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Pista de patinação formada no inverno na cidadezinha holandesa

A vida de uma Au Pair brasileira na Holanda

Como se tornar uma au pair na Europa

Por Cecília Lara

Se você tem vontade de morar no exterior (Europa e EUA, especialmente) mas sua família não tem condições de te bancar e falta coragem para chegar em um país desconhecido sem um emprego garantido, uma boa opção é ser au pair.

Au pair é um programa internacionalmente conhecido e regulamentado diferentemente de país para país, mas a ideia é sempre a mesma: garotas jovens (alguns países e famílias admitem garotos) que saem de seu país de origem para cuidar de crianças (e fazer algum serviço doméstico) em países desenvolvidos.

Como trabalhar viajando pelo mundo

Em troca, recebem um salário, um quarto individual, comida, um curso de línguas e na, maioria das vezes, são convidadas a participar das atividades familiares. O conceito prevê que a au pair seja “parte da família”, na medida do possível.

O programa é muito popular na Europa e nos EUA, onde os trabalhadores domésticos são bem mais caros para as famílias de classe média do que no Brasil.

Fui au pair na Holanda durante um ano (a duração do programa também pode variar, mas geralmente são 12 meses) e posso dizer que é uma experiência que vale a pena.

É claro que tudo depende da sua capacidade de adaptação, de relacionamento pessoal, e, principalmente, da boa vontade da host family –como é chamada a família que recebe a au pair– , mas, de um modo geral, trata-se de um acordo que tem tudo para ser benéfico para ambas as partes.

Por que escolhi a Holanda

O rio Hollandse IJssel, em IJsselstein, na Holanda; ao fundo, a torre Gerbrandy, com 368 m de altura

O rio Hollandse IJssel, em IJsselstein, na Holanda; ao fundo, a torre Gerbrandy, com 368 m de altura

Escolhi a Holanda por vários motivos. Primeiro, porque pesquisei as condições em alguns países e a Holanda me pareceu a menos burocrática. 

Minha ideia inicial eram os EUA, mas lá a Au Pair tem que obrigatoriamente possuir carteira de motorista, o que atrasaria todo o meu processo. Havia também o fato de que os trâmites para a liberação de visto para brasileiros são mais rápidos nos países europeus.

Além disso, na Holanda teria a oportunidade de estudar duas línguas – o holandês e o inglês, que é falado perfeitamente por todos os holandeses.
Também sempre fui fã do estilo mais libertário do povo holandês, então achei que seria uma ótima pedida morar um ano no país.

A primeira coisa a se fazer é buscar uma agência especializada. Em São Paulo há muitas agências para au pair, e o melhor é mesmo procurar pelas maiores e mais conhecidas. 

Regularmente, essas empresas fazem reuniões com garotas interessadas e seus pais, onde todos podem tirar as dúvidas a respeito do programa.

A principal missão da agência, além de te orientar a respeito de documentação, é achar uma família para você e te auxiliar caso as coisas deem errado por lá.

Assim, elas vão te pedir uma espécie de dossiê: um questionário com seus dados, seus principais interesses, seus hobbies, fotos suas com sua família, com crianças etc.

A inscrição para a Holanda exigia experiência com o cuidado de crianças. Eu já tinha cuidado várias vezes do filho de uma amiga minha, bastou eu mandar umas fotos com ele e um depoimento assinado pela mãe.

Eles não são muito exigentes, mesmo porque as taxas que uma au pair tem que pagar são altas: atualmente, o preço fica em torno de R$ 2800 (a alta do dólar fez com que este valor subisse bastante), fora as passagens.

A host family também paga uma taxa mais ou menos do mesmo valor. Por conta desse valor alto, muitas au pairs que conheci lá não tinham ido através de agências, mas tinham encontrado suas famílias em sites como o AuPair.com.

A vantagem para a au pair é que o site é gratuito e, encontrando uma família, ela só tem que pagar as passagens (em casos extremos, a família holandesa assume até mesmo este custo).

As taxas de visto (há um visto específico de au pair) são todas pagas pela família, que também cuida de toda a burocracia na Holanda.

A desvantagem é que, caso a au pair e a família não se deem bem, não há para quem chorar: a au pair vai ter que se virar para arranjar sozinha outro lugar para ficar, e, dependendo da família, isso pode ser um problema grande.

Ijssesltein, uma pacata e simpática cidade

Eu fui por agência de au pair e acabei me dando bem, pois encontrei uma família ótima.

A agência enviou meu perfil para várias famílias e em pouco tempo (duas ou três semanas, talvez) me ligaram dizendo que tinha uma família interessada. Me mandaram o dossiê deles, e, à primeira vista fiquei meio assustada, pois eram quatro crianças (três meninos e uma menina) em uma cidade muito pequena, de apenas vinte e seis mil habitantes, chamada Ijsselstein.

A primeira coisa que fiz foi procurar a cidade no google e não achei nada a respeito dela! Mas em alguns dias a mãe, Daniel (sim, a mulher se chama Daniel), me ligou e nos demos bem ao telefone. Apenas dois meses depois, para alguns acertos burocráticos, eu estava partido rumo à Holanda.

A família era formada por Daniel e Jack, os pais, Djura, 9, Karsten e Feike, ambos de 7, e Sybren, de 5. Eles estavam muito acostumados à presença de uma estrangeira em casa: eu era a quinta au pair a entrar para a família.

Logo gostei do lugar: a cidade era realmente pequena, mas muito acolhedora e simpática. Fica a 40 minutos de trem de Utrecht, uma das maiores cidades da Holanda, e a mais ou menos 1 hora de trem de Amsterdam.

Tudo na Holanda é perto, porque o país é pequeno se comparado ao Brasil, e conheci várias cidades de trem.

Ijsselstein, como todas as cidades da Holanda, é cortada por canais onde patos passeiam, seja inverno, seja verão. Essa foto foi tirada em frente à minha casa, e toda a cidade é mais ou menos assim.

Ijssesltein, na Holanda, é pacata e pequena; a cidade é próxima aos maiores centros do país

Ijssesltein, na Holanda, é pacata e pequena; a cidade é próxima aos maiores centros do país

Nem é necessário dizer que a cidade é super segura, mas não há muito o que se fazer por lá. Então eu seguia a rotina durante a semana, que não era tão pesada, e nos finais de semana viajava pela Europa, quando tinha dinheiro.

O salário para uma au pair na Holanda é 350 euros, o que não é muito se você pretende viajar bastante. Mas eu levei algum dinheiro a mais e consegui conhecer várias cidades holandesas e algumas capitais europeias.

A rotina com as crianças

As minhas obrigações na casa eram dar café da manhã para as crianças, às 8h00, levá-las até a escola, dar uma arrumada na casa, buscá-las da escola, dar almoço (que é, na verdade, um lanche), levá-las até a escola de novo e buscá-las às 16h30.

Os pais chegavam por volta das 18h e aí minhas obrigações acabavam. Eu tinha as tardes de sexta e a quarta feira inteira livres (as mães, na Holanda, têm no mínimo um dia durante a semana de folga, para ficar com os filhos), além de todos os finais de semana, pois os pais geralmente ficavam em casa.

Às vezes eles me pediam para comprar vegetais ou passar aspirador na sala, mas os serviços domésticos paravam por aí. Por isso disse que tive sorte: algumas famílias pedem para a au pair faça o jantar, ou cuide das crianças nos finais de semana.

Eu tive sorte de encontrar uma família que era muito participativa e fazia questão de cuidar dos filhos enquanto estava em casa.

Nas noites de segunda e terça eu tinha aula de holandês e inglês, em outras cidades. E ia de bicicleta. Uma das coisas que mais sinto saudades na Holanda é isso, ir de bicicleta para qualquer lugar, inclusive ir de uma cidade a outra através de ciclovias às margens das rodovias, com total segurança.

Essa era a vista do meu quarto, tirada no dia de Natal:

Na Holanda, neva no final do ano

É muito frio no final do ano na Holanda

Atrações de Ijsselstein

Ijsselstein é um bom lugar para viver se você tem família com crianças. Tudo é feito a pé ou de bicicleta, e as crianças podem brincar o dia todo fora de casa, sem que você precise se preocupar.

É interessante passear por lá se você quiser saber como funciona uma típica cidade holandesa, pequena, bonita e pacata.

Há um moinho que fabrica cerveja artesanal própria, que vale a visita.

Vale a visita também a feira que acontece nas tardes de sexta feira, no centro, onde você pode comer o stroopwafel (típico doce holandês que está se tornando comum no Brasil) feito na hora. São dois finos waffles recheados por stroop, um tipo de caramelo, quentinho.

Durante o inverno Ijsselstein fica muito bonita. Nessa foto, na frente do moinho, eles jogam água em um terreno meio rebaixado, ela congela e se transforma em uma pista de patinação livre.

Destinos na Holanda

Cidades holandesas

A seguir, a Cecília Lara, nos conta sobre algumas viagens que fez por cidades na Holanda durante o período que trabalhou como au pair na Holanda, na pequena e simpática cidade de Ijsselstein.

Por Cecília Lara

Utrecht

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O cinema ‘t Hoogt

O primeiro lugar que conheci depois de Ijsselstein foi Utrecht, uma cidade muito legal. É tipo uma Amsterdam menor e com bem menos turistas, com a cena cultural bastante movimentada.

Tem vários teatros, casas de shows, cinemas, e quando não está muito frio, é uma cidade sensacional para se andar a pé ou de bicicleta. Muito bonita, com vários canais e lugarzinhos gostosos para sentar e tomar uma cerveja.

Toda sexta feira eu frequentava o cinema ‘t Hoogt, que fica escondido numa ruazinha sem saída. Um lugar delícia pra tomar um vinho antes de ver um filme. Às vezes, havia shows na própria sala antes das exibições.

Outro lugar que eu tenho muita saudade em Utrecht é o Tivoli, uma casa de shows. É um sobrado, bem pequeno, onde rolavam muitos shows bacanas. Vi o Cake e o Arctic Monkeys lá.

Pra quem gosta de rock, jazz, blues, pop, é uma boa dica.

Amsterdam

Mas todos sabem que a maioria das pessoas que visitam a Holanda só conhece mesmo uma cidade: Amsterdam. E não tem como deixá-la de fora do roteiro, mesmo.

Amsterdam é uma cidade única, diferente de outras capitais europeias. Passei vários finais de semana em Amsterdam, ou às vezes ia e voltava no mesmo dia, porque vale a pena mesmo que seja só para dar uma volta a pé pela cidade.

Há muitos lugares imperdíveis, como os museus Van Gogh e Rijksmuseum – este, com obras dos principais pintores holandeses, como Rembramdt e Veermer.

Ambos os museus estão localizados na Museumplein, uma praça grande com um gramado enorme, que no verão fica cheio de gente fazendo piquenique.

No verão, como todas as cidades europeias, Amsterdam mostra o que tem de melhor. Não que nas outras estações não valha a pena, mas com o calor tudo fica mais acessível e animado.

O inverno holandês pode ser bastante rigoroso. O mínimo que peguei no país foi zero grau, mas dei sorte.

Outros passeios turísticos que fiz em Amsterdam foi o Museu do sexo, o Bairro da luz vermelha, o Mercado das flores, a Praça Dam e o Palácio Real.

O famoso Bairro da Luz Vermelha, em Amsterdam | foto - Bjarki Sigursveinsson

O famoso Bairro da Luz Vermelha, em Amsterdam | foto – Bjarki Sigursveinsson

Mas depois de um tempo eu deixei de fazer coisas turísticas e ia a Amsterdam só para passear pelas ruas, tomar um café e assistir a um filme no Filmmuseum (a Cinemateca de lá, que agora é a Eye Filmuseum).

Como gosto muito de música, dois locais que frequentei bastante na cidade foram o Melkweg e o Paradiso, as principais casas de shows de lá.

Vale a pena checar a programação dessas duas casas antes de ir para Amsterdam, pois uma noite com um belo show pode ser um final ótimo para um dia de passeios.

No outono, Amsterdam é cinza, mas ainda é muito bonita.

Maastricht

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A Selexyz Dominicanae, uma das mais fantásticas livrarias do mundo | foto – Bert Kaufmann

Ainda na Holanda, outra cidade que vale muito a pena é Maastricht. Ela fica um pouco mais longe da região central, bem ao sul, quase na Bélgica. É pequena e muito linda.

Visitei no verão com duas amigas, e, como as demais cidades, é agradável para passear (especialmente em dias quentes) por suas ruas, canais, igrejas etc.

Dá pra fazer muita coisa em apenas um dia, mas há um lugar de visita obrigatória: a Selexyz Dominicanae, considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo, construída dentro de uma antiga igreja gótica.

Nas ruas de Maastricht você também vai encontrar lojas de tortas com vitrines como a abaixo.

As tortas de Maastricht são irresistíveis

As tortas de Maastricht são irresistíveis

Festival Lowlands

Uma au pair também tira férias...

Uma au pair também tira férias…

As au pairs tem direito a um período de férias, que varia de uma a duas semanas. Eu tive duas semanas em agosto, pleno verão, quando a minha família foi acampar em uma região de rios no sul da França.

Aproveitei para ficar uns dias em Londres, uns dias em Paris e para ir ao festival de verão de Lowlands, um dos maiores da Europa. Ele acontece em Biddighuizen, uma vila de pouco mais de 6 mil habitantes, mais ao norte da Holanda.

É um festival grande e já famoso, muito bem organizado, que dura três dias. Na época, pagamos cerca de 125 euros para os três dias, incluso espaço para acampar (o preço para 2013 é 185 euros, mas os ingressos estão esgotados).

Descemos na estação de Nunspeet, de onde saiam vários ônibus gratuitos, que em meia hora nos deixavam no local, na sexta feira à tarde.

Vimos shows do LCD Soundsystem, The Kaiser Chiefs, Arcade Fire, Sonic Youth, CSS, The Killers, Kings of Leon e muitos outros. 

O Sonic Youth fui uma das atrações do Festival Lowlands, na Holanda

O Sonic Youth fui uma das atrações do Festival Lowlands, na Holanda

A estrutura era ótima, com vários banheiros, várias opções de alimentação, cerveja barata e um espaço bom para acampamento. Um show de organização se compararmos com os festivais que vemos no Brasil.

Na segunda feira de manhã, muitos ônibus para levar todos para o trem. Com as filas organizadas, não demoramos nem meia hora para conseguir transporte gratuito.

Pra quem tem vontade de conhecer um festival europeu mas quer fugir dos mais conhecidos e lotados, como Glastonbury e Roskilde, o Lowlands é uma ótima opção.

Além de cidades holandesas, durante meu ano como au pair consegui conhecer Berlin, Paris, Londres, Bruxelas, Colônia, Hamburgo, Liege, entre outras, graças aos bons preços de passagens aéreas e terrestres entre países europeus e à proximidade dos lugares.

Portanto, se você é jovem e está disposta a cuidar de crianças e fazer pequenos serviços domésticos, pode aproveitar muito seu ano como au pair.

Não consegui aprender holandês, porque a língua é muito difícil! Mas meu inglês melhorou muito.

Conheci muitas pessoas e lugares, e com certeza foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida. Mas é preciso que haja cuidado ao escolher sua família, pois conheci meninas cujas famílias achavam ruim se elas fossem viajar ou se fizessem muitos passeios.

É bom deixar claro desde o início que precisamos de liberdade para aproveitar nosso tempo de folga e fazer a viagem valer.

Sobre Muita Viagem

Dicas e histórias de viagens. É feito por Gustavo, jornalista, Danilo, comissário de voo, e amigos, que vivem viajando pelo Brasil e no mundo.

9 comentários

  1. Oiii, gostaria de saber por qual agencia você foi Au Pair!
    Até pq eu estou pesquisando muito para escolher uma boa…
    Obrigada!

  2. Oi, a agência da Cecília era a ViaMC, mas pesquise em outras e veja referências atuais sobre ela.

  3. achei super legal, estou pesquisando muito, pois tb quero ir p Holanda e não tenho carteira de motorista, será se isso irá me atrapalhar? vou dar uma pesquisada sobre a empresa the Cecilia, até agora só achei a CI que manda para Holanda.

  4. olá ! eu gostaria de saber quanto você precisou pagar para completar todo o processo ! Obrigada

  5. olá! para ir à Holanda, o inglês intermediário é aceitado? eles exigem aprender o holandês também? normalmente tem limite de idade ou não? to beirando os 30 rsrs…

  6. O limite de idade é 30 anos, atualmente é obrigatório você ir por agência e sobre o inglês, bom, não sei responder, que dá pra ir, dá, mas terão mais dificudades

  7. Olá! Eu tenho interesse de trabalhar como Au Pair quando terminar a faculdade, mas tenho um empecilho muito grande: a falta de experiência comprovada com crianças. No máximo, passei algum tempo com filhos de amigos dos meus pais e com meu primo pequeno, mas não é algo que deva servir como experiência comprovada. Ao procurar emprego como babá, me deparo com a necessidade de experiência anterior para conseguir emprego… O que você sugeriria? Conhece alguém que passou pela mesmo situação? Obrigada!

  8. Tenho interesse, me dou super bem com crianças, sou tia de 11sobrinhos foras primos e filhos de amigas. Crio uma sobrinha hoje ela tem 15 anos e estou com ela desde que dinda 3 meses. Sou formada em Admintraçao de Empresas, falo inglês básico e espanhol. Me adapto bem e adoro desafios. Motivo maior é ter mais contato com novas culturas e conhecer pessoas e nada é mais sincero que as crianças.

  9. por agora estou a dizer um leve comentario. de inicio te digo parabens por este otimo trabalho neste site. quase sempre e extremamente dicil encontrar um otimo conteudo nesta net. Tudo por aqui esta legal. eu absolutamente gostei muito. a forma com as coisas aqui e publicado e otimo. voce tem minha admiracao

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