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Cruzando a fronteira da Tailândia para o Camboja

Por Sani Hadek

Quando planejei meu mochilão viajando 3 meses pela Ásia, tinha a intenção de viajar apenas para a Tailândia, conhecendo o máximo possível das cidades, praias e templos tailandeses.

Contudo, em minhas viagens, evito ter roteiros engessados, livre e disposta a mudar o planejamento prévio da viagem, sempre aberta a novos destinos, planos, ideias e descobertas.

Foi aí que, em uma tarde de sol, praia e solidão na ilha de Koh Lanta, me deu os “5 minutos”, e resolvi que no dia seguinte partiria para o Camboja.

Tinha muita vontade de conhecer o país e o templo de Angkor Wat (famoso para muitos por sua aparição no filme Tomb Raider, estrelado por Angelina Jolie), mas devido a situação política instável, e por ser uma mulher mochileira viajando sozinha, ainda tinha alguns receios.

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Siem Reap, no Camboja.

– As melhores praias da Tailândia

– Dicas para mulheres mochileiras

Passei a noite traçando meu roteiro pelo Camboja, pesquisando albergues e buscando informações logísticas da melhor forma de cruzar a fronteira da Tailândia para lá. Com um plano em mãos, joguei o medo de lado, respirei fundo, disse “até logo” ao paraíso e peguei o ônibus rumo a Krabi, para iniciar minha longa jornada até Siem Reap, no Camboja.

De Koh Lanta não existe conexão direta, então peguei um ônibus noturno, com a empresa Sawadee, de Krabi até Bangkok (cerca de 12 horas de viagem), a opção mais barata, que me deixou próximo a Khao San Road, em Bangkok, por volta das 4:00 AM, onde peguei um táxi comum (com taxímetro, sempre!) até o Terminal Norte de ônibus (Mochit).

A viagem de táxi durou cerca de 15 minutos (mas ainda era muito cedo, então leve em consideração o pesado tráfego, que começa a se formar entre 6:00 AM e 6:30 AM  nas ruas de Bangkok!), e custou cerca de 100 Baths.

Como chegar no Camboja?

No terminal de ônibus foi fácil encontrar onde comprar o bilhete de ônibus para Siem Reap, mas meu coração estava disparado, em uma mistura de ansiedade e medo.

Enquanto esperava o ônibus partir, comecei a conversar com um chinês que também estava fazendo mochilão na Ásia, indo para o Camboja, e me disse já ter ido ao país quatro vezes. O chinês parecia mais perdido do que eu, mas por via das dúvidas, resolvi seguir viagem com ele!

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“Tuk Tuk”, o táxi no Camboja.

A viagem até a fronteira foi tranquila, e por duas vezes, policiais pararam o ônibus para revistar os passageiros. A cada parada, meu coração parecia que ia saltar pela boca. Eu e o chinês éramos os únicos estrangeiros no ônibus, e depois me disseram que essas paradas são para tentar encontrar cambojanos ilegais na Tailândia. O desconhecido realmente prega peças na nossa mente e faz a imaginação correr solta.

O ônibus nos deixou bem na fronteira, e não houve a necessidade de pegar nenhum tuk tuk para chegar lá, como havia lido em minhas pesquisas pela Internet.

Talvez porque eu peguei o ônibus local e não o turístico, não sei. Mas prepare-se para ser abordado por dúzias de pessoas tentando ajudar. Nestas horas que a preparação e informação prévia ajudam, e ter idéia do que fazer e de onde ir para cruzar a fronteira são essenciais para não ser enganado e pagar pelo que não precisa.

Passei pelo controle da polícia tailandesa e logo mais pela da polícia do Camboja. Após preencher três formulários e entregar para o policial os 20 dólares referentes ao visto de turista junto com meu passaporte, valor esse que já havia sido informada por outros viajantes.

O policial olhou pra mim, olhou pros 20 dólares e pediu mais 200 Baths, o que também ouvi de outros mochileiros ser uma prática “normal”. Sorri, fiz cara de quem diz “Ah, seu malandrinho”, dei 100 Baths e disse “Eu não tenho mais”, ao que ele simplesmente respondeu “Ok”. Ok????? Ah, safado! Tá achando que eu sou turista de primeira viagem?!

Mais uma vez repito: vai viajar para o Camboja? Informe-se. Prepare-se. Existem muitos esquemas desonestos com turistas.

Ouvi relatos de pessoas que pagaram 1,200 Baths na hora de cruzar a fronteira, além dos 20 dólares. Por isso, fique esperto e não se deixe intimidar (mas também seja inteligente e não vá arrumar encrenca; lembre-se de que você é o estranho no ninho, e nem sempre vale a pena estragar a viagem para ganhar uma briga).

Minha primeira impressão quando pisei do lado do Camboja, em Poipet, foi quase de horror. Uma cidade suja, feia, crianças descalças correndo por todos os lados tentando carregar sua mochila em troca de alguns trocados, gente gritando tentando te colocar em um táxi.

Evite os táxis não credenciados, que normalmente vão te levar para qualquer hotel, menos aquele que você tinha em mente, pois recebem comissão para isso. Não importa quantas vezes você diga que já tem reserva. Então evite.

Também não há a necessidade de trocar dinheiro ali, pois a grande maioria dos hotéis aceitam dólares americanos.

Ainda com o chinês a tiracolo, peguei um ônibus gratuito até a estação para turistas, e lá conseguimos um táxi credenciado. Nos despedimos, agradecemos a companhia mútua, desejamos boa viagem e cada um seguiu seu rumo.

Enquanto esperava o táxi lotar com os 4 passageiros necessários, conheci um inglês que já morava em Bangkok há quatro anos e engatamos em uma nova conversa.

Para mim, essa é grande magia de uma viagem mochilão – as conversas inesperadas, as trocas de experiências e a reciprocidade das pessoas que viajam.

Logo duas alemãs chegaram e o táxi partiu para Siem Reap, em uma viagem que durou pouco menos de 2 horas.

O trajeto foi uma experiência a mais, e na estrada foi possível ver praticamente de tudo, principalmente pick-ups com a caçamba lotada de gente amontoada e até uma moto carregando 3 porcos vivos amarrados na garupa!

A paisagem ao redor da estrada é extremamente rural, com ruas de terra, casas simples, e muitas pessoas aleijadas (normalmente sem um braço ou uma pena), vítimas de minas terrestres – Saiba mais sobre este drama vivido pelo cambojanos.

Onde ficar em Siem Reap, no Camboja?

O inglês ficou no meio do caminho, e cheguei ao albergue Golden Temple Villa Guest House, na área do mercado antigo, sem problemas, coincidentemente o mesmo escolhido pelas duas alemãs.

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O que fazer em Siem Reap, no Camboja?

Esta área da cidade, onde fica localizado o hotel, é totalmente diferente do que vi ao longo da estrada. Realmente parece um outro mundo, totalmente construído para agradar turistas (mas nem sempre a viajantes, se é que você me entende!), com dezenas de restaurantes mais chiques, mas ainda assim com preços bem populares quando o valor é convertido.

Bom, se você curtiu o relato até aqui, continua comigo para ler todas as aventuras e lugares conhecidos por mim no Camboja, incluindo o que fazer em Siem Reap, o Templo de Angkor Wat, o homestay in Kampong Cham (totalmente fora da rota turística), e a capital Phnom Phen!

About The Author

Sani Hadek já morou em 4 países e ama viajar desde criança. Em 2004 deixou tudo para trás e aventurou-se no mundo atrás de respostas para suas tantas perguntas. Desde então, roda o mundo com sua mochila suja e não desgruda da câmera fotográfica. Escreve sobre suas aventuras no Muita Viagem e sobre vida saudável em Raw4Happiness.

1 Comentário

  1. Olá!
    Até que horas é possível atravessar a fronteira?

    Obrigado!

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