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O Balanço do Fim do Mundo; à direita, no alto, a fumaça diferente é de uma erupção do vulcão Tungurahua

Mochilando por Baños: as cascatas, o vulcão e as baladas

Mochilão pela América do Sul – Equador

Na fronteira entre os Andes e a Amazônia, Banõs de Agua Santa foi a quarta cidade que conheci no meu roteiro de mochilão pelo Equador.

Gostei tanto que dei uma esticadinha e passei uma quase semana mochilando em Baños.

Baños de Agua Santa vista do alto do Mirante de Bella Vista: entre os Andes e a Amazônia

Baños de Agua Santa vista do alto do Mirante de Bella Vista: entre os Andes e a Amazônia

Baños é um dos principais destinos turísticos do Equador e tem mesmo muito a oferecer aos viajantes, que lotam as ruas aos finais de semana, tanto de equatorianos quanto de mochileiros e viajantes de outros países.

A cidade de 50 mil habitantes, ao norte de Quito, fica em um vale cercado de montanhas, com várias fontes de água termais: estamos perto do vulcão em ativididade Tungurahua, que entrou em erupção em 1999 e, então, com maior ou menor intensidade, cospe lava e fumaça.

O Balanço do Fim do Mundo; à direita, no alto, a fumaça diferente é de uma erupção do vulcão Tungurahua

O Balanço do Fim do Mundo; à direita, no alto, a fumaça diferente é de uma erupção do vulcão Tungurahua

O Tungurahua faz parte do imaginário coletivo da cidade –hotéis, restaurantes, bares fazem referência ao vulcão, que também batiza a província de que Banõs de Agua Santa faz parte.

O que fazer em Baños

Gosta de esportes radicais? Olha só essa tirolesa...

Gosta de esportes radicais? Olha só essa tirolesa…

Baños é conhecida pelos esportes de aventura e na natureza, como as várias opções de tirolesa ao redor, além de rafting, cavalgadas, trilhas a pé…

Para contemplar a natureza e aproveitar as muitas trilhas e caminhos da cidade, as agências de Baños alugam bicicletas, cavalos, bugues.

Cercada por cascatas, quase todas as agências oferecem um passeio de chiva, o pau de arara equatoriano (US$ 30) pela Rota das Cascatas, que passa por diversas quedas d´água até chegar a impressionante Cascada Machay.

A cidade ainda é porta de entrada para a Amazônia (muitas pessoas referem-se ao lugar como se já estivesse na região amazônia), com agências oferecendo roteiros de um, dois ou três dias na selva em Puyo, já Amazônia, a 2 horas de Banõs (US$ 40 o dia).

Eu fui para Puyo e em breve escrevo um relato de viagem para esse pedaço da Amazônia. Conheci cascatas, andei de canoa e tomei ayahuasca em uma comunidade indígena na beira do rio.

As agências turísticas de Baños também vendem pacotes de viagem para expedições mais profundas na selva amazônia equatoriana, para destinos como Cuyabeno e Yasuni, a reserva florestal que tem a maior variedade biológia do planeta.

– O que fazer em Quito

– Mochilão pelo Equador: Otavalo

– Mochilão na América do Sul: Mindo, Equador

O vulcão nos Andes é ele mesmo uma atração turística. De diversos pontos nos arredores de Baños, há miradores para o colosso Tungurahua, que estava bem ativo quando eu estava mochilando por Baños (pena o céu quase sempre nublado).

De noite, as dezenas de agências de viagem da cidade vendem passeios de chiva, o pau-de-arara equatoriano, até o mirador de Bella Vista (em torno de US$ 5).

Do mirador, de onde se tem uma visão panorâmica da cidadezinha cercada por montanhas, o turista com sorte pode observar a lava do vulcão correndo vermelha.

Eu não dei essa sorte, mas mesmo assim o vulcão me emocionou.

A Casa de Árbol e o balanço do fim do mundo

Há 3 km de vulcão, há uma meca de mochileiros: a Casa de Árvore e o balanço do fim do mundo. Depois de uma trilha de 2 horas, entre o difícil e o dificílimo, cheguei a famosa casa.

Erguida no ano 2000 por Carlos Sanchez, a Casa de Árvore é um ponto de observação do Tungurahua ainda mais perto e espetacular que o mirador de Bella Vista.

A Casa na Árvore a 3 km do vulcão Tungurahua

A Casa na Árvore a 3 km do vulcão Tungurahua

Mesmo com o céu nublado –uma coisa comum no Equador nesta época de chuvas– você sente a presença do vulcão Tungurahua, seja nas colunas de fumaça que não se misturam às nuvems, seja nos esporádicos murmúrios e arrotos do monstro, que estava bem ativo quando estive mochilando por lá, no começo de abril de 2014.

Em uma das manifestações do vulcão equatoriano, nós sentimos o chão vibrar. Foi emocionante, muitos mochileiros aplaudiram e todos nos cumprimentamos com o olhar.

Para distrair da observação do vulcão, há o já famoso entre mochileiros Balanço do Fim do Mundo: um balanço apoioado na árvore que pendula sobre o precipício (colaboração mínima de US$ 0,25).

Para relaxar em Baños: massagens, piscinas, baladas

Quem quer relaxar de um dia cansativo fazendo ecoturismo no Equador também tem muito o que fazer em Baños: muitos hotéis e pousadas são spas, com piscinas de água quente, hidromassagem etc.

Nas ruazinhas, existem várias casas que oferecem tudo que é tipo de massagem –menos com finalidade sexual, que é proibido. A ideia é mesmo soltar os músculos judiados pelas trilhas, caminhadas e esportes extremos.

Mas como quase toda cidade equatoriana, há um chongo, como são chamados os prostíbulos no Equador. Basta perguntar para um taxista.

Banõs também tem três ou quatro complexos de piscinas ao redor da cidade, que custam em torno de US$ 3 e são muito frequentados por equatorianos.

Para quem curte balada, Baños tem uma agitada vida noturna, que acontece, principalmente, em uma rua que concentra bares e muitas discotecas e baladinhas, na Eloy Alfaro y Oriente.

A balada mais famosa de Banõs é o Leprechaun Bar, que reúne muitos mochileiros

A balada mais famosa de Banõs é o Leprechaun Bar, que reúne muitos mochileiros

Os estrangeiros se reúnem, principalmente, no Leprechaun Bar, supostamente de influência irlandesa. Para não variar, os lugares irlandeses são os lugares de gringo. Acho que é no mundo inteiro assim.

Quem quiser ver como os equatorianos se divertem, há muitas opções na rua. Em frente ao Leprechaun, há o Volcano, que toca os sucessos do Equador. Achei esse pequeno bar e boate muito mais acolhedor que o Leprechaun.

Durante os dias úteis, muitas discotecas ficam fechadas. Às sextas, quase todas abrem. Aos sábados, algumas começam a cobrar entrada –que, como quase todo no Equador, dá para negociar o valor.

O Leprechaun cobrava US$ 5 quando estive em Baños. Os outros lugares, em geral, quando cobravam, pediam US$ 2 ou US$ 3. Um cerveja equatoriana Pilsen, de 600 ml, custa em torno de US$ 2,50 e um drinque entre US$ 4 e US$ 5.

Pelo que percebi, o valor da entrada nas baladas de Baños que cobram varia conforme a lotação da cidade, da disco, da sua tentativa de pechinchar…

A Rota das Cascatas de Banõs

Entre os Andes e a Amazônia

Uma atração onipresente em Baños, oferecida por todas as agências de turismo que se espalham pela cidade, é a chiva pelo roteiro conhecido como Ruta das Cascadas. A chiva é uma espécie de pau-de-arara turístico que tem no Equador.

A Rota das Cascatas, na estrada que liga os Andes à Amazônia, os cânios e rios impressionam

A Rota das Cascatas, na estrada que liga os Andes à Amazônia, os cânios e rios impressionam

Confesso que de tão onipresente e turística, estava com o pé atrás de percorrer a rota.

Quando fui fechar na agência turística minha viagem de três dias para Puyo, já na região amazônia, acabei comprando o ticket para a rota por US$ 6.

Faria a excursão em pleno domingo, com a cidade cheia de turistas, em uma chiva multicolorida e de ressaca (a noite de Baños é uma das mais agitadas do circuito mochileiro da América do Sul).

Não pressentia um grande dia, não mesmo.

Quando eu entrei na chiva, o colorido pau-de-arara equatoriano, alguns dos meus medos ressaquentos se concretizaram: tinha música, tinha crianças, tinha um agito turístico que não ornava com meu humor.

Mas assim que a chiva pega a estrada, o mau humor começou a se dissipar: as estradas do Equador tem lindas paisagens, mas essa “carretera” que segue dos Andes rumo a região amazônia é especialmente deslumbrante, com cânios cobertos de verde, cascatas etc.

A estrada por si é um roteiro turístico entre os Andes e a Amazônia.

A primeira parada é para ver o Rosto de Cristo, uma pedra que sim, tem semelhança com o que aprendemos ser o rosto de Jesus.

olha que sou bem chato com essas imagens que se olham por aí. Algumas pessoas encostam na pedra para fazer pedidos e sei lá mais o que.

Reconhece o barbudo?

Reconhece o barbudo?

Continuamos até parar para ver a cachoeira Véu da Noiva (suspeito que seja o nome mais comum de cachoeira do mundo).

Ali vi a tirolesa mais enlouquecedora que já cheguei perto (mas não muito, sou cagão), senti frio na barriga e uma ponta de inveja pelas pessoas que cruzaram o cânion voando –o canopy, como se chama a tirolesa no Equador, custa US$ 10.

Uma das incríveis tirolesas da Rota das Cascatas, um roteiro entre os Andes e a Amazônia em Baños

Uma das incríveis tirolesas da Rota das Cascatas, um roteiro entre os Andes e a Amazônia em Baños

Depois rumamos até a Cascata Machay, que fica em uma área particular e custa US$ 1,50 para entrar.

Ainda bem que eu tinha dinheiro, ninguém tinha avisado nada na agência turística de Baños, quando comprei o bilhete para a Ruta das Cascadas.

Para chegar em um dos pontos para ver a Machay, é preciso fazer uma trilha mais ou menos rápida –uns 30 minutos.

É rápida, mas guarda várias surpresas para os viajantes. Além de paisagens belíssimas, grandes pontes de madeira que chacoalham ao sabor do vento.

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A Machay é uma das mais legais cachoeiras que já conheci.

Uma pena que para ir ao que é o melhor ponto para ver a cachoeira, quase embaixo da queda, é preciso tomar outra trilha, que demora, segundo o guia, 2 h30 na ida e na volta.

Como eu estava de excursão, não ia ser naquela vez. Tão perto e tão longe…

Sobre Gustavo Villas Boas

-- "Vamo? Vamo! (ou não)" Jornalista e editor do Muita Viagem Gosta de praias, baladas e comidas diferentes. A Amazônia é o destino que o emociona. Antes de embarcar no Muita Viagem, trabalhou no jornal Folha de São Paulo e no Estado de São Paulo na cobertura de tecnologia, cultura e cidades. Mas lia o caderno de turismo.

6 comentários

  1. oi Iara, depende do seu ritmo. Mas calculando 30 dólares por dia, acho que dá.

    Hostel entre 8 e 12 dólares, comida PF por cerca de 2 a 3 dólares, passeios não são caros.

    abs

  2. Olá,

    Gostei muito do seu post e estou planejando um mochilão para o Equador durante 12 dias, ficando em Quito e Baños e gostaria de saber quanto aproximadamente preciso levar entre hospedagem (hostel), alimentação e passeios.

    Muito Obrigada,
    Iara.

  3. oi Ramon,

    A moeda do Equador é o dólar americano (mesma nota!), mas é um país barato. Você encontra hostel a partir de 7 dólares, quartos simples em pequenos hotéis para duas pessoas em torno de 15 dólares, pratos feitos pequenos, com entrada e suco, por 3 dólares.

    Abs

  4. Oi Ramon! Para ter uma ideia de custos de hospedagem, dê uma olhada no Booking:
    http://www.booking.com/searchresults.html?city=-924649&aid=372676

    Já para ter uma ideia de preço de passagem aérea, pesquise o Skyscanner:
    https://www.skyscanner.com.br/

  5. Olá, queria saber o quanto se gasta em Baños, com hotéis, passagens e etc.

    Parece um lugar que se vale a pena conhecer!

    Abraços!!

  6. Camila Lisboa

    Baños é muito massa! Tá na lista dos próximos destinos 🙂

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