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A escadaria do reggae: por causa do estilo, realmente popular, São Luís é chamada de a Jamaica Brasileira; (mas vi pouca maconha)

São Luís, uma cidade com muitos nomes (e caras)

Atenas Brasileira. Jamaica Brasileira. Sarneylândia. São Luís do Maranhão.

Os epítetos não deixam dúvida de que a capital maranhense, com pouco mais de 1 milhão de habitantes, é um mosaico humano e cultural dos mais coloridos –mas com manchas.

O ludovicense, como é chamado quem nasce na ilha onde fica o município, é herdeiro do mundo.

São Luís do Maranhão – MA

Fundada em 1612 por franceses, a cidade foi invadida por holandeses e colonizada por portugueses. A expansão econômica se deu pelo trabalho de escravos africanos. Antes da chegada dos europeus, a ilha era densamente habitada pelos povos nativos.

A mistura de culturas e pessoas da capital maranhense tem um palco privilegiado para se expressar: o Centro Histórico, que guarda um dos maiores conjuntos coloniais da América Latina e recebeu o título de Patrimônio Mundial da Unesco em 1997.

Na área tombada, casas e sobrados de janelas amplas e paredes cobertas de azulejos cercam ruas de paralelepípedos e escadarias. O lugar é cheio de lojinhas charmosas de artesanato, restaurantes de comida típica, algumas pousadas e hostels e muitos, muitos bares.

Fora da área tombada, também existem muitos casarões em péssimo estado: vão cair. As ruas são cheias e sujas. 

Estou hospedado no albergue Solar das Pedras, o único hostel que faz parte da rede Hostelling International em São Luís. O hostel fica em uma casa incrível, construída na primeira metade do século 19, um lugar bom e barato para ficar.

Apesar de ter muitos carros parados na rua –passam até caminhões!–, o Centro Histórico de São Luís é razoavelmente conservado (um oásis no meio de uma cidade degradada) e agradável, tem alguns museus, centros culturais e uma agitada vida noturna. Mas, quando escurece, fica perigoso nas ruas vazias.

À noite, o Centro Histórico é uma mistura de ritmos e estilos

À noite, o Centro Histórico é uma mistura de ritmos e estilos

No comecinho da noite de quarta-feira, o dia que cheguei, o lugar já estava tão cheio que fiquei perdidinho para escolher onde sentar e tomar uma cachaça da terra e o sagrado, rosa e horrível guaraná Jesus.

Em uma voltinha besta, ouvi: rockão clássico, arrocha, MPB de barzinho, grupos regionais e, claro reggae. O que não falta na cidade é reggae: palavras como Jah, roots, Bob Marley pontuam o nome de vários lugares. É o que justifica o apelido de Jamaica brasileira (vi algumas pessoas fumando maconha aqui e ali, nada que impressione).

Mas os principais bares de reggae do centrinho só abrem a partir de sexta. Na quarta, fiquei em um samba com música ao vivo em uma ruela com um público bem eclético: tinha alguns hippies, alguns gringos, alguns gays e pessoas de todas as idades.

Antes, passei na famosa Feira da Praia Grande. Ótimo lugar para comer comidinhas típicas da cidade (principalmente peixes e frutos do mar, porções!) e tomar cerveja. A cerveja mais barata que encontrei foi no Bar e Restaurante da Tia Amélia: 5 reais a garrafa. 

Um roteiro barato por São Luís

Museus grátis e comida típica do Maranhão

A escadaria no centro histórico de São Luís – MA está vazia. Cinco adolescentes discutem. Um tira uma faca e ameaça uma estocada. Acelero os passos e dou uma corridinha. Dois –as vítimas da ameaça– saem andando calmamente, rindo.

A cena que vi no Reviver, como é chamado o centro que é patrimônio mundial da humanidade, materializou um discurso recorrente: o lugar é violento e os turistas sofrem muitos assaltos.

O centro histórico de São Luís é um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do mundo

O centro histórico de São Luís é um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do mundo

Começo com a parte ruim para falar de um lugar sensacional. Adorei São Luís e lamento muito a violência. De dia, as ruazinhas de paralalepídos são ótimas para passear a pé e tem várias opções do que fazer de graça (ou bem baratinho).

Gostei muito de três museus e em todos tive companhia de um guia pessoal (estavam vazios).
Comi as delícias típicas da terra em barraquinhas de rua que vendiam comida boa e barata (também conheci um bom restaurante por quilo com culinária regional).

E curti três noites ouvindo tudo quanto é tipo de música ao vivo. Nada se compara ao tambor de crioula, que aproveitamos em uma turma bem misturada: uma menina do Zimbabue, um garoto do Japão, um rapaz alemão e mais um brasileiro. Todos ficaram embasbacados com a energia do tambor e com a dança das meninas. Até eu dancei.

Onde ir em São Luís

Restaurantes, lojinhas e bares usam os casarões tombados

Restaurantes, lojinhas e bares usam os casarões tombados

Andar pelas ruas do Reviver é uma viagem ao período colonial: é o maior patrimônio do tipo no Brasil.

Não consegui um guia (o turismo é mal explorado no Maranhão), mas aqui e ali ouvi histórias interessantes sobre os casarões, os túneis usados para transportar escravos e a sociedade da Ilha Magnética, um dos epítetos da capital, por causa da maré, que oscila violentamente (ou será porque prende as pessoas que a conhecem? Eu ia para ficar um dia, fiquei quatro…)

São Luís ganhou o nome de Jamaica brasileira porque, realmente, ouve-se e toca-se reggae a cada esquina.

É chamado de Atenas brasileira porque São Luís sempre teve uma vida cultural agitada.

O Teatro Arthur Azevedo, inaugurado em 1° de julho de 1817, é o mais antigo do Brasil. Até hoje os ludovicenses orgulham-se de falar o português mais correto do Brasil. E realmente impressiona como as pessoas conjugam os verbos por aqui.

Uma das coisas que achei divertido nas ruas históricas foram as cabeças de frade. São monumentos de mais ou menos espalhados pela região.

Para que servem?

Para homenagear cada filho homem de famílias ricas.

Grávidas abraçavam os postes para pedir varões.

Olhe a foto: lembra uma cabeça de frade mas também um imenso pênis. Eu apelidei de Ferrari colonial.

Para cada filho homem, erguia-se um desses postes amarelos

Para cada filho homem, erguia-se um desses postes amarelos

O Museu de Artes Visuais (baratinho, R$ 3, com meia-entrada para estudante; rua Portugal, 273) dá uma boa ideia sobre os estilos dos azulejos portugueses que fazem a fama do Reviver, como também é conhecido o centro.

Lá aprendi a origem dos nomes dos casarões: os solares são assim chamados porque eram prédios apenas residenciais (só lar), enquanto os sobrados serviam para comércio e moradia (a parte que sobrava).

O Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho fica em um impressionante casarão de 4 andares (rua do Giz, 271).

O acervo é composto de roupas, objetos e fantasias das festas tradicionais do Maranhão e dos rituais religiosos. Tem as cores do bumba meu boi, o branco dos terreiros e muito mais.

Mas o que mais gostei, sem dúvida, foi o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão (rua do Giz, 59).

O Maranhão é um importante parque para achados arqueológicos e paleontológicos. Tem vários pedaços de dinossauros no acervo do centro.

Um dos ossos de dinossauro tem fica sobre uma mesa com um convite irresistível: pode tocar nas peças.

Na parte de arqueologia, um painel reproduz fielmente gravações rupestres encontradas no Maranhão. Mas o mais legal são as várias cabeças de machados apresentadas.

Onde comer em São Luís

A comida típica do Maranhão é um orgulho local. O cuxá, uma espécie de pasta feita de vinagreira (uma erva amarga) e camarão é a estrela local.

Come-se puro (não gostei muito) ou misturado no arroz, que fica esverdeado (muito bom). Além disso, há muitos pratos com camarão e caranguejo. Maravilha.

A Feira da Praia Grande é um mercadão de São Luís

A Feira da Praia Grande é um mercadão de São Luís

Os restaurantes que conheci no Reviver são charmosinhos, mas meio caros e nem tão bons. Preferi a comida de rua vendida em torno da Feira da Praia Grande, o ponto mais animado do centro histórico.

Tem mulheres vendendo pratos com arroz, farofa, salada e mais duas (R$ 10) ou três opções (R$ 12) entre cerca de 15 pratos locais. Ali sim tinha uma boa comida barata em São Luís. Mas é só à noite.

Dentro da Feira da Praia Grande da para comprar comidas típicas do Maranhão

Dentro da Feira da Praia Grande da para comprar comidas típicas do Maranhão

Dentro da feira também tem opções legais de comida, mas é mais porção.

Na Feira da Praia Grande comi um prato feito na hora do almoço (R$12) que não era nada demais, mas foi o único PF que encontrei nas redondezas do hostel que fiquei hospedado em São Luís.

A dica é aproveitar os preços baratos de delícias locais, como camarão e as castanhas de caju. Ou o Guaraná Jesus e a pinga de mandioca, a tiquira.

Comprei uma porção enorme de castanha por R$ 5. 

Na balada em São Luís

Tenho que repetir: é violento. Mas a noite no centro histórico é demais de legal. Sexta-feira é o dia mais movimentado, mas desde quarta-feira, encontrei várias opções do que fazer, principalmente nos arredores da Feira da Praia Grande.

Tem música ao vivo por todos os lados. E não é um banquinho e um violão. Ouvi rock antigo, samba, axé, reggae… sempre tocados por grupos com vários instrumentos, muita percussão, bons cantores.

Mas o que impressionou mesmo foi o tambor de crioula que ouvi no Moira’s, um bar na escadaria do Reggae que visitei todos os dias. Lá sempre tinha música ao vivo e conseguia reunir pessoas legais.

Não ficava com muita aglomeração como o resto do Reviver, não passava tanta gente pedindo dinheiro, tinha um público alternativo legal. E o pessoal do bar atendia bem e com bons preços (a cerveja de garrafa saía por R$ 6, a dose de cachaça –boa– por R$1). Vale a pena conhecer.

Um roteiro barato por São Luís

A escadaria no centro histórico de São Luís – MA está vazia.

Cinco adolescentes discutem. Um tira uma faca e ameaça uma estocada. Acelero os passos e dou uma corridinha. Dois –as vítimas da ameaça– saem andando calmamente, rindo.

A cena que vi no Reviver, como é chamado o centro que é patrimônio mundial da humanidade, materializou um discurso recorrente: o lugar é violento e os turistas sofrem muitos assaltos.

Começo com a parte ruim para falar de um lugar sensacional. Adorei São Luís e lamento muito a violência. De dia, as ruazinhas de paralalepídos são ótimas para passear a pé e tem várias opções do que fazer de graça (ou bem baratinho).

Gostei muito de três museus e em todos tive companhia de um guia pessoal (estavam vazios).
Comi as delícias típicas da terra em barraquinhas de rua que vendiam comida boa e barata (também conheci um bom restaurante por quilo com culinária regional).

E curti três noites ouvindo tudo quanto é tipo de música ao vivo.

Nada se compara ao tambor de crioula, que aproveitamos em uma turma bem misturada: uma menina do Zimbabue, um garoto do Japão, um rapaz alemão e mais um brasileiro. Todos ficaram embasbacados com a energia do tambor e com a dança das meninas. Até eu dancei.

Museus grátis e comida típica do Maranhão

Onde ir em São Luís

Restaurantes, lojinhas e bares usam os casarões tombados

Restaurantes, lojinhas e bares usam os casarões tombados

Andar pelas ruas do Reviver é uma viagem ao período colonial: é o maior patrimônio do tipo no Brasil.

Reviver: baladas no centro histórico

São Luís é a Jamaica brasileira

Quando em viagem na capital do Maranhão, vivencie a experiência de ouvir o reggae maranhense no Reviver, centro histórico de São Luís.

A cidade-ilha é conhecida como Jamaica brasileira não por causa da cannabis — shila, para os maranhenses; o usuário é o shileiro, uma palavra ofensiva.

Reggae! A fama vem do estilo musical — o reggae, ouvido em todos os cantos, seja nos bares mais descolados (para turista) do centro histórico, seja nos botecos de tiozinho.

Na quarta, o centro de São Luís já estava assim

Na quarta, o centro de São Luís já estava assim

Mas no Reviver, como é chamado o centro histórico, você vai ouvir muito mais do que reggae.

Música, dança e performance estão na alma ludovicense.

O Reggae em São Luís do Maranhão

“A história do reggae na capital maranhense é recente, começou nos anos 1970. Não se sabe ao certo, no entanto, a trajetória do ritmo da Jamaica ao Maranhão.

É provável que os primeiros discos tenham sido trazidos por marinheiros que vinham da Guiana Francesa e aportavam em Cururupu.” (FREIRE, – O reggae em São Luís do Maranhão, UFMA, 2008.)

Nas escadarias, nas esquinas e, claro, nos bares do Reviver – centro histórico de São Luís, sempre tem música ao vivo a partir do comecinho da noite.

O que atrapalha a vida boêmia é a violência

Ouvi relatos de pessoas roubadas e todo mundo com quem falei disse que não dá para andar sozinho em ruas vazias do Reviver (todo mundo é uma expressão degastada, mas nesse caso é todo mundo mesmo).

Além disso, o tempo todo você é abordado –dá R$ 1 real, dá um copo de cerveja, dá um cigarro (de novo, usei um termo exagerado sem exageros: é o tempo todo).

Saí todos os dias, de quarta-feira à sábado — incluindo a sexta-feira, 15 de Novembro, feriado nacional.

Sexta-feira é o grande dia para quem quer ir para a balada no Reviver, em São Luís.

Achei difícil escolher onde começar a noite em São Luís (sempre terminava no Moiras, bar magnético com mesas ocupando uma ampla escadaria; mais para frente, falo mais dele).

Em torno da Feira da Praia Grande, um dos pontos de referência do centro histórico de São Luís, havia pelo menos três ou quatro opções de lugares com grupos tocando ao vivo.

Não precisa sentar e pagar, dá para ver da rua!

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O que fazer à noite em São Luís do Maranhão

Para começar a noite, eu preferia ficar dentro da Feira da Praia Grande.

No Bar da Amélia tem cerveja barata e boas porções

No Bar da Amélia tem cerveja barata e boas porções

Quando queria ficar sentado, ia no Bar da Amélia, um negócio familiar com atendimento familiar.

Rapidamente me senti um velho frequentador, daqueles que sabem que ali tem ótimas porções e cerveja barata (R$5).

Para quem curte tomar cerveja com de pé, com a barriga no balcão, a dica é ir no Irmão, na parte interna da feira –a garrafa estava R$ 4,50.

O Irmão (todo mundo conhece) é uma espécie de mercadinho-armazém, tem de tudo: papel-higiênico, caixas do mítico guaraná Jesus, pasta de dente, salgadinhos, protetor solar, bolacha, barbeador, pilha.

Albergue da Juventude em São Luís

Na rua das Palmas, onde fica o único albergue da rede Hostelling International Albergue da Juventude em São Luís, o Solar das Pedras, tem várias opções de bares e baladas.

Roots Bar, Escadaria do Reggae e o Moiras

Em frente ao hostel tem uma casa noturna grande, GLS (quem está no hostel vai ver o movimento, a rua fica cheia; os hóspedes podem entrar de graça). Um pouco mais para o lado, na esquina com a escadaria, tem o Roots Bar, que toca… reggae.

Na escadaria existem mais duas opções de bares (tudo a menos de 100 metros do hostel): o bar Escadaria do Reggae e o Moiras.

A escadaria do Moiras, o lugar mais legal do centro de São Luís à noite

A escadaria do Moiras, o lugar mais legal do centro de São Luís à noite

O Moiras é o lugar que mais gostei em São Luís.

As mesinhas e cadeiras ficam espalhadas na ampla escadaria, o responsável pelo bar é músico e toca com responsabilidade essa parte: ouvi samba paulista, MPB de barzinho, reggae

Mas o melhor foi o dia do tambor de crioula (será que é toda quinta-feira?), coisa levada a sério em São Luís.

A fogueira usada para esticar o couro dos tambores foi feita ali mesmo –saí cheirando a bacon.

Mestre Macaxeira tomou conta dos vocais, meninas com saias a caráter convidavam todos a também dançar e foi uma noite bem legal.

Na escadaria do Moiras conheci o Diego, um músico mineiro de coração ludovicense.

Ele me ensinou que além da música e das artes, as pessoas em São Luís são apaixonadas pelo futebol e pelo Sampaio Corrêa, o tubarão. A maior torcida do time do time é a Sampaio Roots (olha o reggae) e o tubarão tritura.

Sampaio Correa F.C.

Sampaio Corrêa, o tubarão

Sampaio Corrêa
A Bolívia Querida, de maior torcida neste Maranhão
Sampaio Corrêa
Do nosso esporte o mais antigo esquadrão

Sua camisa encarnada, verde e amarelo
Veste gigante do esporte em constante duelo
Sampaio Corrêa, time de escol
Maior torcida, tradição em futebol — Hino do Sampaio Corrêa

Não consegui um guia (o turismo é mal explorado no Maranhão), mas aqui e ali ouvi histórias interessantes sobre os casarões, os túneis usados para transportar escravos e a sociedade da Ilha Magnética, um dos epítetos da capital, por causa da maré, que oscila violentamente (ou será porque prende as pessoas que a conhecem? Eu ia para ficar um dia, fiquei quatro…)

São Luís ganhou o nome de Jamaica brasileira porque, realmente, ouve-se e toca-se reggae a cada esquina.

É chamado de Atenas brasileira porque São Luís sempre teve uma vida cultural agitada.

O Teatro Arthur Azevedo, inaugurado em 1° de julho de 1817, é o mais antigo do Brasil. Até hoje os ludovicenses orgulham-se de falar o português mais correto do Brasil. E realmente impressiona como as pessoas conjugam os verbos por aqui.

Uma das coisas que achei divertido nas ruas históricas foram as cabeças de frade. São monumentos de mais ou menos espalhados pela região. Para que servem? Para homenagear cada filho homem de famílias ricas. Grávidas abraçavam os postes para pedir varões. Olhe a foto: lembra uma cabeça de frade mas também um imenso pênis. Eu apelidei de Ferrari colonial.

Para cada filho homem, erguia-se um desses postes amarelos

Para cada filho homem, erguia-se um desses postes amarelos

O Museu de Artes Visuais (baratinho, R$ 3, com meia-entrada para estudante; rua Portugal, 273) dá uma boa ideia sobre os estilos dos azulejos portugueses que fazem a fama do Reviver, como também é conhecido o centro.

Lá aprendi a origem dos nomes dos casarões: os solares são assim chamados porque eram prédios apenas residenciais (só lar), enquanto os sobrados serviam para comércio e moradia (a parte que sobrava).

O Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho fica em um impressionante casarão de 4 andares (rua do Giz, 271). O acervo é composto de roupas, objetos e fantasias das festas tradicionais do Maranhão e dos rituais religiosos. Tem as cores do bumba meu boi, o branco dos terreiros e muito mais.

Mas o que mais gostei, sem dúvida, foi o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão (rua do Giz, 59).

O Maranhão é um importante parque para achados arqueológicos e paleontológicos. Tem vários pedaços de dinossauros no acervo do centro. Um dos ossos de dinossauro tem fica sobre uma mesa com um convite irresistível: pode tocar nas peças.

Na parte de arqueologia, um painel reproduz fielmente gravações rupestres encontradas no Maranhão. Mas o mais legal são as várias cabeças de machados apresentadas.

Onde comer em São Luís

A comida típica do Maranhão é um orgulho local. O cuxá, uma espécie de pasta feita de vinagreira (uma erva amarga) e camarão é a estrela local. Come-se puro (não gostei muito) ou misturado no arroz, que fica esverdeado (muito bom). Além disso, há muitos pratos com camarão e caranguejo. Maravilha.

A Feira da Praia Grande é um mercadão de São Luís

A Feira da Praia Grande é um mercadão de São Luís

Os restaurantes que conheci no Reviver são charmosinhos, mas meio caros e nem tão bons. Preferi a comida de rua vendida em torno da Feira da Praia Grande, o ponto mais animado do centro histórico. Tem tiazinhas vendendo pratos com arroz, farofa, salada e mais duas (R$ 10) ou três opções (R$ 12) entre cerca de 15 pratos locais. Ali sim tinha uma boa comida barata em São Luís. Mas é só à noite.

Dentro da Feira da Praia Grande da para comprar comidas típicas do Maranhão

Dentro da Feira da Praia Grande da para comprar comidas típicas do Maranhão

Dentro da feira também tem opções legais de comida, mas é mais porção. Na Feira da Praia Grande comi um prato feito na hora do almoço (R$12) que não era nada demais, mas foi o único PF que encontrei nas redondezas do hostel que fiquei hospedado em São Luís.

A dica é aproveitar os preços baratos de delícias locais, como camarão e as castanhas de caju. Ou o Guaraná Jesus e a pinga de mandioca, a tiquira. Comprei uma porção enorme de castanha por R$ 5. 

Na balada em São Luís

Tenho que repetir: é violento. Mas a noite no centro histórico é demais de legal. Sexta-feira é o dia mais movimentado, mas desde quarta-feira, encontrei várias opções do que fazer, principalmente nos arredores da Feira da Praia Grande.

Tem música ao vivo por todos os lados. E não é um banquinho e um violão. Vi rockão antigo, samba, axé, reggae… sempre tocados por grupos com vários instrumentos, muita percussão, bons cantores.

Mas o que impressionou mesmo foi o tambor de crioula que ouvi no Moira’s, um bar na escadaria do Reggae que visitei todos os dias. Lá sempre tinha música ao vivo e conseguia reunir pessoas legais.

Não ficava muvucado como o resto do Reviver, não passava tanta gente pedindo dinheiro, tinha um público alternativo legal. E o pessoal do bar atendia bem e com bons preços (a cerveja de garrafa saía por R$ 6, a dose de cachaça –boa– por R$1). Vale a pena conhecer.

Como são as praias de São Luís, no Maranhão

O Maranhão não é conhecido pelas suas praias. E, infelizmente, as praias de São Luís que eu conheci ajudaram a entender o porquê.

A mais indicada praia de São Luís é a praia do Calhau. Fica a uns 40 minutos do centro histórico de ônibus.

É uma praia nota 6, com águas amarronzadas, muito, muito vento e quiosques-shopping-center: gigantescos, sem personalidade e com altos preços.

Como fui sozinho, não podia nem comer: sabe aqueles lugares em que os preços dos pratos começam em R$ 30? Pois é.

Calhau é a praia dos turistas, com algumas opções de pousadas e hotéis ao redor. Dizem que a noite tem bares mais sofisticados do que no centro histórico, mas nem cogitei ir.

A praia da Ponta da Areia, em São Luís, não é lá essas coisas

A praia da Ponta da Areia, em São Luís, não é lá essas coisas

Também conheci a Ponta da Areia, perto da Lagoa da Jansen.

É a praia mais popular da capital maranhense. Feiosa. De novo, a água é amarronzada. Para piorar, a praia tem várias áreas cobertas de pedras que não colaboram para a paisagem.

A Lagoa da Jansen é uma das regiões mais sofisticadas de São Luís. Mas tem um odor forte, não gostei muito de andar em volta: tem pista para correr e parquinho infantil.

Segundo me contaram, as praias legais da ilha de São Luís ficam em Raposo. Marquei de não ter ido para Mangue Seco.

Dá para fazer o passeio com agências que você encontra no centro histórico de São Luís, mas acabei conhecendo só por este vídeo do YouTube.

Apesar de não serem as melhores do mundo, há algumas boas opções de praias em São Luís. A água é sempre quentinha, largas faixas de areia e aquela ventania básica..

A imensa ilha de São Luís tem praia boa sim! É um destino bacana para quem busca praias e bons lugares onde comer. Algumas praias, inclusive, adornadas por morros e falésias.

A presença dos ventos fortes, que realmente incomodam quem está apenas tomando sol na areia, é perfeita para quem deseja praticar esportes a vela ou kite surf.

— Onde ficar em São Luís

Praia da Ponta de Areia 

Ao Norte da ilha a praia é uma das mais frequentadas. É logo ali no centro histórico de São Luís. É uma praia bastante urbana, com ruas e avenidas asfaltadas.

A extensa faixa de areia batida é escura e sólida, fácil para caminhar, jogar bola. Há opções de bares e restaurantes onde comer e hotéis na beira-mar onde ficar.

Praia de São Marcos

É a praia do surf em São Luís, a Jamaica brasileira. Hehe

No início da Avenida Litorânea, a 7 km do centro de São Luís é a melhor praia para a prática de surf e a que tem a noite mais agitada, preferida pelos jovens da ilha. Com bares em toda a sua extensão, tanto durante o dia quanto à noite.

Praia da Guia

Outra bem bonita, formada com dunas, vegetação rasteira e recifes. Localizada a 13 km do centro, no lado Oeste da ilha, tem-se de lá uma vista da cidade de São Luís.

– Roteiro do Rio Preguiças até os Lençóis Maranhenses

Praia do Calhau

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Pôr-do-sol na Praia do Calhau, em São Luís – Maranhão. | Foto: Lyssuel Calvet

É uma das melhores praias de São Luís do Maranhão.

O acesso se dá como extensão da Avenida Litorânea. Apresenta muitas dunas recobertas por vegetação rasteira. A areia é amarelada e fina.

Há bons hotéis não muito baratos por lá e casas de veraneio, privando atividades à noite.

Praia do Caolho

Fica entre as praias do Calhau e Olho dá´água. Fica no final da Avenida Litorânea.

Praia do Araçagy

A praia fica a quase 20 km da área urbana de São Luís. É uma praia com grandes extensões de areia e altas dunas. É bem legal para surfistas também, pois as ondas são bem fortes.

Há boas opções de bares e restaurantes onde comer, com um belíssimo farol de orientação à navegação. O acesso é feito por estradas asfaltadas e, infelizmente, carros rodam na areia da praia.

Praia do Meio

É a famosa “praia do meio”. Em todo destino tem uma dessas. A Praia do Meio em São Luís, fica entre as Praias do Olho d´água e da Praia de Araçagy.

É uma praia legal para o turismo, pois é possível fazer passeis de jet-skí. Para beliscar alguma coisa, há bares e quiosques na orla.

– Lençóis Maranhenses – melhores destinos do Brasil

Praia do Olho d´água

Paraíso de dunas, morros e falésias e extensa vegetação rasteira, a praia é boa para o surf e esportes a vela. A melhor época para surfar em São Luís é de Julho a Dezembro.

É um lugar bacana também para a prática do windcar no momento de maré no verão, pois a faixa de areia é larga e o piso duro.

Post publicado em 26 de novembro de 2013. Atualizado em 13 de setembro de 2021 por Muita Viagem.

Sobre Gustavo Villas Boas

-- "Vamo? Vamo! (ou não)" Jornalista e editor do Muita Viagem Gosta de praias, baladas e comidas diferentes. A Amazônia é o destino que o emociona. Antes de embarcar no Muita Viagem, trabalhou no jornal Folha de São Paulo e no Estado de São Paulo na cobertura de tecnologia, cultura e cidades. Mas lia o caderno de turismo.

2 comentários

  1. Primeiramente, respeite a cidade de São Luís e o povo que aqui vive, se é que vc sabe o que é respeito.
    E, antes de sair falando da água amarronzada e das praias feiosas, procure conhecer mais sobre as particularidades dos lugares onde visita, pois pra ser mochileiro de verdade é preciso valorizar cada lugar onde passa; tenha conteúdo! E não saia falando um monte de asneiras! Vá estudar!

  2. Já visitei lugares muito bonitos mas que também não rolou de entrar na água por causa da cor, se não enxergar meus pés no fundo, não rola mesmo. Foi o caso da Ilha do Algodoal, no Pará, é linda, mas por causa dos rios que desaguam ali o mar acaba ficando escuro e barrento. E também já visitei lugares muito famosos que pessoalmente me decepcionaram, por isso te entendo. E admiro sua honestidade, afinal, a gente tem que se informar pra não ser pego de surpresa. Tô amando o blog. Um abraço!

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