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O cenário na Chapada Dimantina é de imensidão - foto: Divulgação

Lençóis, o centro turístico da Chapada Diamantina

O mar virou sertão.

A transformação é impressionante e a Chapada Diamantina é a prova em cânions, grutas e cachoeiras disso. A Chapada, que já foi coberta por água há quase 2 bilhões de ano e hoje é um cenário infinito esculpido também pelo vento, é o registro e a lembrança de que somos uma gota no oceano.

A cidade de Lençóis, o principal polo de turismo do Parque Nacional da Chapada dos Diamantina, na Bahia, é o destino ideal para quem quer se aventurar pelo sertão baiano até onde a vista alcança, até onde os pés podem chegar na terra dos diamantes.

A nossa viagem pela Chapada exigiu bastante fôlego e pernas nas trilhas, mas valeu a pena. E teve dias tranquilos, em pontos turísticos de fácil acesso.

Chapada Diamantina

Lençóis de Salvador

Começamos a nos dar conta do nosso tamanho ao pisar em Lençóis, na Bahia, antes de amanhecer, depois de uma viagem tranquila de ônibus.

Os 420 km que separam Salvador da maior cidade da região e polo turístico do Parque Nacional da Chapada Diamantina foram vencidos sem problemas pelo ônibus da empresa Real Expresso em uma viagem de cerca de 6 horas durante a madrugada.

Na rodoviária de Salvador, há ônibus diários para Lençóis em três horários. Nós pegamos às 23h30 para matar a madrugada dormindo na estrada. Não é um sono revigorante, mas…

Ao chegar na pequena rodoviária de Lençóis, para não variar, fomos abordados por pessoas oferecendo ajuda para carregar a mala e encontrar uma pousada. Recusamos, tomamos um café em uma portinha-lanchonete da rodoviária e caminhamos até a cidadezinha de pedra.

Já gostei da entrada: a ponte de pedra sobre o Rio Lençóis é muito legal. Mais legal ainda porque o rio estava seco (era final de fevereiro, já no final da temporada de chuvas) com o leito pedregoso exposto, formando uma curiosa paisagem.

Logo depois da ponte, à beira do rio, fica o Mercado Cultural, uma impressionante construção de pedra com a fachada de arcos.

O Mercado Cultural fica na praça Aureliano Sá, coladinha à praça Horácio de Matos. As duas juntas formam o famoso centrinho de Lençóis, onde dá para encontrar agências de turismo, restaurantes, bares e lojinhas – inclusive uma loja grande de artigos para ecoturismo.

Lençóis, fundada em 1884, é uma cidade pequena, mas pronta para receber aventureiros, famílias e ecoturistas de todo o mundo. É o lugar mais preparado para receber os visitantes e a maior parte das trilhas, caminhadas e passeios no Parque Nacional da Chapada Diamantina são organizados na cidade.

Foi só lá que decidimos as rotas que faríamos no parque, quantos dias iríamos precisar (Morro de São Paulo era o próximo destino) e escolhemos a pousada. Lençóis tem uma boa rede hoteleira, com pousadas baratas e hotéis mais sofisticados e caros..

Definimos as grandes caminhadas e trilhas que iríamos fazer na Chapada apenas em Lençóis. O clima e a disponibilidade de guias autorizados podem interferir no que dá, ou não, para conhecer. E em Lençóis não é difícil entrar em grupos maiores e pagar menos para o guia da trilha.

Para quem quer coisas pertinhos e mais fáceis, em torno de Lençóis tem algumas trilhas e dezenas de atrações que dá para visitar ao longo de um dia tranquilo.

Como chegar em Lençóis, na Chapada Diamantina

O centrinho de Lençóis: onde tudo acontece

Depois de achar uma pousadinha familiar e confortável, demos uma volta para ver o que tinha em Lençóis.

lencois chapada diamantina

Casarões cercam o centrinho de Lençóis

Os casarões do final do século 19 que cercam a praça no centro da Capital do Diamante (como a cidadezinha foi apelidada) fazem questão de lembrar que ali já foi um lugar de ostentação, graças à mineração (atenção para as histórias de caçadores de diamante! São muito divertidas e interessantes).

É no centrinho, em um espaço bem aberto, que rola um agito de noite: muitas mesinhas na rua, cerveja e pratos típicos generosos. Hippies vendendo artesanato, turistas estrangeiros e moradores criam o mosaico cultural de Lençóis.

Cachoeira da Fumaça

Foi nesse clima que definimos roteiros, descobrimos dicas de passeios na Chapada e encontramos o guia que nos levou às principais atrações da região e acompanhou na famosa trilha que leva até a cachoeira da Fumaça por baixo, a exaustiva caminhada de 20km até uma das maiores cachoeiras do Brasil.

Mas ainda era dia. Não era hora para cerveja no centrinho: a gente queria caminhar por trilhas, entrar na água (o calor é de lascar) e esquecer o barulho — e a sujeira, infelizmente — de Salvador.

Onde comer em Lençóis (e beber)

No centrinho de Lençóis, há boas opções para comer, desde picanha na chapa com feijão tropeiro a pizzas, porções e lanches. As mesinhas ficam na rua e o clima é bem agradável, dá fácil para conhecer pessoas, conversar e tomar uma cerveja.

A cidade também oferece restaurantes com propostas diferentes.  O Cozinha Aberta Slow Food segue o conceito da “ecogastronomia”, diz o site. São pratos sofisticados com bonita apresentação e feitos com ingredientes produzidos sem agredir o ambiente.  São orgânicos ou até mesmo silvestres… O mel usado na preparação de receitas vem do Vale do Capão, na Chapada Diamantina. O menu do Cozinha Aberta Slow Food tem bastante receitas originais com ingredientes locais e de outros lugares.

Outra opção fora das mesinhas do centro é o Azul, dentro do hotel Canto das Águas, um dos mais refinados da região. O menu do restaurante foi criado pelo chef e fica ainda mais original no São João e na ceia de Réveillon.

Trilhas Griô na Chapada Diamantina

As paisagens coloridas pelo contato humano

A Chapada Dimantina é um dos destinos mais incríveis do Brasil. O relevo recortado por morros, cachoeiras, grutas também é um mosaico de cultura e saberes: na região, existem comunidades quilombolas, histórias dos mineradores de diamante, moradores que se instalaram na região vindos do Brasil e do mundo, além, é claro, da influência da cultura indígena nativa.

Um dos projetos mais legais para conhecer e entender um pouco mais do dia a dia e da tradição local e ainda colaborar para o futuro da comunidade, é o projeto das Trilhas Griôs na Chapada Diamantina, que oferece, sob o conceito de turismo comunitário, a oportunidade de entrar em contato com as belezas naturais e os saberes dos moradores da região.

Abaixo, temos a chance de apresentar um pouco Trilhas Griô na Chapada Diamantina, uma ótima ideia do que fazer nesse pedaço da Bahia. Uma das sugestões mais legais é fazer o roteiro de trilhas de 5 dias pela Chapada, mas vale a pena conhecer todas as opções de roteiros de trilhas na Chapada.

O contato com a natureza se dá em comunhão com os saberes locais

O contato com a natureza se dá em comunhão com os saberes locais

Fotos : Neander Heringer

– Trilhas Griô no Facebook

– Grãos de Luz e Griô – Pontos de Cultura

Apresentação das Trilhas Griô na Chapada Diamantina

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As trilhas griôs nasceram da caminhada do velho Griô (Márcio Griô) com griôs e mestres de tradição oral de Lençóis, cidade na Bahia que é a principal porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada Diamantina.

As trilhas dialogam com a educação formal em comunidades tradicionais e rurais desde 1999 por meio da pedagogia griô, uma pedagogia criada por Líllian Pacheco em vivências e invenções no ponto de cultura Grãos de Luz e Griô.

chapada bahia

O turismo comunitário na Chapada Diamantina proporciona não só o contato com as belezas naturais do Parque Nacional da Chapada Diamantina — cachoeiras, serras, grutas, grunas, vales e rios.

Mas também, contato com os saberes dos moradores da região, entre eles garimpeiros de diamante e ouro, parteiras, sanfoneiros, erveiras, artesãos, sambadores e curadores.

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O roteiro das trilhas é construído, conduzido e gerido por um modelo de economia solidária pelos jovens, griôs, mestres e lideres comunitários.

Essas pessoas são também quem mais se beneficiam economicamente do turismo comunitário, que incorpora conceitos como solidariedade e respeito aos saberes e às necessidades locais.

dicas de viagem

Em meio a um ecossistema de fauna e flora endêmicas, a natureza característica da Chapada Diamantina, e uma geologia que data da formação da terra.

É possível vivenciar a cultura local em rodas e partilha de saberes com locais de variadas idades.

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No turismo comunitário, a cultura, a tradição, o modo de vida não perde em importância para as paisagens e o cenário. A partilha do conhecimento ajuda a colorir a experiência na Chapada Diamantina.

Você conhecerá cantigas, mitos, histórias de vida e danças que foram passadas de geração em geração da nação indígena dos payayás, quiriris, africanos e portugueses que formaram o povo desta região.

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Desde 2006, a pedagogia griô e as trilhas griôs vêm sendo sistematizada e compartilhadas no Brasil a partir do projeto Ação Griô Nacional, criado e coordenado pelo ponto de cultura em parceria com o Ministério da Cultura.

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As trilhas griôs se aperfeiçoaram principalmente por meio de uma metodologia de processos participativos do Grãos de Luz e Griô com griôs e mestres e por meio do intercâmbio com experiências do projeto Bagagem – SP (finalizado), da Prainha do Canto Verde – CE, e a Fundação Casa Grande no Cariri (CE).

Post atualizado em 13 de setembro de 2021.

Sobre Gustavo Villas Boas

-- "Vamo? Vamo! (ou não)" Jornalista e editor do Muita Viagem. Gosta de praias, baladas e comidas diferentes. A Amazônia é o destino que o emociona. Antes de embarcar no Muita Viagem, trabalhou no jornal Folha de São Paulo e no Estado de São Paulo na cobertura de tecnologia, cultura e cidades. Mas lia o caderno de turismo.

Um comentário

  1. Fui a Lençóis em janeiro de 2020. A estrada a partir de Salvador está relativamente bem mantida. Gostei muito, do lado histórico e dos atrativos naturais. Tem um local muito agradável para pouso, fora do agito, às margens da rodovia e praticamente no pé do morro Pai Inácio, uma das mais belas atrações. O hotel tem um bom restaurante e nos arredores há muitos locais com belas paisagens e sugestivas caminhadas… Para quem gosta de sossego com belas paisagens é o ideal. Vale a pena conhecer Mucugê (a uns 120km) e ao lado Igatú(com uns 15km de estrada de terra/pedra).

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