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Vilcabamba, o Vale da Longevidade no sul do Equador

Gustavo Villas Boas – Mochilão pela América do Sul – Vilcabamba – Equador

Vilcabamba, no sul do Equador, para descansar. Foi assim que coloquei o pequeno povoado no sul do Equador no meu roteiro de mochilão pela América do Sul. Vilcabamba seria a cidade que dividiria minha viagem pelo Equador e meu roteiro de mochilão pelo Peru.

 
 

O Vale Sagrado no sul do Equador: tranquilidade, misticismo e natureza em Vilcabamba

O Vale Sagrado no sul do Equador: tranquilidade, misticismo e natureza em Vilcabamba

Famosa no mundo inteiro por (supostamente) ter, relativamente, a maior população centenária do mundo, Vilcabamba é um vale de descanso encravado nos Andes.

E a tradição de ser um lugar para relaxar na América do Sul é, realmente, histórica: Vilcabamba, o Vale Sagrado, era uma região de descanso para a nobreza inca. Hoje atrai mochileiros, aposentados e famílias do Equador e do mundo em seus hotéis baratos em meio ao campo.

Não é difícil imaginar o motivo: o vale, cercado por montanhas e rios, tem um excelente clima (por lá, dizem que é o clima perfeito para o ser humano viver), paisagens estonteantes e é um ótimo lugar para fazer trilhas, observar pássaros, borboletas etc. Tudo com muita calma, devagarzinho.

Há muitas trilhas interessantes perto do povoado de cerca de 2 mil habitantes

Há muitas trilhas interessantes perto do povoado de cerca de 2 mil habitantes

fotos vilcabamba mochilao equador vale longevidade velhos andes 15

Cheguei em Vilcabamba para passar uns dois dias e fiquei uma semana no Vale Sagrado –como também é chamado o lugar. Além das paisagens e da natureza, Vilcabamba, por trás da imagem de tranquilidade, tem uma efervescente cultura.

O lugar reúne aposentados atrás de tranquilidade, mas também hippies, esotéricos e mochileiros por causa da sua aura mágica, como o Vale do Capão, na Chapada Diamantina brasileira, ou São Tomé das Letras, em Minas Gerais.

Entre as trilhas ao lado de rios e passeios à noite, fui descobrindo um pouco dessa cultura mágica de Vilcabamba.

Vale a pena conhecer as pessoas em Vilcabamba, um lugar mágico como a Chapada Diamantina no Brasil

Vale a pena conhecer as pessoas em Vilcabamba, um lugar mágico como a Chapada Diamantina no Brasil

O nome da cidade vem de vilca, uma árvore sagrada (para ser claro, uma árvore com propriedades alucinógenas) e bamba, ou vale em quéchua, o idioma inca.

Além das vilcas (no Brasil, conhecidas como angico), existem muitos cactus de San Pedro (com o qual se faz uma bebida alucinógena muito tradicional nos Andes) e uma grande oferta de ayahuasca, a bebida que, da Amazônia, se espalhou pelos Andes e pelo mundo.

Ou seja, a qualidade de vida do Vale Sagrado, apontado por muitos o melhor lugar para o ser humano viver do mundo, é apimentada pela oferta de rituais xamânicos e cultura esotérica. No mínimo, um caldeirão divertido.

Em torno da pracinha da igreja há restaurantes, lojinhas e mercadinhos

Em torno da pracinha da igreja há restaurantes, lojinhas e mercadinhos

Mas também quero lembrar uma coisa chata: aparentemente não é verdade que Vilcabamba é o Vale da Longevidade, onde muitas pessoas passam dos cem anos. A história remonta a década de 50, quando um reportagem da National Geographic surpreendeu-se com o número de centenários no pequeno paraíso equatoriano e registrou em uma reportagem de sucesso.

Mas… as pessoas mentem. Os velhinhos de Vilcabamba acrescentaram algumas décadas às suas vidas ao conversar com os jornalistas e a fama pegou.

Por causa da lenda, o local chamou a atenção e hoje é sede de um importante centro de pesquisa gerontológica no Equador.

Boas histórias não faltam no Vale Sagrado.

Na minha semana em Vilcabamba, aprendi que ali reúnem-se os ilumitati (seja lá o que for essa sociedade secreta), que os disco-voadores gostam de voar pelos céus locais e que ali é um bom lugar para as bruxas reporem a energia.

Também há muito o que fazer em Vilcabamba sem mergulhar no misticismo (ou em bebidas de poder).

Quase todos os dias (e às vezes à noite, sob a luz da lua), caminhei por trilhas que levavam a paisagens cheias de cores, montanhas, rios.

fotos vilcabamba mochilao equador vale longevidade velhos andes 16

Tanto a vista do pequeno povoado de longe quanto a variada coleção de flores que cercam as casinhas impressionam (é uma região úmida, próxima a Amazônia, que faz calor de dia e frio à noite, em uma empolgante mistura de ecossistemas).

Uma das atrações perto de Vilcabamba é o Parque Nacional Podocarpus, um dos lugares com maior biodiversidade no planeta, de árvores a borboletas, passando por pássaros, ursos e raposas.

Apesar de ter alguns tours pagos, minha semana em Vilcabamba foi uma das mais econômicas do meu mochilão pela América do Sul.

Com tantas ofertas, aproveitei para fazer passeios e caminhadas grátis, a comida é muito barata (come-se bem por US$ 2,50) e fiquei em um ótimo hostel por US$ 8 em um quarto privado.

Com o tempo, descobri algumas opções de hospedagem, já no meio da mata, ainda mais interessantes, com piscina, jacuzzi e outras mordomias, por preços que giram em torno de US$ 8, mas estava bem instalado e resolvi não mudar de hostel (em um mochilão barato pela América do Sul, é um prazer inenarrável encontrar uma hospedagem boa, barata e em quarto privado).

Trilhas, trilhas e trilhas --além de relaxar, dá para andar por belas paisagens

Trilhas, trilhas e trilhas –além de relaxar, dá para andar por belas paisagens e tirar muitas fotos

Como chegar em Vilcabamba

A cidade grande mais próxima de Vilcabamba é Loja, a apenas uma hora de viagem de ônibus (US$ 2). Os ônibus entre as duas cidades circulam durante todo o dia, não é preciso comprar a passagem com antecedência.

Se você está em um mochilão pela América do Sul descendo do Equador para o Peru, Vilcabamba é uma ótima opção para colocar no roteiro de viagem.

Loja tem ônibus direto para Piura, no norte do Peru, em dois horários –a meia-noite e às seis da manhã. Ou seja, Vilcabamba é ótima para uma paradinha antes de entrar no Peru, onde as viagens são mais longas e cansativas.

Eu estava evitando pegar ônibus noturno durante meu mochilão, mas encarei a viagem de 12 horas de Loja até Piura, no Peru, a partir da meia-noite.

Cruzando a fronteira entre o Equador e o Peru

Foi bom para ganhar tempo, mas foi estresssante cruzar a fronteira entre o Equador e o Peru de madrugada.

O motorista não parou no lado equatoriano, e quando eu passeio pela burocracia peruana, o clima não era dos mais agradáveis; me fizeram voltar a pé, de noite, para o Equador para bater alguns carimbos de saída do país vizinho.

A caminhada entre o posto de fronteira dos dois países era curta –uns 500 metros– mas tinha que passar, apenas com a luz da lua, sob uma ponte.

Para piorar, e para a alegria dos barraqueiros e dos militares peruanos na fronteira, uma matilha de cachorros encasquetou comigo e chegou pertinho, latindo, prontos para morder. O pessoal em volta, entre risadas, só chamou os perros de volta quando, sem opção, comecei a dar mochilada nos bichos.

No escritório da fronteira peruana, o burocrata se recusou até a emprestar a caneta para eu preencher a papelada.

Tudo deu certo. Mas sozinho, de madrugada, sem ter ideia de onde eu estava no mapa mundi, com um monte de militares e cachorros de mau humor ao redor, vivi, depois de 45 dias, o maior perrengue do meu mochilão pela América do Sul.

Gustavo

Gustavo está em algum lugar da América do Sul, em um roteiro de mochilão que começou em março, no Equador.

14 Comentários

  1. Adorei! Deu vontade de conhecer =) esse ano chego quaaaaaase até o Equador (vou até Máncora) mas volto. Mas ficou na lista das vontades sim.

  2. Eu achei lindo, vale a pena colocar na listinha. Mancora é pertinho, acabei de escrever sobre lá. :)

  3. Gustavo Farias eu vi… to te seguindo pra pegar as dicas ;) (com uma invejinha boa também! kkkkk)

  4. Olá Gustavo, estou indo para o Equador em dezembro, mas começando pela Colômbia. Vi num post navegando pela net sobre Vilcabamba e me apaixonei. Sou baiana, da Chapada Diamantina. Mas vi que a cidade já fica bem no sul do Equador. Vou pra Quito, Cuenca e queria trocar Guayaquil por Vilca…será que rola…

    • Oi Tarsila, vale muito a pena trocar Guayaquil (a cidade que menos gostei no Equador –e que muita gente nã gosta) por Vilcabamba. O Equador é pequeno e muito fácil de andar de ônibus, fica fácil ir depois de Cuenca.

      Abs

  5. E o mundo é uma caixinha de surpresas, Gustavo, acho que vou dar uma 'esticadinha' no meu mochilão (acho que uns 2 meses a mais de viagem, kkkk). Voltei aqui pra anotar as dicas de lá, já coloquei no roteiro. E de novo, parabéns pelo blog… não é das coisas mais fáceis achar infos tão detalhadas do Equador ;) Beijoooos

  6. Pretendo conhecer em breve

  7. Ola Gustavo,

    Estou aqui pelo EQuador. Nesse momento estou em cuenca. Voce acha que valeria a pena ir ate vilcabamba, sendo que so teria um dia para ficar la?

    Obrigada.

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