toca músicas bem diversificadas. Outro bar balada de que ouvi falar muito bem foi o Zula Sound Bar, mas esse não cheguei a conhecer. Em média, a portaria custa 30 rands sem consumação.

Onde comer? Para comer há muitos lugares que variam os cardápios desde o tradicional “fish and chips” até carnes de caça. Para experimentar carnes exóticas, como, por exemplo, crocodilo, o lugar mais indicado é o Mama Africa. Difícil mesmo é entender o cardápio, mas os garçons são bem atenciosos e há brasileiros trabalhando por lá. Quem me ajudou foi uma garçonete sul-africana que morou em Aracaju durante um ano e falava um pouco de português.

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Mama’s Wild Game Mixed Grill: espetinho de carne de crocodilo, avestruz, antílopes e veados…

Depois de muito perguntar sobre o menu, a maioria escolhe experimentar os itens “wild game” do cardápio. O prato mais tradicional é Mama’s Wild Game Mixed Grill, um combinado de espetos de crocodilo, avestruz, kudu, springbok (antílopes) e linguiça de veado (venison), que sai por 200 rands. Não é barato, mas vale a experiência de experimentar carnes de caça. Eu e minhas amigas ficamos com receio dos exóticos sabores, então pedimos os espetos e dividimos em três pessoas. Além do restaurante, o Mama Africa tem um bar, onde muitas bandas de música típica se apresentam. O lugar é sempre cheio, então é melhor reservar mesas.

Outra atração legal da Long Street é o The African Dance Theatre. O ingresso custa 160 rands e o espetáculo musical acontece de segunda a sábado às 18h.

O centro de Cape Town

Se estiver no centro de Cape Town, não se preocupe em usar vans, ônibus ou táxis. Apesar de parecer muito grande, é possível conhecer museus e feiras a pé.

Bem próximo a Long Street está o Green Market Square, uma feira de artesanatos africanos que atrai muitos turistas. Os produtos oferecidos são muitos e, por isso, é preciso pechinchar. Paguei 60 rands em um bolsa que inicialmente custava 100 rands, por exemplo. Lá os preços são altos justamente para atender os descontos pedidos pelos turistas.

São muitos os museus no centro e grande parte fecha às 16h. O Gold Museum, o Castle of Good Hope e o District Six Museum são os mais procurados pelos turistas. District Six é o nome de um antigo bairro residencial de Cape Town, de onde foram removidos mais de 60.00 mil habitantes (negros) pelo regime do apartheid. Parte do solo da área foi salgado para impedir que alguém voltasse a viver lá.

Caso a estadia em Cape Town seja breve, uma boa dica é usar a linha vermelha do sightseeing bus, que para em todos os museus e outros pontos turísticos do centro da cidade, inclusive na Table Mountain.

Waterfront e Robben Island

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Waterfront, lugar onde as culturas se encontram…

Para visitar a Robben Island, é preciso comprar ingressos pelo site (230 rands, www.robben-island.org.za) ou no Nelson Mandela Gateway, em Waterfront, que é uma grande área comercial localizada dentro de uma zona portuária. O local oferece lojas, restaurantes, cinema, shows de música africana ao ar livre e agências de viagem.

Os barcos para a Robben Island também saem do Nelson Mandela Gateway e a viagem dura cerca de 30 minutos. A visita é feita em grupos e monitorada por funcionários que contam a história do local e de presos políticos, como Nelson Mandela, que eram submetidos a trabalhos forçados e viviam em condições precárias. A cela de Mandela é trancada para que os objetos se mantenham intactos.

Apesar de linda, a ilha se tornou um lugar triste por sua história. O passeio vale a pena para aprender um pouco mais sobre aqueles que lutaram pela igualdade racial na África do Sul em tempos de apartheid.

O Two Oceans Aquarium, também em Waterfront, mostra um pouco da vida marinha dos oceanos Índico e Atlântico. O preço é de 80 rands, mas estudantes com carteirinha das escolas de idioma locais pagam metade. É um passeio barato, rápido e bem legal para fazer na viagem à África.

Em Waterfront há muitas empresas que oferecem shark diving (mergulho com tubarões) por 700 rands. Durante um passeio de barco, os turistas são colocados dentro de uma gaiola e os tubarões são atraídos por pedaços de carne fresca. As gaiolas são colocadas um pouco abaixo da superfície e os tubarões, atraídos pelo sangue, atacam os pedaços de carne. Não mergulhei, mas esse é um dos passeios mais procurados entre turistas que visitam a África do Sul.

Pelos trilhos sul-africanos

Alguns passeios que são oferecidos por agências de turismo ou pelas escolas de inglês de Cape Town podem ser feitos de uma maneira muito mais econômica: de trem. A estação fica no centro da Cape Town e ao comprar os bilhetes temos que optar pela primeira ou terceira classe, mas nenhum dos dois custa caro. Os preços variam de acordo com o destino, ou seja, quanto mais longe você for, mais caro pagará pelo bilhete. Eu recomendo os bilhetes de primeira classe, pois há mais bancos nos vagões que não ficam tão cheios. A terceira classe é semelhante aos trens e metrôs de São Paulo em horários de pico.

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Praia de Boulders, águas cristalinas, mas muito geladas…

Para conhecer o Cabo da Boa Esperança, por exemplo, basta ir de trem até Simon’s Town. De lá é possível pegar vans que vão direto para o Cabo, mas também há a possibilidade de parar em Boulder’s Beach, onde podemos visitar uma colônia de pinguins. Nós descemos em Boulder’s Beach e combinamos que o motorista voltaria em duas horas para nos levar ao Cabo da Boa Esperança.

Para entrar no parque nacional do qual o Cabo faz parte, é preciso pagar 180 rands. A entrada parece meio cara, mas acho que é bem paga. Ver aquela paisagem incrível (talvez uma das mais bonitas que já vi na vida) me fez esquecer os 180 rands. O combo trem/van compensa, mas se puder alugue um carro. Além da experiência de dirigir na mão inglesa, a economia será ainda maior. É bem barato alugar um carro na África do Sul!

Ainda de trem você pode ir até praias de águas quentes (mais apropriadas para banho), como Muizemberg e False Bay ou até a famosa vinícola de Stellenbosch. Um mapa ferroviário está disponível em http://gometroapp.com/.

Para o charmoso jardim botânico de Kirstenbosch, que sedia o festival Summer Sunset Concert, é necessário desembarcar na estação de Claremont e pegar um táxi (cerca de 60 rands) até a portaria.

Nunca deixe de pechinchar os preços das corridas com os taxistas. Uma boa alternativa é combinar o preço antecipadamente, para evitar que o taxímetro seja ligado e, também, maiores custos.

Caso queria fazer várias paradas em diversos pontos turísticos para otimizar o dia, a linha azul do sightseeing bus pode ser uma boa opção. Além de parar em Kirstenbosch, o ônibus passa pela vinícola Constantia Groot, onde podemos degustar bons vinhos por apenas 30 rands.

África Safári: aventuras nas savanas africanas

Não fiz nenhum safári nas proximidades de Cape Town, viajei alguns quilômetros e fiz safáris na cidade de Plettemberg Bay e no Kruger National Park. Muitas pessoas que fizeram safári nas redondezas de Cape Town não recomendam o passeio porque a atividade é feita em pequenas reservas com poucas espécies de animais.

No entanto, se o tempo é curto e não há disponibilidade para viagens mais longas, jamais volte da continente africano sem fazer um “África Safari” e aproveite as opções de turismo de aventura que Cape Town oferece.

3 Comentários

  1. Muito bom post! Eu sabia pouco sobre turismo do país, sabia somente do mergulho com os tubarões (vontade!).
    Quantos dias de estadia você recomenda para aproveitar bem a viagem turística? (não é para curso de inglês/intercâmbio)

  2. Olha esse roteiro que também é bem interessante: https://www.queensberry.com.br/programa/iaf003++africa+express+i

  3. Muito bom ler blog contando sobre a África do Sul e lembrar da minha passagem por 3 meses por lá. Muito bom post. Sou apaixonado pela África do Sul.

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