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Boa Vista: dicas de turismo na capital de Roraima

Roraima é um dos estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal, sendo o único localizado no hemisfério norte, acima da linha do Equador, faz fronteira com a Venezuela e Guiana. Já estive lá, assim como todas outras cidades da região Norte do Brasil, quero voltar para conhecer melhor.

A capital Boa Vista é a porta de entrada do estado, com temperatura média de 28ºC e grande umidade que vem da floresta. Próxima de Manaus, Venezuela e Guiana, Boa Vista, a capital de Roraima, oferece boas atrações para quem gosta de fazer uma viagem de ecoturismo e turismo de aventura. A cidade teve início em 1890, tendo sido projetada por inspiração nas ruas e avenidas de Paris.

Um destaque para a cidade é o seu folclore, com imensa riqueza cultural, além de rica e diversa fauna e ecologia. Um Estado de biodiversidade, assim é Roraima. Na foto em destaque, o Monte Roraima. [créditos foto]

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Boa Vista fica a poucas horas de carro da Venezuela (Santa Elena)

Ao norte, o cenário é diferente e não menos encantador. As estradas que levam à Venezuela entrecortam uma região de serras com um clima mais úmido. A receptividade é o símbolo da região. Há imigrantes de todas as partes do Brasil, das vizinhas Guiana e Venezuela.

Para quem gosta de arqueologia, a curiosidade deste destino é que Boa Vista abriga o povo Yanomami. É da língua deles que vem um dos significados para o nome Roraima: “Roro-imã”, que significa “monte verde”. Além dos Yanomami, há outras nações, entre elas os Waimiris-Atroarís, Ingaricós e Wapixanas.

A cidade tem a forma de leque, com ruas largas e bem iluminadas. As principais avenidas seguem para o Centro Cívico. Fique atento, pois infelizmente a cidade ocupa posição alta no ranking das mais violentas no trânsito, com engarrafamentos cada mais constantes.

O transporte público é um pouco precário. Há muitos táxi-lotação, mais rápidos do que os ônibus convencionais. Apesar da baixa infraestrutura, a cidade possui rodoviária no bairro do Caimbé que se assemelha a um shopping center, com praças de alimentação, lojas e jardins. No entanto, o terminal não é utilizado, tudo gira em torno do centro.

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O que fazer em Boa Vista?

O forte da região é o turismo de aventura. A geografia local favorece a prática de esportes radicais e contato com a cultura indígena para aqueles que querem se aproximar mais das raízes do nosso país.

As melhores dicas de viagem para quem está em Boa Vista são a Orla Taumanan, o Centro Cívico, a Praça das Águas, O Portal do Milênio, o Centro de Artesanato, Cultura e Geração de Renda Velia Coutinho, o Monumento ao Garimpeiro, o Parque Anauá e Praia da Água Boa.

Orla Taumanan

Um grande píer construído às margens do Rio Branco, ao lado do centro histórico, com plataformas suspensas. Na orla, há palcos para shows e quiosques que servem pratos e porções da gastronomia local. A música nos bares é MPB e sertanejo, geralmente com artistas ao vivo todas as noites.

É possível provar a culinária típica roraimense nos seus quiosques. Há espaços para caminhada e uma bela vista para o rio. No idioma Macuxi, a palavra “taumanan” significa “paz”.

Quase ao lado do Monumento aos Pioneiros está a Casa Petita Brasil, que pertenceu ao Coronel Theodoro Barreto, uma das primeiras famílias a chegar no Vale do Rio Branco, quando a região ainda pertencia à Província do Grão-Pará. O prédio em estilo neoclássico fundado em 1888 foi tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal por representar um marco na história de Boa Vista.

Centro Cívico

O coração da cidade, bastante arborizado. Ótima opção para caminhadas e bate-papo em seus quiosques. E bem no centro da Praça, o Monumento ao Garimpeiro, homenagem aos áureos tempos desta atividade, nos idos dos anos 80 e 90.

Caminhar pelo centro histórico é poder descobrir um pouco da Boa Vista antiga e visitar locais como: Meu Cantinho – um bar que pode passar desapercebido aos olhos do turista, mas com grande importância histórica. A casa era sede da Fazenda Boa Vista do Rio Branco, onde nasceu a cidade de Boa Vista. Assim como a Casa da Cultura e a Casa das Doze Portas, construções bem antigas.

Já o Centro de Artesanato, Cultura e Geração de Renda Velia Coutinho é um espaço rico em artesanato roraimense, principalmente artigos indígenas. Há shows, aulas gratuitas de ginásticas no período noturno, restaurantes e exposições artísticas permanentes.

Quem viaja mais para o interior, encontra alguns lugares com forrozinho pé de serra.

Parque Nacional do Monte Roraima

Fora da cidade, as melhores atrações turísticas são o Parque Nacional do Monte Roraima, Monte Caburaí, Serra do Tepequém, Ilha de Maracá, Pedra Pintada, Forte São Joaquim e o Marco da Linha do Equador.

O site de viagem Extremos elenca as 11 montanhas mais altas do Brasil, como o Monte Roraima (8.º lugar).

Praça das Águas

Inaugurada em 2000, é um espaço de lazer bem legal. A praça possui fontes luminosas que alternam suas cores conforme a música que é tocada.

No local tem também o Centro de Artesanato Velia Coutinho, com produtos feitos pelos artesãos do estado. No meio da praça foi construído o Portal do Milênio para celebrar a passagem para o segundo milênio da humanidade.

Já o Portal do Milênio foi criado na virada do segundo milênio na Praça das Águas. A beleza de sua arquitetura atrai muitos turistas.

Parque Ecológico Bosque dos Papagaios

Localizado no bairro Paraviana, são 12 hectares que abrigam animais silvestres e várias espécies de aves amazônicas como a arara vermelha, canindé, papagaios, entre outras. O parque funciona de segunda à sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h, e nos sábados e domingos, das 14h às 18h.

Praia Grande

Margeada de vegetação e com águas límpidas. Fica a 15 km do centro da cidade e o acesso pode ser feito de barco ou pela rodovia BR 174.

A Praia Grande, em Boa Vista – Roraima, é uma praia de água doce com extensa faixa de areia, que se forma na margem oposta do Rio Branco durante o período de seca, entre outubro e março. É um passeio muito bonito, onde a travessia tem que ser feita de barco. No local há ótima infraestrutura, com aluguel de caiaques, stand up e equipamentos para kit-surf.

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Praia de rio em Boa Vista, Roraima

Parque Nacional do Monte Roraima

Localizado no município de Uiramutã, a 300 km ao norte de Boa Vista, a região é uma excelente opção para os amantes de aventura. Perto do Monte Caburaí (ponto extremo do Brasil), o Monte Roraima é uma formação geológica conhecida como meseta (um tipo de chapadão).

– Relato de viagem pela Chapada Diamantina, na Bahia.

A fauna também é bem diversificada. Boa parte das plantas é endêmica, ou seja, só existe lá. São mais de 400 espécies de bromélias, 2 mil samambaias, orquídeas e plantas carnívoras.

Lindas cachoeiras como Rebenque, Paiuá, Sete Quedas e Garã-Garã podem ser acessadas através das vilas do Mutum, Socó e da sede do município.

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Monte Roraima, no lado venezuelano. | Foto: Claudia Salazar

Para se chegar ao Monte Roraima é preciso dar uma volta a mais e entrar pela cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. Ali os locais dispõem de toda a infra-estrutura para a escalada. Para entrar na Venezuela é exigido o passaporte. Não esqueça de levar o seu! A vacina contra a febre amarela também é obrigatória. Nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos é possível tomá-la gratuitamente.

O blog PriPeloMundo tem um relato bem bacana e maneiro da viagem e trekking que fiz por uma das montanhas mais altas do Brasil.

Do Monte Caburaí ao Chuí

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Foto do blog GeoSenna, que explica o ponto.

Monte Caburaí: Na fronteira do Brasil com a República da Guiana está o ponto mais setentrional do país (o mais ao norte).

O Monte Caburaí ganha do Oiapoque, no Amapá, que continua sendo o início do Brasil pelo litoral, mas não o ponto extremo norte do Brasil. Para se chegar lá, só por via aérea. Fica a 1465 m de altura. Dali é possível observar a nascente do Rio Uailã, que divide os 2 países.

Falar “do Oiapoque ao Chui” é errado, o correto é “do Monte Caburaí ao Chuí”.

Em Santa Elena de Uairén há agências de turismo e viagens que vendem pacotes e levam ao cume excursões de turistas. Duas delas são Pan Sur Expeditions e Orlando Alder.

Ilha de Maracá: No município de Amajari, a 158 km de Boa Vista, está localizada a Estação Ecológica Ilha de Maracá. É a primeira estação ecológica do Brasil e a terceira ilha fluvial em superfície, só perde para Marajó e Bananal. O clima tropical e úmido predominante faz com que a estação de chuvas seja longa: de abril a setembro. A fauna da Ilha de Maracá é muito rica e inclui espécies ameaçadas de extinção como a onça pintada, anta, ariranha e o guariba. A visitação só é permitida com autorização do Ibama e o acesso é pela RR 205 (asfaltada).

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Serra do Tepequém: Ainda no município de Amajari está a Serra do Tepequém com cachoeiras, bela flora regional e muitas trilhas. É possível se hospedar na pousada da Estância Ecológica Sesc Tepequém. Só não vale esquecer o protetor solar e o repelente! O acesso é pela BR 174 até o km 100, depois pela RR 203 até o trevo do Trairão. Para se chegar ao topo são 4 quilômetros serra acima. È recomendável que o veículo tenha tração 4×4.

Gosta de Aventura? Quer conhecer melhor pontos ainda pouco explorados do Brasil? Leia as dicas do blog do Ministério do Turismo.

Pedra Pintada: Localizada a 140 km ao norte de Boa Vista e na margem esquerda do rio Parimé, a pedra gigante é um monólito de granito com 60 metros de diâmetro por 35 metros de altura. Há pinturas rupestres vermelhas na face externa e uma caverna na base

Forte São Joaquim: Erguido em 1775 foi um local estratégico para a história de Roraima. Muitas lutas do domínio da coroa portuguesa contra os espanhóis, holandeses e ingleses ocorreram ali. O forte está a 32 km de Boa Vista, na confluência dos rios Uraricoera e Tacutú. Acesso pela rodovia BR 401 ou de barco num percurso com duração de uma hora

Marco da Linha do Equador: O monumento marca a passagem da linha imaginária do Equador pelo Estado de Roraima. Fica na beira da rodovia BR 174, no município de Rorainópolis, ao sul do Estado. Esotéricos costumam visitar o local por acreditarem que forças místicas mexem com a imaginação das pessoas por ali. Aproveite, afinal você pode passar do hemisfério norte para o sul com apenas um pulo!

Em Boa Vista um passeio que vale a pena é ir até a orla Taumanan e fazer um passeio de barco pelo Rio Branco (com duração de 3 horas). O barco leva você até o pé da Serra Grande. Ali, é possível fazer uma trilha de 5 horas até o cume, apreciando a beleza da fauna e flora local. Para os adeptos do ciclismo é possível levar bicicleta para a trilha. Há acomodações para o pernoite e o retorno é só no dia seguinte.”

Como chegar?

Para ir até Boa Vista é melhor comprar uma passagem aérea. Chegando lá alugue um carro, pois as rodovias são boas e é possível estender a viagem para a Venezuela ou Guianas pelas duas rodovias que cruzam Boa Vista – a BR 401 para a Guiana e a BR 174 para a Venezuela. Há duas horas da capital está Santa Elena, na fronteira com o país venezuelano. De lá, são mais sete horas até Caracas.

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Onde ficar em Boa Vista?

Quando fui, fiquei no hotel Aipana Plaza Hotel. O hotel é bem localizado e oferece um buffet com comida típica da região. Recomendo.

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Melhor época para ir para Boa Vista

Não existe uma melhor época para ir, pois durante o todo o ano há movimento de turistas. Contudo, as dicas para quem gosta de curtir “praia de rio” é aproveitar os meses de seca, ou seja, entre outubro e março, época em que o nível das águas do Rio Branco diminuem formando praias naturais em toda sua extensão.

Sobre Muita Viagem

Dicas e histórias de viagens. É feito por Gustavo, jornalista, Danilo, comissário de voo, e amigos, que vivem viajando pelo Brasil e no mundo.

3 comentários

  1. ***
    A primeira cidade do estado não é Boa Vista, é Rorainópolis. E só existe uma via de acesso aqui mesmo, que caracteriza o descaso de todos com esse estado.

    Infelizmente, nosso folclore não é valorizada e as comidas típicas não são encontradas com facilidade pelas ruas. Aliás a maioria que mora aqui desconhece as comidas típicas daqui, por conta da desvalorização desse estado. Tudo aqui é caro, e o trabalho aqui parece escravo. Grande parte das pessoas empregadas aqui não recebe o direito que tem em lei, pq precisa da mixaria que esse povo de fora paga pra gente.

    Aqui não tem engarrafamento, no máximo nos horários de pico, pq ainda temos a possibilidade de almoçar em casa.
    Aqui não tem “expressinhos” e o terminal do caimbé não é utilizado, tudo gira em torno do centro.
    Os bares daqui, toca sertanejo. Raiz mesmo é o forrozinho pé de serra que existe no interior.

    Não estou aqui pra diminuir a cidade onde moro, porque eu amo essa tranquilidade que raramente encontramos no demais estados, exceto no interior.
    A cidade é linda e limpa!!!
    Uma pena os pontos negativos que eu retratei.
    Mas olha, tira essa ideia de que aqui só tem índio, porque aqui tem mais gente de fora do que daqui.

  2. A distância de Boa Vista para Santa Ele Na do Uiarén é de aproximadamente 200 km e o trajeto demora cerca de 3 horas e não 7 horas como informado no texto.

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