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As ruas de Paris são charmosas para passeios a pé | besopha

Passeio por uma rua charmosa: descubra Paris além do Óbvio

Paris, a capital da França, é famosa como a cidade mais cara do mundo. Para turistas, talvez seja. Mas com algumas dicas simples, dá para fazer uma viagem barata por Paris e aproveitar tudo o que a cidade oferece: boa comida, shows e eventos culturais, transporte de qualidade…

A série Paris além do óbvio dá as dicas para descobrir a capital francesa sem destruir o bolso.

Sim, descobrir: além dos programas e passeios óbvios, Paris além do óbvio é um mapa para ruazinhas charmosas e escondidas e outros segredos da Cidade-Luz. Passe em um supermercado em Paris e já compre uma água barata!

Onde comer bem e barato em Paris

Paris além do Óbvio

Diego Braga Norte

Em maio de 2013 eu estive em Paris pela terceira vez.

E foi a melhor passagem por lá dentre todas elas. Foi a melhor não apenas pelos tempos que tive por lá (nove dias de estadia com sol suave e constante), mas pelos locais que conheci e passei.

Vi uma Paris bem diferente daquela cidade da Torre Eiffel, da Champs Élysée, do Louvre e das grandes avenidas. Vi uma Paris do cotidiano de um morador local, com bairros simpaticíssimos, vielas e calçadões fora dos guias, praças incrustadas que se parecem pequenas joias e muitos programas baratos ou gratuitos.

E essa Paris que eu sempre quis conhecer e que agora pretendo mostrar a você, leitor-viajante.

Sabe aquela história de que “Paris é tudo caro”? É uma meia verdade. Como em todas grandes metrópoles do mundo, há coisas caras e coisas baratas. Basta saber onde ir.

Se ficarmos restritos aos locais, esquemas e restaurantes turísticos, vamos achar, de fato, tudo caro. Se nos movimentamos no ritmo e na geografia dos locais, vamos constatar que a capital da França oferece muitas opções para quem não pretende gastar muito.

Estadia barata em Paris

Um studio com cozinha, internet… e pechincha

Só é possível aproveitar Paris da maneira como ela merece se nos hospedarmos como um parisiense. Para isso, nada de hotéis e nem mesmo albergues. Aluguei um apartamento através do site Airbnb.

A localização não poderia ser melhor: Rue Lacépède a poucos metros da bela Place Contrescarpe, no coração do Quartier Latin, o bairro boêmio/universitário/cult da Rive Gauche (como é chamada a margem esquerda do rio Sena)


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Reservando e pagando com antecedência, eu e minha mulher (sim, ir para Paris bem acompanhado é muito mais negócio) pagamos míseros € 27 por dia para ficar num studio (como os franceses chamam os pequenos apartamentos e quitinetes) com quarto/banheiro/cozinha.

O mocó ainda tinha internet wi-fi super rápida (internet wi-fi lenta é coisa do Brasil), uma cozinha muito bem equipada e móveis bacanas, como uma mesa embutida na parede – muito útil para economizar espaço. Lugar perfeito para um casal.

Planeje-se

Descubra eventos grátis e baratos em Paris

O site da prefeitura de Paris, com versões em inglês e espanhol, é um dos melhores guias da capital francesa, em alguns aspectos ele é melhor até que o site oficial de turismo da Cidade Luz.

Enquanto o oficial (muito bem feito) é obviamente voltado para turistões, o site da prefeitura é voltado mais para os moradores da capital francesa. Uma das seções mais interessantes do site da Mairie (prefeitura) é a Que faire à Paris?(o que fazer em Paris?).

Além de poder visualizar e selecionar tudo o que acontece na cidade, quando fazemos uma busca por “gratuit” (gratuito) ficamos abismados com a quantidade e variedade de eventos “na faixa”. Desde previsíveis sessões de filmes e músicas em parques até mini-cursos ou debates literários e filosóficos. Mesmo as atrações pagas são bem acessíveis.

Desembolsando algo entre € 8 e € 15 é possível ver uma banda de jazz de ótima qualidade em algum local descolado ou assistir uma apresentação de música clássica em uma das inúmeras velhas e belas igrejas parisienses.

Outra página ótima para ver todos os shows que acontecem na capital da França (e em qualquer grande cidade do globo) é a SongKick. Basta selecionar seu destino, data e ver o que te aguarda durante sua estadia.

Assim, fiquei sabendo e comprei ingressos para um showzaço do The Vaccines na descolada casa de shows indie Bataclan, no bairro Marais (equivalente parisiense à Lapa carioca ou à Vila Madalena paulistana).

Claro, comprei o ingresso pela internet e o imprimi, sem a tal jabuticaba chamada “taxa de conveniência” e sem a necessidade de retirar na bilheteria com antecedência.

Bastou pagar € 29 imprimir e entrar. Simples assim. Ah, só para lembrar, quando eles tocaram em 2012 no Cine Jóia, em São Paulo, os ingressos custavam RS 180. E mais a taxa de conveniência.

Transportes

Esqueça os passes para turistas, use o bilhete Navigo

Muitas vezes é bem difícil fugir dos esquemas profissionais montados para ajudar (leia-se “pegar”) turistas. Mesmo em seu próprio país, falando sua própria língua, não é fácil escapar. Por exemplo, pouquíssimas pessoas sabem que há um ônibus intermunicipal que liga o Aeroporto de Guarulhos ao metrô Itaquera por R$ 3,10.

Para sair do aeroporto, mesmo com pouca bagagem, somos impelidos a pagarmos (de trouxa) R$ 35,00 pelo busão Airport Service ou mais caro ainda pelo táxi. Esses macetes não estão facilmente disponíveis e ninguém vai contá-los a você. Cabe ao interessado ir atrás.

Em Paris e em praticamente qualquer lugar, é exatamente a mesma coisa.

Viaje barato por Paris

Com o bilhete Navigo, o transporte em Paris fica bem barato

As informações práticas e turísticas são onipresentes. Há uma infinidade de folders, placas, cartazes e sites multilíngues. Grande parte desse material é muito útil e extremamente confortável . E é assim que eles ganham dinheiro, facilitando em muito a vida dos turistas e cobrando caro por isso.

A França é o país que mais recebe turistas no mundo, cerca de 75 milhões por ano, e o setor é responsável por quase 7% do PIB francês, gerando algo em torno de 36 bilhões de euros por ano.

Descobrimos que basta levar uma foto 3X4 e fazer, na hora, uma carteirinha Navigo (o bilhete único parisiense). Dá para fazer esse passe em praticamente qualquer estação de metrô.

Com essa carteirinha, você pode comprar passe livre (metrô, ônibus, bondes e trens urbanos) por um dia, uma semana, um mês, etc. O passe por uma semana nas zonas 1 e 2 (acredite, você não vai em nenhum lugar nas demais zonas) saiu por € 19,80.

Se fôssemos comprar algum dos “passes turísticos” num dos muitos Office du Turisme de Paris, não teríamos a possibilidade de comprar por uma semana e pagaríamos € 57,75 por um bilhete válido por 5 dias em todas as 5 zonas, sendo que você não sairá das zonas 1 e 2.

As opções de passes turísticos são todas obviamente mais caras do que as alternativas para os moradores.

Do aeroporto para o studio

Para quem aterrissa no Aeroporto de Orly, que fica na grande Paris (zona 4), dá para optar pela comodidade e pagar caro por um trem expresso, um busão afrescalhado ou um taxi. Ou é possível fazer como um local: pegar um ônibus normal até alguma estação de metrô e, de lá, partir para seu destino final.

No esquema local, gastamos € 3,80 cada para chegar ao nosso apartamento. Se tivéssemos optado por um dos esquemas mais práticos, pagaríamos mais de € 10 cada. E, evidentemente, devem existir alternativas semelhantes no outro aeroporto da cidade, o Charles de Gaulle.

Passeios em Paris

Roteiro pelas ruas charmosas da capital francesa

Começou o roteiro de passeios em Paris além do Óbvio. Aproveite as dicas para conhecer os cantinhos da capital francesa a pé e, no final da caminhada, tome uma cerveja sentado no chafariz da Place Contrescarpe.

Caminhe pela história de Paris

Diego Braga Norte

Desça na estação de metrô Censier – Daubenton (linha 7) (ponto A no mapa de Paris).

Você está no 5o arrondissement, no lado esquerdo do Sena, chamado de Rive Gauche. Paris tem 20 arrondissements, que nada mais são do que 20 subdistritos administrativos.

Cada arrondissement possui sua própria subprefeitura, as maries. O 1o arrondisssement fica bem no centro da cidade e os demais vão se seguindo em sentido horário, formando um caracol.


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Enfim, voltando ao roteiro. Ande pela rua Monge e vire à esquerda na rua de l’Épée de Bois.

Após alguns metros, entre à direita na rua Mouffetard (ponto B no mapa de Paris) – a primeira atração do roteiro. Essa é uma das ruas mais antigas e charmosas de Paris.

Há relatos arqueológicos indicando que ela fica na rota que era usada pelos romanos para sair de Lutécia (nome romano da cidade, antes dela se chamar Paris) e ir em direção à capital do império, Roma.

Rue Mouffetard, uma das fotos mais famosas de Cartier Bresson

Rue Mouffetard, um dos registros mais famosos do fotógrafo Cartier Bresson

A rua, que serviu de cenário e batiza uma das fotos mais emblemáticas do fotógrafo Cartier-Bresson, é repleta de bares charmosos, restaurantes aconchegantes e lojinhas descoladas.

Nas manhãs de terça a domingo, a Mouffetard abriga uma feira muito interessante e agradável.

Durante a subida da rua, entre à esquerda para conhecer a rua Pot de Fer. É um calçadão com boas opções de restaurantes à la carte e variadas modalidades de plats du jours.

Continue subindo a Mouffetard em direção à Place Contrescarpe. No caminho, atente para a creperia Au P’tit Grec (número 66; ponto C no mapa de Paris), sempre com filas de parisienses pela qualidade e preços dos crepes.

Se gostar de cinema alternativo e de arte, dê uma olhada na programação do acanhado L’Epee de Bois (número 100).

Roteiro Geração Perdida, por bairros de Paris

E se for para tomar um copo (os franceses têm uma expressão semelhante, boir un verre, literalmente, beber um copo), conheça o Le Vieux Chêne (número 69) – um dos bares/tavernas mais antigos da região, que funciona desde 1700 e lá vai pedrinha (é sério, o boteco funciona no mesmo local desde meados do século XVIII.)

Ao chegar na Place Contrescarpe, você vai estar no coração do chamado Quartier Latin (quarteirão latino; ponto D no mapa de Paris), uma área que fica entre o 5o e o 6o arrondissement, nos arredores dos prédios da universidade Sorbonne – daí o nome, pois antigamente as aulas na universidade eram em latim.

A praça é minúscula, mas belíssima, uma pequena pérola em meio a um emaranhado de ruas.

Tome uns copos nos bares da redondeza ou faça como fazem muitos jovens locais, compre uma cerveja num dos mercadinhos árabes da rua Mouffetard e beba-a na praça, de preferência, sentado na mureta do chafariz.

Dicas para comer bem e barato em Paris

Fotos: Michal OsmendaMariordo

Um dos viajantes

Diego Braga Norte é jornalista e nômade errante que, de quando em vez, acerta. Já morou na Alemanha, nos EUA, na França e em Assis. Autor de Iracema, mon amourParis além do óbvio, entre outras coisas no blog Resenhando e Andando.

Sobre Muita Viagem

Dicas e histórias de viagens. É feito por Gustavo, jornalista, Danilo, comissário de voo, e amigos, que vivem viajando pelo Brasil e no mundo.

4 comentários

  1. Ótima matéria, a começar pelo título “Paris além do óbvio”.
    Uma cidade como Paris por si só já é encantadora, então andar por suas ruelas e descobrir as maravilhas que se espalham por lá acredito que seja o mais interessante de qualquer viagem.

    Parabéns!

  2. Eu não conheço, vou falar com o Diego e te respondo! 🙂

  3. Olá!
    Ótimos posts! Gostei muito.
    Existem sebos, em Paris? Conhece lugares onde eu possa encontrar Lps usados…como em sebos, aqui?
    🙂

  4. Show de informações..

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