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Cachoeira de São Vicente, na Chapada dos Veadeiros - Foto: Wikimedia

Dicas de viagem para a Chapada dos Veadeiros, o alto paraíso no Centro Oeste do Brasil

Luiza Sahd

Cachoeiras majestosas, trilhas para todos os níveis de preparo físico ou coragem, muito misticismo, gente boa e boa comida poderiam resumir o que é a experiência de conhecer a área mais alta do Centro-Oeste brasileiro,em Goiás, mas o conjunto da obra supera qualquer expectativa. Assentada sobre uma imensa camada de quartzo — que pode ser vista a olho nu em algumas formações rochosas da região –, a Chapada dos Veadeiros faz qualquer turista pilhado desacelerar e conectar com a natureza.

 

Não se admire se, durante a viagem, você se pegar fazendo coisas que não são do seu feitio, tipo passar horas contemplando as estrelas (e incrédulo com um céu tão limpo) até quase acreditar que, por ali, até os extraterrestres devem se sentir mais em casa.

Para que a viagem seja só de paz & amor, tome nota de dicas importantes antes de se mandar para a Chapada dos Veadeiros, esse pedacinho de paraíso na Terra.

– Dicas de viagem para a Chapada Diamantina

São Pedro ajuda?

QUANDO IR PARA A CHAPADA DOS VEADEIROS

Cachoeira no rio Preto, dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – foto: Antonio José Maia Guimarães

Antes de comprar as passagens aéreas, leve em conta que Veadeiros tem as estações de chuva (de outubro a abril) e seca (de maio a setembro) muito bem definidas. Isso muda completamente a paisagem e as condições das atrações por lá.

Durante a seca, a água é mais fria — contudo, os poços ficam muito mais bonitos, verdinhos e cristalinos.

Na época chuvosa, as cascatas têm volume maior, a água fica mais mexida e, portanto, mais escura. Não custa lembrar que fazer trilha na chuva adiciona lama e mais dificuldades ao pacote, apesar dos preços convidativos.

Onde ficar na Chapada dos Veadeiros?

AS BASES PARA CONHECER A REGIÃO

Quase sempre, quem manda é o bolso. Há opções para todos eles entre os municípios de Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcante, passando por spas, hotéis, pousadas, hostels e campings.

O ideal é planejar a rota de passeios e verificar, no mapa, qual dos três é mais estratégico para o seu trajeto.

– Booking: Pousadas na Chapada dos Veadeiros

O Vale da Lua é uma das atrações da Chapada dos Veadeiros – foto: Luiza Sahd

Locomoção

VALE A PENA ALUGAR UM CARRO

Alugar um carro é, sem dúvidas, a opção mais econômica para zanzar pela região. Além disso, você terá a liberdade de fazer os passeios conforme sua própria agenda.

O aeroporto de grande porte mais perto da Chapada dos Veadeiros fica em Brasília,a 260 km do Parque Nacional. Saindo de Brasília ou Goiânia, o carro já resolve o primeiro trajeto, que é a estrada para as cidades que são base para a Chapada.

Uma vez em Veadeiros, não conte com a opção de alugar um automóvel, porque não há locadoras por lá.

E SEM CARRO?

Foi o que fizemos, e isso pode te deixar à mercê da sorte ou dos preços para usar os carros dos guias locais.

Saindo de Brasília ou de Goiânia, existem alternativas como ônibus ou motoristas parceiros dos hotéis e pousadas que fazem o transfer.

Chegando lá, para conhecer os arredores, você pode ir ao Centro de Atenção ao Turista (CAT) de Alto Paraíso às 8:00h de cada dia, quando sai um maior volume de gente acompanhada de guias rumo às cachoeiras.

Muitas das cachoeiras da Chapada têm entrada restrita (turistas desacompanhados de guias do CAT não entram), e esse é o pulo do gato. Se você encontrar visitantes que queiram fazer passeios e não estejam de carro cheio, a ideia é se apresentar na cara de pau oferecendo uma grana para rachar gasolina e a diária do guia (R$ 150*).

Para te levar nos carros deles, os guias do CAT cobram a partir de R$ 450* (até 4 pessoas) para passeios de mais ou menos 5 horas.

Durante os feriados e finais de semana, se enturmar em grupos desconhecidos é relativamente fácil, mas nem sempre as pessoas vão escolher o passeio que você gostaria de fazer.

QUEM CEDO MADRUGA…

Cachoeira Santa Bárbara e suas águas cor de esmeralda – foto: Divulgação

Já dizia o ditado e não é à toa: acorde cedo para ir a toda e qualquer atração, especialmente as mais afastadas dos municípios-satélites do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e do Parque em si, porque, em quase todas as cachoeiras, a quantidade de visitantes é restrita. Quem chega tarde corre o risco de não entrar.

Cachoeira Santa Bárbara. Foto: Divulgação

DINHEIRO

Seja em Alto Paraíso, Cavalcante ou São Jorge — onde se concentram os hotéis e serviços próximos ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros –, a internet é bastante restrita e, portanto, a possibilidade de pagar tudo com cartões também. Levar dinheiro em espécie é imprescindível e pode te livrar de diversos apertos.

O que fazer na Chapada dos Veadeiros

ATRAÇÕES IMPERDÍVEIS

A Fazenda Loquinhas tem bonitas piscinas naturais na Chapada – foto: Luiza Sahd

Além das paisagens estonteantes do Parque Nacional, do Vale da Lua, da Cachoeira de Santa Bárbara e tantas outras, a região oferece mirantes com vistas lindas, como o Maitreya, o do Areião e o da Estrela.

Para fechar o dia, piscinas de águas termais são excelentes pedidas.

Um passeio quase subestimado é o da Fazenda Loquinhas: sem necessidade de entrada com guias (e trilhas tão fáceis que podem ser feitas de chinelo), o conjunto de piscinas naturais é a melhor ideia para um dia tranquilo e para relaxar as pernas depois das caminhadas mais desafiadoras. De tanto escutar que é um passeio para metade de um dia, quase não passamos por lá. Não se engane: Loquinhas é perfeito para curtir o potencial zen da região. E é linda.

Cachoeira São Bento. Foto: Divulgação

BARRIGA CHEIA

Saindo um pouco do óbvio, aproveite para passear pelas intermináveis lojas de cristais de Alto Paraíso, pelas feiras de produtos e artesanatos locais e mergulhe de cabeça nos sucos e sorvetes de frutos do cerrado, como os do café Cravo e Canela.

À noite, o município de São Jorge é uma boa pedida para dançar e beber.

Em qualquer época do ano, não deixe de provar o almoço mais famoso da região: a Matula do Rancho do Waldomiro. O prato típico é tão gostoso que, servido à vontade, a gente só lembra de parar de comer quando sente a morte se aproximando sorrateiramente. A boa notícia é que, no restaurante, há uma degustação de cachaças artesanais que facilitam a digestão (mas colaboram com o sono e a urgência de tirar um belíssimo cochilo depois).

BATE-PAPO

Catarata do Couro, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás – foto: Luiza Sahd

Mesmo que você seja uma pessoa tímida, faça uma forcinha para conversar com outros turistas e, sobretudo, com os moradores e comerciantes da região. Em quase todos os papos aleatórios travados durante uma trilha, um passeio ou uma parada para o lanche, recebemos dicas preciosas sobre a Chapada, conseguimos caronas, contatos de bons guias e histórias memoráveis. Se isso não ainda te parecer motivo suficiente para se enturmar por lá, lembre-se da possibilidade maravilhosa de salvar contatos na agenda telefônica com o nome de “Fulana Chapada” e rir disso para sempre.

Roupas e sapatos

O QUE LEVAR NA MALA

Não seja a pessoa que vai fazer trilha de shorts e All Star. Palavra de quem foi fazer trilha de shorts e All Star.

Em basicamente qualquer período, mas sobretudo no chuvoso, você vai molhar o tênis antes de chegar às atrações, e sapato escorregadio é só um drama a mais na hora de subir e descer pelas pedras. As pedras, aliás, são perfeitamente arquitetadas pela natureza para cortar seus joelhos se você for de shorts.

Quer um conselho bom? Vá de calça, tênis antiderrapante e leve, além de roupa de banho, uma toalha e chinelos na mochila. Você vai amar tirar as meias molhadas e ventilar os pés enquanto não estiver caminhando.

Para as trilhas, também é importante levar lanches. Subir e descer, nadar e tomar sol são a combinação perfeita para uma fome de leão.

Foto em destaque: Cachoeira de São Vicente – Wikimedia/ Creative Commons

*Preços estimados em março de 2017.

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